Laboratório de estudantes é referência nacional em robótica

O Laboratory of Intelligent Robotic, Automation and Systems (Labira

O Laboratory of Intelligent Robotic, Automation and Systems (Labiras) coloca o Estado do Piauí como referência nacional através da tecnologia. Formada por estudantes e pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (Ifpi), o Labiras alia inovação tecnológica e prestação de serviço para a população. Dessa forma, fomenta o desenvolvimento de projetos relacionados a Robótica e Games.

Contando com a orientação de Francisco Marcelino, professor do curso de Engenharia Eletrônica do Ifpi e mestre em Biotecnologia, o Labiras é importante para o desenvolvimento de instrumentos eficientes, confortáveis e de baixo custo. Os projetos são direcionados a deficiência física, transtornos mentais, locomoção e entretenimento da sociedade.

Francisco Marcelino, que também é coordenador do laboratório, relata que a iniciativa teve início na cidade de Parnaíba (PI). Em seguida, chega até à capital, Teresina. “No começo estávamos receosos, pois a maioria dos alunos só estudava para os vestibulares tradicionais ou apenas para passar de ano.

A partir de então, começamos a mostrar outras possibilidades práticas para os alunos do ensino médio. O sucesso foi tão grande que chegaram pesquisadores, graduandos e mestrandos, até chegar no nível que estamos agora”, diz.

Hoje participam do Labiras de 30 a 40 estudantes do ensino médio, superior e pós-graduação, todos voltados às áreas de Automação e Robótica, Games e Tecnologia Assistiva (voltada para pessoas com deficiência).

“A Automação é um processo onde são criados soluções eletrônicas para tentar transformar em algo mais inteligente”, explica Flávio Alves, pesquisador do Labiras e estudante do curso técnico em Eletrônica. Dentre as principais contribuições do laboratório está a formalização de patentes (direito de exploração de produtos).

São elas, a Luva Ultrassônica, a Bengala Eletrônica, Bateria Eletrônica, dentre outros. Ainda faltam ser registradas mais duas patentes, uma delas é usar a realidade virtual para tratamento de doenças do olho.

Além disso, o laboratório conta com trabalhos em eventos, artigos, além de jogos aplicados na área médica (realidade aplicada para a medicina) e os Óculos Rift, um projeto de óculos de realidade virtual para o tratamento de fobias. O último recebeu destaca no programa Encontro, com Fátima Bernardes (Rede Globo).

Por isso, o Labiras forma profissionais capacitados para o mercado. “Temos alunos em nível da graduação produzindo artigos em nível altíssimo que somente mestres e doutores realizam. Agora, o Brasil enxerga que o Piauí gera tecnologia, inovação, além de propriedade intelectual”, lembra.

Labiras proporciona alternativas de baixo custo

A população mundial ainda sofre com as problemáticas de mobilidade urbana. Andando pela cidade não é difícil encontrar ruas cobertas por obstáculos que dificultam a vida de pessoas com necessidades especiais. Os deficientes visuais são um dos grupos que mais sofrem com a falta de estrutura.

Pensando nisso, os alunos do Labiras, com orientação de Francisco Marcelino, criaram e patentearam ferramentas a serviço da população. A ideia é disponibilizá-las, segundo o professor, até metade do segundo semestre de 2015. Além disso, alguns instrumentos serão proporcionados a Organizações não governamentais (ONGs).

Um dos projetos, a Bengala Eletrônica, é composta por cano PVC e sensores, por isso é considerada vantajosa em relação a bengalas tradicionais, uma vez que a produzida pelo laboratório custa em média R$ 54. "É uma bengala comum, porém ela contém um sensor que indica os obstáculos próximos do indivíduo. Um dos casos mais clássicos é o orelhão.

O deficiente bate no pé do objeto e segue em frente, esquecendo que ele contém obstáculos aéreos, por isso ele machuca o rosto, quebra os dentes, além de ser um produto caro", destaca o professor que também lembra que sairá uma versão ainda mais barata e eficiente.

Além disso, os pesquisadores pretendem produzir uma cartilha digital, e se houver a possibilidade, uma cartilha física. "Também estamos com projeto de um portal com tutoriais para que as crianças e os adultos possam fazer em casa", afirma.

A Luva Ultrassônica é outro projeto patenteado. Contando com um sensor menor que o localizado na Bengala, a Luva foi produzida para ser usada em ambientes fechados e abertos.

"É como se fosse uma extensão do corpo humano, pois ao apontar para algo a luva identifica e vibra diante de um obstáculo a 50 cm ou menos. Dessa forma, a pessoa vai diminuir a velocidade da caminhada e não vai bater", explica.

Já a Bateria Eletrônica surge como alternativa às baterias tradicionais, que no mercado custam em média de R$ 3 a R$ 4 mil. O produto fabricado pelos pesquisadores do Labiras teve custo de R$ 300.

"Usamos cano PVC, além de um piso elétrico, ou seja, ao bater no instrumento ele gera energia e um sinal pequeno é levado para computador.

Assim, ele emula um som real de uma bateria eletrônica, só que com baixos custos", afirma.

Laboratório é reconhecido nacionalmente

Os projetos realizados pelo Labiras contribuem para o uso de uma tecnologia de fácil acesso, baixo custo e seguro. Por isso, alguns meios de comunicação reconhecem o devido valor dos jovens pesquisadores, dentre eles o programa Encontro com Fátima Bernardes (Rede Globo).

A produção do programa entrou em contato com os pesquisadores após a veiculação de matéria sobre o Oculos Rift.

O equipamento, produzido pelo Labiras, simula situações envolvendo medos diversos (fobias) através de cenários que permitem a imersão do usuário. "Ficamos sabemos que o programa sentia a necessidade de falar sobre isso.

O mais legal é que é algo feito no Piauí e estávamos em uma região que ficou surpresa com algo feito aqui", afirma o professor. O professor relata que a repercussão do programa gerou parcerias entre psicólogos e psiquiatras.

Além disso, o laboratório estimula a participação de mais jovens em busca de descobertas tecnológicas. Felipe Resende, estudante do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, acredita na ampliação dos espaços de conhecimento da graduação graças ao Labiras.

"Temos orientadores capacitados que nos proporcionam uma pesquisa de qualidade dentro de um espaço onde possamos trabalhar. Eu quero seguir na área de desenvolvimento de jogos e o laboratório é um espaço ideal", diz.

Flávio Alves, formado em Ciências da Computação e estudante de Eletrônica, lembra que o laboratório usa um diferencial. "Conseguimos realizar vários projetos de forma interdisciplinar. A eletrônica da computação é um dos exemplos, pois tentamos englobar um pouco dos dois mundo para criar soluções multidisciplinares", finaliza.

Projeto auxilia estudantes de escolas públicas

Além de contribuir com instrumentos a favor da sociedade, o Labiras leva os ensinamentos da robótica a estudantes de escolas públicas do Piauí e Maranhão.

"O projeto Robótica Formando Cidadãos", oferece conteúdos nas disciplinas de matemática, física, inglês, e lógica de programação com foco na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

Dessa forma, o Labiras avança nos níveis de educação. Os estudantes de nível superior podem transmitir os conhecimentos adquiridos para alunos do ensino fundamental e médio e que, por muitas vezes, não têm contato com a robótica.

Segundo o estudante Hairton Prudêncio, que ministra a disciplina de Física, o projeto aprofunda ainda mais a certeza da carreira profissional. "Para mim, que quero seguir a carreira da docência, o projeto proporciona o primeiro contato com a sala de aula.

Além disso, o Labiras especifica o meu conhecimento, pois desde pequeno sempre gostei de eletrônica e robótica e, agora, vejo que posso tirar aquele jovem perdido do mundo através da educação", afirma.

O projeto também garante a participação do Piauí em nível nacional. A próxima parada será a demonstração de robótica na cidade de Uberlândia (MG), em Outubro. Posteriormente, por conta dos resultados positivos, o projeto será levado a outros institutos federais do Estado do Piauí.

As aulas ocorrem na sede do Instituto Federal do Piauí (Campus Teresina Central), centro da cidade, aos sábados das 08h às 12h.

Fonte: Thays Teixeira e Daniely Viana