Pílula masculina sufoca a gravidez indesejada

Com ou sem hormônios, medicamentos estão prestes a entrar no mercado

Que controle de natalidade é necessário, todos já sabem. Contudo, atualmente, é a mulher quem acaba sendo a única a utilizar o método anticoncepcional mais seguro (e não definitivo) disponível no mercado: a pílula anticoncepcional.

Os homens ficam restritos a duas opções: uma essencial, a camisinha, e outra definitiva, a vasectomia. Por enquanto. Isso porque as pesquisas andam a todo vapor nos laboratórios mundiais, em busca do primeiro anticoncepcional masculino.

Mas como vai funcionar essa novidade? Se der tudo certo,

existirão duas opções básicas: as pílulas hormonais e as não-hormonais. A abordagem hormonal é, atualmente, a mais próxima da realidade e da aplicação clínica , avalia o Dr. Antônio Marmo Lucon, doutor em urologia do Departamento de Urologia da USP (Universidade de São Paulo).

Neste caso, os hormônios liberados pela pílula bloqueariam

temporariamente a produção de espermatozóides, sem afetar a virilidade ou sexualidade masculina. E aí está um dos maiores entraves na popularização deste tipo de medicamento. Os homens em geral têm resistência a tomar um medicamento que baixe seus níveis de esperma, mesmo que, como no caso da pílula masculina, estes efeitos sejam reversíveis , afirma o médico e pesquisador australiano Peter Liu, do Instituto de Pesquisas Biomédicas de Los Angeles.

Os hormônios usados são a testosterona e a progesterona, (mesmo hormônio usado na pílula feminina).A grande dificuldade dos métodos hormonais (que podem vir ao mercado em forma de implantes e adesivos, e não só como comprimidos) é o acerto das dosagens. Vale lembrar ainda que o efeito é progressivo e não imediato, ou seja, o homem precisaria tomar a pílula por alguns meses alcançar 100% de sua eficácia.

Projeto pioneiro, riscos desconhecidos

Nessa fase inicial, os pesquisadores não descartam os efeitos colaterais, que podem incluir disfunção erétil, ginecomastia (crescimento das mamas no homem) e aumento da próstata.

Até que estes efeitos sejam eliminados por completo, com mais testes e pesquisas, a pílula não estará disponível ao público. Outra opção é investir nas pílulas não hormonais, que têm por objetivo impedir, sem recorrer a hormônios, que os espermatozóides fecundem o óvulo.

Um exemplo é a pesquisa realizada pela Universidade de Massachusetts, que descobriu, em 2005, a relação entre a proteína chamada Cs e a mobilidade da cauda dos espermatozóides. Se eles não conseguem se mexer, são incapazes de chegar até o óvulo e realizar a fecundação. Assim, a função da pílula seria bloquear esta proteína, o que não afetaria em nada a produção de esperma nem traria efeitos colaterais. Se eles não conseguem se mexer, são incapazes de chegar até o óvulo e realizar a fecundação. Assim, a função da pílula seria bloquear esta proteína, o que não afetaria em nada a produção de esperma nem traria efeitos colaterais.

Outra opção é a chamada pílula do orgasmo seco , uma descoberta da Universidade King´s College, que impede a ejaculação (mas não o orgasmo) do homem. O melhor é que esta pílula poderia ser tomada logo antes da relação sexual ou todos os dias, como a feminina, e seu efeito duraria cerca de 24h.

Uma alternativa, avaliada na Universidade de Washington, tem foco no sistema imunológico: aqui a idéia é bloquear uma proteína chamada epina, que ajuda na maturação do espermatozóide, tornando o homem infértil sem mexer em seus níveis hormonais.

Já seguindo a mesma linha do DIU feminino, pode surgir no mercado, em cerca de cinco anos, um equivalente masculino, feito de silicone. Composto por dois tampões, o dispositivo seria implantado no canal deferente masculino, bloqueando a passagem do esperma. Para voltar a ser fértil, bastaria retirar o implante. "Atualmente, lidamos muito mais com a falta de interesse quanto ao tema do que com a carência de soluções em si" , conclui o Dr. Antônio Marmo Lucon.

Mas este quadro deve mudar. Levantamentos feitos no Brasil e nos Estados Unidos apontam que mais da metade dos homens usariam um método anticoncepcional não definitivo como a pílula, o implante ou o gel, enquanto que cerca de 70% das mulheres disseram que confiariam em seus parceiros para cuidar do controle de natalidade. A previsão é que dentro de alguns anos os primeiros produtos comecem a chegar às prateleiras.

Fonte: AE