Na guerra dos navegadores, você ganha

Na guerra dos navegadores, você ganha

Se você anda procurando por uma boa guerra entre produtos, está com sorte: a guerra dos navegadores voltou a ser travada. Na semana passada, a Microsoft lançou a muito esperada nova versão do Internet Explorer. Enquanto isso, a Apple, Mozilla e Google lançaram recentemente versões de pré-lançamento de seus futuros navegadores.

Internet Explorer 8 - Depois de anos atrás dos outros inovadores, a Microsoft finalmente lançou um navegador que dá gosto de usar. Versões anteriores do IE eram lentas, propensas a quedas e travamentos, repletas de furos de segurança e não tinham muitos dos recursos úteis encontrados nos outros principais navegadores. E enquanto você as aturava, não podia deixar de pensar que a Microsoft estava contando com sua ignorância para sobreviver, rezando para que você não descobrisse que a vida poderia ser melhor se você se desfizesse do navegador integrado ao Windows.

Mas a nova versão dá a qualquer um que abandonou o IE ao longo dos anos um motivo para voltar e dar uma olhada. Ela é rápida, parece resistente a quedas e travamentos e não só iguala os recursos de seus rivais, como alguns casos os supera. Sua lista de abas -- o "menu" no topo da tela que cataloga as páginas abertas -- demonstra excelência na organização. Digamos que você abra uma aba com o Google e outra com a Amazon, e então abra várias novas abas a partir de links em cada um destes sites. O IE é esperto o suficiente para saber quais abas foram abertas a partir do Google e quais vieram da Amazon, e mostra os diferentes grupos em cores diferentes na lista de abas. Isto me permite simplesmente passar os olhos sobre ela e encontrar a aba que eu preciso mais rapidamente do que eu conseguiria em outros navegadores.

Mas o IE não é perfeito: ele fica bem lento depois que você abre uma dúzia ou mais abas, e também não é tão rápido que os rivais na hora de carregar as páginas complexas da "Web 2.0", como o GMail e Google Maps. Por fim, o IE só está disponível em versão Windows.

Safari 4 Beta - Como era de se esperar, o navegador mais recente a Apple chama a atenção pelo estilo. Entre seus vários requintes visuais, gostei da forma como ele mostra seu histórico de navegação - como uma série de imagens de cada site , as quais você pode "folhear" usando o Cover Flow, mesmo recurso usado para ver as capas de discos em seu iPod. O melhor recurso do Safari é a velocidade: ele briga com o Chrome pelo título de "navegador mais rápido no Windows", e certamente é o mais rápido no Mac. Mas várias falhas na interface com o usuário ainda me incomodam.

Como o Chrome, o Safari não tem uma "barra de abas". Em vez disso, ele coloca as abas abertas na barra de menu, o painel mais externo na janela do navegador (a maioria dos outros navegadores usa este espaço para mostrar o título da página atual). Isto deixa mais espaço na tela livre para seus documentos, mas torna as abas do Safari mais difíceis de mover e organizar.

A barra de endereços do Safari - o lugar onde você digita a URL - também fica atrás da de seus rivais. Outros navegadores permitem que você use este espaço como um "site de busca" rápido: digite uma frase, tecle enter e você é levado para a página de resultados. Irritantemente, tudo o que o Safari faz é mostrar uma mensagem de erro quando você tenta fazer isto.

Chrome 2.0 Beta - Quando o Chrome foi lançado em setembro passado, fiquei embasbacado. Desde então, ele só fez melhorar. O que eu mais gosto é a filosofia por trás do seu projeto. O programa parece ter sido feito para um tipo específico de usuário -- os "power users", pessoas que passam o dia todo na web e mantém um número enorme de abas abertas rodando vários sites complexos.

Ao contrário de outros navegadores, o Chrome não vira uma carroça quando está sobrecarregado. Se você tiver dúzias de abas abertas e tentar carregar um video do YouTube, ele será reproduzido perfeitamente. No Firefox 3.0, a mesma situação faria o filme "engasgar", o que não é nada bom. O Chrome também é muito seguro: em uma conferência recente no Canadá, hackers foram convidados a derrubar todos os principais navegadores. Eles foram capazes de comprometer o Firefox, Safari e IE, mas não conseguiram sequer arranhar o Chrome.

Meu recurso favorito no Chrome é sua barra de endereços, combinada com a barra de busca encontrada no topo da janela da maioria dos navegadores. Nos rivais do Chrome, digitar uma frase na barra de endereços resulta em uma busca em seu histórico de navegação. Digite "new york times" e o navegador vai mostrar uma lista das páginas do jornal que você já visitou.

Outros navegadores podem também sugerir buscas. Digite "new york times" no campo de busca e ele pode sugerir uma pesquisa por "palavras cruzadas do new york times". O Chrome também faz tudo isso, mas vai além: ele lista resultados de busca no Google. Digite "thomas jefferson" e o Chrome mostra o endereço para o primeiro resultado de busca no Google para esta frase. Você pode até ir direto para a página sobre Thomas Jefferson na Wikipedia sem sequer passar pelo Google.

Mas há algumas desvantagens no Chrome. Em primeiro lugar, por enquanto ele só tem versão para Windows. Em segundo, ele não tem um sistema de complementos, para permitir que terceiros agreguem funções ao navegador. Felizmente, o Google acabou de indicar aos programadores uma forma de criar tais "plug-ins". Se os programadores começarem a produzí-los em larga escala, o Chrome pode se tornar imbatível.

Firefox 3.1 Beta - Vários anaos atrás, comecei a usar o Firefox como meu navegador principal. Ele era mais rápido, mais estável e oferecia mais inovação que seus rivais. Com o tempo, entretanto, muitas de suas vantagens se perderam. Esta versão beta corrige alguns dos problemas que haviam se tornar quase intoleráveis no Firefox, entre eles a propensão a consumir memória demais e se tornar insuportavelmente lento se ficasse aberto o dia todo. Descobri que o beta é muito mais rápido e estável que as versões anteriores.

Mas o principal motivo para eu continuar com o Firefox é a enorme quantidade de complementos. Eles me permite personalizar o navegador exatamente do jeito que eu quero, um feito que nenhum outro programa consegue igualar. Meu plug-in favorito é o Tab Mix Plus, que me dá ferramentas poderosas para salvar e organizar as muitas abas que acumulo durante um duro dia de trabalho na web.

Se eu abro uma dúzia de páginas relacionadas ao meu mais novo plano para a dominação mundial, por exemplo, posso agrupar todas elas e salvá-las sob um único nome no Tab Mix Plus. Quando eu quiser retomar meus planos maléficos, posso abrir toda a minha velha sessão de navegação de uma vez só. Eu uso o Tab Mix Plus em conjunto com o Foxmarks, que me permite compartilhar favoritos do Firefox entre múltiplos computadores.

Posso criar um favorito para algo em meu laptop e abrí-lo no meu desktop. Também não saberia viver sem os "Mouse Gestures" (gestos com o mouse), um plugin que me permite navegar na web com movimentos do pulso. Uma mexidinha rápida do mouse para a esquerda, por exemplo, e o navegador volta à página anterior. É uma forma maravilhosamente preguiçosa de ler as coisas online.

Tanto o Safari quanto o Chrome permitem complementos, então é certamente possível que o Firefox perca esta vantagem. Mas esta é a graça na guerra dos navegadores. Enquanto os rivais se estapeiam em busca de uma maior participação no mercado, vão adicionando recursos melhores a cada nova versão. Seja lá quem for o vencedor, quem fica com todos os benefícios somos nós.

Fonte: Terra, www.terra.com.br