Teresina tem 3º menor índice de fumantes do Brasil

Capital registrou 3,1% de fumantes do sexo feminino


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Apesar do uso de cigarro entre o público feminino ter aumentado nos últimos anos, os homens ainda são a maior parte da população fumante no Brasil. E Teresina é a terceira capital com menor incidência de mulheres fumantes, segundo dados do Ministério da Saúde, através da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014.

A capital teresinense, que registrou 3,1% de fumantes do sexo feminino, só perde para a capital maranhense São Luís que registrou a menor incidência (2,5%) e para a capital do Tocantins, Palmas (3%).

Os dados apontam também que 10,8% da população mantêm o hábito de fumar. Dentro deste universo, a frequência é maior entre os homens, que registraram 12,8% em contrapartida, as mulheres somaram 9% da população. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que a população fumante caiu 30,7% nos últimos nove anos.

As pesquisas mostram também que 21,2% dos brasileiros se declaram ex-fumantes, sendo 25,6% dos homens e 17,5% das mulheres. Quem ficou fora dessa estatística foi Cláudia de Carvalho, funcionária pública, ela que fuma desde os 16 anos, isto é, há 30 anos, confessa que ano passado terminou o tratamento contra o cigarro, porém não conseguiu parar de fumar.

“Eu comecei um tratamento no HU, inclusive muito bom. Mas o que me faltou ao longo dessa jornada foi força de vontade. Cumpri todas as etapas do tratamento, mas não tive força em continuar na abstinência”, revela.

Segundo Cláudia de Carvalho, os fumantes têm consciência dos malefícios que o cigarro traz para a saúde das pessoas e diz que para conseguir largar o vício, primeiramente, é preciso amar a si mesmo. “Todos nós temos a consciência que o cigarro não faz bem. Quando não gostamos de nós mesmos, não temos sucesso no tratamento.

Para isso acontecer a pessoa tem que se amar primeiro. Olho para o espelho e me sinto mal. Acaba com a pele, cabelos, não sentimos cheiro e nem gosto nas coisas.

Dou parabéns para quem consegue deixar o vício, porque eu até agora não consegui”, desabafa a funcionária pública, que destaca que os seus filhos sempre se incomodaram com tal atitude.

Para a pneumologista, Giselda Duarte, a frequência do consumo de cigarro no público em geral é preocupante e a situação é mais grave para a população feminina, principalmente, as gestantes.

“Houve uma redução no total de fumantes. E os homens, culturalmente, fumam mais que as mulheres. Apesar da incidência do consumo de cigarro aumentar nos últimos anos no sexo feminino. 

E isso é um problema de saúde pública já que desencadeia várias doenças, como respiratórias, câncer e problemas na gravidez, que prejudicam diretamente o feto, causando partos prematuros e até mesmo a perda do bebê”, esclarece.

Fiscalização reduz número de fumantes 

Desde 2010, quando a Lei Municipal nº 4.034/2010 foi sancionada em Teresina, o número de fumantes tem tido uma significativa redução. Em vigor há quatro anos, a Lei Antifumo já realizou 120 notificações, realizadas através da Vigilância Sanitária Municipal (Gevisa Piauí) que tem intensificado a fiscalização em estabelecimentos como bares, boates e restaurantes.

A Lei Antifumo de autoria da vereadora Rosário Bezerra (PT) estabelece que se o estabelecimento for flagrado desobedecendo a legislação pela quarta vez, será interditado por 48 horas e, em caso de nova infração, será interditado por até 30 dias.

"A Lei Antifumo protege não só os fumantes, mas também os fumantes passivos, aqueles que não fumam, mas recebem a fumaça da pessoa ao lado. 

A Lei é questionada: - Onde podemos fumar? Pode fazer isso fora dos estabelecimentos, nas calçadas e ao ar livre. A fiscalização tem ajudado a inibir o número de fumantes, visto que Teresina está entre as cinco capitais que tem uma lei específica antifumo", ressalta a vereadora Rosário Bezerra.

É o que também acredita Francisco Cesário, gerente executivo da Gevisa. "A fiscalização é constante, seja no sentido da licença sanitária, seja na autuação em desrespeito à legislação. O número cai por conta da intensa fiscalização. A gente cobra e orienta, diariamente, os proprietários de estabelecimento privado", pontua. 

Fonte: Pollyana Carvalho e Márcia Gabriele