Empresário cria alternativa ao livro em braile no Brasil

Um boa notícia para cegos e pessoas com baixa visão

Um boa notícia para cegos e pessoas com baixa visão. Surgiu uma alternativa aos calhamaços de livros em braile, liderada pelo espírito inovador do empresário Heyde Leão, junto com alunos e professores do Instituto Federal do Ceará (IFCE).

Ele desenvolveu um sistema pioneiro em nível mundial que inclui de forma fácil e rápida as pessoas com deficiência visual nos campos da leitura, da escrita e da edição.

O empresário esteve em Teresina na última quarta-feira para apresentar o invento batizado como Portáctil e abrir negociações para o produto. A empresa de Heyde Leão e de seu sócio inventou o mause braile, a membrana para digitação, aplicativos e um softwere que funcionam integrados a um tablet com o sistema android.

Com isso, os cegos e pessoas com baixa visão vão pode ler até 50 mil livros através do mause braile. Pelo sistema, podem ouví-los; e também escrever e editar seus textos.

“Hoje, apenas 1% das 140 mil novas publicações anuais no mundo são transcritas para o braile. Desta forma, apresentamos um dispositivo revolucionário que vai trazer a luz do conhecimento aos deficientes visuais e proporcionar a democratização da informação.

O nosso produto permite armazenar centenas de livros para ler em qualquer lugar com o auxílio de áudio e do mause braile. Ler qualquer conteúdo é simples e funcional. E, com o auxílio de uma película exclusiva, a pessoa com deficiência visual ainda pode editar e escrever textos”, disse Heyde Leão.

O empresário explicou por que o novo sistema é uma alternaitva aos calhamaços de livros em braile. Segundo ele, os custos de impressão de uma página em braile estão em torno de R$ 4,85. Além disso, um livro de 300 páginas convertido para o braile daria 1.200 páginas e custaria R$ 5.820,00.

“Converter uma única enciclopédia Barsa, por exemplo, para o braile custaria R$ 582 mil. A enciclopédia tem 32 volumes e 30 mil páginas, mas convertida em braile daria uma montanha de papel de 1.200 volumes e 120 mil páginas. Imagine o trabalho e o custo que o governo teria para levar uma enciclopédia dessa em braile para uma biblioteca pública no interior do Piauí”, observou.

Produto foi gerado durante incubação

O empresário Heyde Leão disse que, com o sistema desenvolvido por sua empresa, uma criança com deficiência visual pode perfeitamente carregar milhares de livros debaixo do braço ou na mochila, o que não seria possível com livros de papel em braile, já que as publicações ficam armazenados na memória do tablet e são transmitidas para o mause braile através da tecnologia bluetooth. Com isso, os pinos do mause braile se movimentam formando as letras e gerando informações.

A empresa de Heyde e de seu sócio, ao desenvolver o dispositivo no laboratório de pesquisa do Instituto Federal do Ceará como negócio incubado, fez uma pesquisa sobre o uso de livros em braile em bibliotecas públicas e constatou que na grande maioria das bibliotecas dos municípios do Piauí não existe acervo em braile.

"Assim, o nosso sistema é uma importante alternativa para as bibliotecas que desejam criar um acervo moderno, de fácil acesso e sem a necessidade de grandes espaços para a armazenagem", explicou Heyde.

A empresa que produz o Portáctil foi incubada em 2009 na Incubadora de Em-presas do Instituto Federal do Ceará. Em 2013, o projeto chegou a versão atual. Agora os empresários estão na fase de negociações e vendas.

O primeiro cliente foi a Prefeitura de Fortaleza. Eles desejam levar o produto para aeroportos, tribunais, ministérios, empresas, escolas, bi-bliotecas e universidades, para que as pessoas com deficiências visuais possam ler e ouvir milhares de livros, escrever e e editar seus textos com liberdade.

"Nos últimos anos o interesse dos brasileiros pela leitura vem crescendo e o país vem se tornando referência progressista quanto à acessibilidade e alcance das pessoas à informação. O Brasil é lar de 1,7 milhão de pessoas com deficiências visuais com sérias dificuldades de acesso a livros, jornais e outras fontes de informação escrita.

O sistema que criamos vai atender estas pessoas. Veja o caso de muitos clientes de bancos que não leem os contratos por causa da deficiência visual, então o nosso sistema será um importante aliado dessas pessoas também", acrescentou o empresário.

Fonte: Djalma Batista