"Nenhum governo conseguirá regular internet", diz diretor do MIT Media Lab

Essa evolução incontrolável é vista com otimismo pelo co-diretor científico de pesquisas sobre vida digital e diretor do MIT Media Lab

As cidades do futuro terão uma grande quantidade de dispositivos conectados, cruzar vários dados em tempo real e criar uma rede local parecida com a que ainda é sonhada pela ficção.

Essa evolução incontrolável é vista com otimismo pelo co-diretor científico de pesquisas sobre vida digital e diretor do MIT Media Lab, Andrew Lippman.

Nesta última quarta-feira (14), Lippman se apresentou no Be Mobile, evento promovido pela BlackBerry e comentou que a tecnologia consegue contornar todas as formas de regulamentação que vão contra o interesse das pessoas.

Por esse motivo, as tentativas de governos de criar regras e barreiras, como o Marco Civil da Internet no Brasil, não terão sucesso.

? A internet não começou como algo comercial, mas acho que a rede ficou grande rápido demais e não foi algo como um "crescimento monitorado". Não é possível regular a internet ou cobrir a rede com uma capa, se algum governo tentar fazer isso e implantar leis e regulação, as pessoas vão criar algo novo.

O aspecto legal também estará sempre atrás da tecnologia, para o pesquisador do MIT Lab. Portanto, não espere que juristas e políticos tenham uma resposta para como lidar com as novas mídias ou como as reações a equipamentos como os relógios inteligentes, Google Glass e outros wearables.

? As leis estão sempre atrasadas. Tenho um amigo que diz que há duas formas de tratar um problema: o jeito de Harvard, que vai criar um lei ou do MIT, que vai buscar a tecnologia necessária para contornar o problema.

Rupturas tecnológicas

Ao contrário do que o esperado, Lippman acredita que não é apenas a tecnologia que influência as mudanças na comunicação e na sociedade. Para o pesquisador, a sociedade abraça as inovações que realmente trazem facilidades para a vida. Por esse motivo, as legislação estão sempre atrasadas em relação ao mundo digital em que estamos vivendo.

Responsável por investigar a evolução e impacto da tecnologia digital no setor de telecomunicações e no dia a dia das pessoas, Lippman aponta que a tecnologia está causando rupturas e que a sociedade está ficando mais madura para lidar com recursos como sensores e big data e também na compreensão de pessoas e espaços.

? Estamos vivendo um momento de duas revoluções. A primeira é a revolução do ser digital e a segunda é a revolução causada pela compreensão dos meios digitais.

Bitcoin, projetos e artistas financiados pelo Kickstarter, aplicativos como Uber foram citados por Lippman como formas como as pessoas estão se organizando para resolver seus anseios e derrubando grandes industrias que operam em formatos regulamentados e tradicionais.

O pesquisador do MIT Media Lab aponta exemplos de mudanças que estão acontecendo graças aos smartphones que todos carregamos hoje em dia. O caráter pessoal que os aparelhos têm, suas funções para trabalho e também a possibilidade de conectar pessoas em torno de problemas são responsáveis pelo futuro.

Fonte: r7