Pacientes sem cordas vocais voltam a falar sem mudança na voz

Com a nova técnica, o paciente poderá recuperar sua voz, como sempre foi, voltando a se comunicar de forma natural e melhorando sua qualidade de vida

Esqueça as vozes metálicas estilo Darth Vader criadas por laringes eletrônicas. Pesquisadores dos departamentos de Ciência da Computação e Ciência da Comunicação Humana, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, desenvolveram uma nova técnica que permite recriar a voz de pacientes que passaram por cirurgias de retirada das cordas vocais. Segundo o pesquisador Phil Green, coordenador do estudo, o que motivou o trabalho foi oportunidade de devolver a essas pessoas uma parte da sua identities: a voz.

Com a nova técnica, o paciente poderá recuperar sua voz, como sempre foi, voltando a se comunicar de forma natural e melhorando sua qualidade de vida. O novo trabalho não seria possível sem a colaboração do Centro de Pesquisa em Tecnologia da Fala, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Os escoceses desenvolveram o software e a técnica de decodificação da fala dos pacientes em modelos estatísticos dos sons.

Com um modelo de voz padrão, o próximo passo dos pesquisadores é criar um banco de voz do paciente, com aproximadamente três horas de duração, e, a partir daí, modular o padrão até atingir o tom de voz correto. Com a voz correta, o sistema de funcionamento do aparelho é o mesmo dos outros sintetizadores. Bernadette Clapman, uma paciente que teve de passar por uma cirurgia de retirada de cordas vocais após um câncer, é a primeira a utilizar novo aparelho.

Em caráter experimental, foram coletados apenas sete minutos de fala e 100 sentenças foram recriadas. A partir daí, os pesquisadores acreditam que será possível sintetizar outras sentenças. Por enquanto, a tecnologia não é portátil. Mas, segundo os ingleses, é apenas uma questão de tempo para que os pacientes com sérias limitações vocais, ou mesmo que precisaram retirar as cordas vocais, como é o caso de Clapman, possam utilizar esses dispositivos em seus computadores pessoais.

Fonte: Terra, www.terra.com.br