"Tesouros" de Clodovil incluem gravata com 1.000 brilhantes avaliada em R$ 23 Mil

A gravata estava desaparecida desde a morte do estilista

O "Fantástico" visitou nesta semana o apartamento funcional do estilista e deputado federal Clodovil Hernandes, que morreu em março de 2009. Entre os "tesouros" do deputado está a gravata borboleta usada por Clodovil no réveillon de 2008, que não chega a ter 100 gramas e vale mais muito mais do que pesa, pois está avaliada em R$ 23 mil. São exatamente 1.095 brilhantes cravejados em uma armação de ouro branco 18 quilates.

A gravata estava desaparecida desde a morte do estilista. Dois meses depois, em uma entrevista ao "Fantástico", o ex-assessor de Clodovil João Toledo chegou a insinuar que alguém a teria roubado. Agora, o mistério foi resolvido. "Clodovil teria deixado a gravata com o joalheiro, seu Antonio Carlos, que sempre trabalhou para ele. [...] Parece que a gravata havia caído e um brilhante teria soltado. Eu paguei R$ 2 mil pelo conserto, e ele me devolveu a gravata. Foi assim", conta a advogada e amiga de Clodovil, Maria Hebe Queiroz.

Os brincos de diamante do estilista, ninguém sabe onde foram parar. Mas uma coisa é certa: não estão no cofre do apartamento de Brasília, onde Clodovil passou os últimos meses de vida. Esta semana, o "Fantástico" acompanhou com exclusividade a reabertura do imóvel, lacrado desde a morte do ex-deputado. E o cofre estava vazio. "Eu também me espantei. Nós abrimos o cofre e não tinha nada. Pode ser que ainda apareça", diz Maria Hebe, que ficou responsável por administrar os bens deixados por Clodovil.

Maria Hebe, que era amiga de Clodovil, foi esta semana a Brasília, junto com Maurício Petiz, ex-chefe de gabinete de Clodovil. Os dois queriam conferir uma lista feita pela Coordenação de Habitação da Câmara de tudo o que havia no apartamento. São mais de 2 mil itens, incluindo copos e taças de cristal e jogos de jantar com as iniciais CH, de Clodovil Hernandes. Nas cadeiras da sala, o tecido também leva a gravação das letras.

Quando Clodovil veio para Brasília, queria um banheiro forrado de espelhos, mas era muito difícil transportar tudo de São Paulo. A alternativa foi fazer algo que lembrasse um "deck", como se o ex-deputado estivesse em uma piscina tomando sol. Clodovil usava a banheira diariamente. No banheiro também está a última coisa que ele comprou: duas garrafas de cristal para guardar colônia e sais de banho.

Há obras de arte em todas as paredes. Boa parte com imagens do próprio Clodovil. No quarto, em frente à cama, fica um quadro com a pintura da mãe. Outro quadro, retratando Clodovil com cachorros, ficava no gabinete. Clodovil gostava tanto de ficar na cama que mandou fazer uma do jeito que queria. Para não precisar levantar, colocou ao lado, no criado-mudo, uma campainha para chamar os empregados.

"O diabo veste prada"

Maurício trabalhou 25 anos com o estilista. "Eu não diria a você que ele era bravo. Ele sempre foi muito exigente. Exigia muito mais dele do que das pessoas e, por conta disso, judiava demais", diz. "Em determinada ocasião, [...] ele comprou o filme ("O diabo veste Prada") e nós assistimos. Ele se identificou demais (com a personagem da Meryl Streep). Ele dizia que era ele."

No filme, Meryl Streep é Miranda Priesley. Considerada uma megera pelos subalternos, ela dirige a mais influente revista de moda do planeta. Clodovil também era exigente com tudo. Nas gavetas, só entravam gravatas italianas ou francesas, e lenços de seda pura. Todos os sapatos eram feitos sob medida.

O ex-assessor conta que Clodovil tinha um armário só para os paletós escuros, usados no inverno. "Ele escolhia o tecido e desenhava o modelo junto com o alfaiate. [...] Esse é 100% algodão, algodão egípcio". Elegância era fundamental. Da última viagem que fez a Paris, trouxe guarda-chuvas. "A taxaeu paguei mais caro do que ele para comprar as quatro unidades. Coisas de Clodovil", diz Maurício.

As coisas de Clodovil agora serão levadas para uma mansão do ex-deputado em Cotia, na Grande São Paulo. É lá que será materializado o ultimo desejo dele: a criação de uma fundação para educar meninas carentes.

Fotos feitas por uma revista do fim da década de 1990 mostram o luxo que cobria a área, de mais de 2,3 mil metros quadrados. O cenário encontrado pelo "Fantástico", atualmente, é muito diferente. O lugar está abandonado. O jardim virou lar de uma família de sagüis. Teias de aranha, fotos mofadas, madeira podre, máquinas de costura cheias de pó.

Na lateral, ficava uma das áreas da casa de que Clodovil mais gostava. Hoje, é difícil andar no local, onde ficava um canil. Na casa, ele chegou a ter dez cachorros. "Ele era muito carinhoso com os cachorrinhos, ele sempre dizia que a única certeza que tinha na vida era o afeto dos cachorrinhos dele", conta o ex-assessor.

Com o dinheiro de uma ação trabalhista que Clodovil movia e foi resolvida recentemente, a advogada pagou impostos atrasados da casa e vai reformar o imóvel. Também pretende leiloar os bens do apartamento. "Eram dívidas altas. Restou muito pouco, ou quase nada. Então, a fundação precisa de dinheiro", diz Maria Hebe.

Fonte: Globo, www.globo.com