Tijolos ecológicos são fonte de renda para oleiros no Poti Velho

Eles receberam uma encomenda para fabricar 30 mil tijolos

Na região das olarias do Bairro Poti Velho, a fabricação de tijolos ecológicos é uma prática que vem contribuindo com a sustentabilidade econômica de oleiros residentes na zona Norte da capital. A confecção do produto, que leva solo, cimento e água, está associada ao uso de prensas hidráulicas. O ofício de oleiro, um dos mais antigos daquela área, antes ameaçado com a escassez da argila, deve ser mantido vivo com essa alternativa. Essa é uma realidade que está fazendo parte da vida desses trabalhadores através do projeto Olaria Ecológica Comunitária de Teresina, desenvolvido com o apoio da Prefeitura de Teresina.

Em 2014, com a assinatura do convênio entre a Associação Teresinense dos Profissionais em Olarias e da Prefeitura, foi realizada a entrega das máquinas para a fabricação de tijolos ecologicamente corretos. Mas, antes disso, os oleiros já haviam passado por um processo de capacitação, no qual tiveram noções da técnica necessária para a produção, que é uma forma sustentável, criativa e simples de geração de renda.

Agora, em 2015, o projeto vem ganhando um novo fôlego. Os oleiros têm se tornado mais otimistas na medida em que o produto vem ganhando aceitação. Recentemente, eles receberam uma encomenda para confeccionar 30 mil tijolos. Para eles, quantidade considerada significativa e que tem causado estímulo, já que outras pessoas estão demonstrando interesse em adquirir o produto. A aceitação também vem partindo dos moradores da própria comunidade.

De acordo com o secretário municipal de Economia Solidária, Olavo Braz, o projeto visa contemplar esses trabalhadores remanescentes do Lagoas do Norte. “O intuito é gerar emprego e renda para os oleiros daquela região do Lagoas do Norte. Para isso, além da aquisição das máquinas, essas pessoas passaram por uma capacitação técnica para aprender como fabricar devidamente esses tijolos ecológicos.

O suporte também vem sendo dado na etapa da comercialização. Esse projeto que se enquadra dentro dos princípios da economia solidária, como autogestão e cooperação. Queremos que esses trabalhadores caminhem com suas próprias pernas”, explica o gestor.

A busca pela autonomia também permeia os planos do oleiro Luís Felipe de Sousa, que tem parte da sua vida dedicada à fabricação de tijolos. Ele destaca que o projeto vem sendo alavancado e que mais pessoas têm se agregado ao desenvolvimento dessa atividade. “Desde o início, eu acredito nesse projeto. Os nossos tijolos são de boa qualidade, por isso que está começando a ter uma boa aceitação, estamos recebendo encomendas, mais pessoas têm se interessado em trabalhar aqui, principalmente os mais jovens. Estamos empolgados, porque isso aqui é uma fonte de renda para nós. Queremos caminhar com nossas pernas. Acredito que a tendência é melhorar cada vez mais. Estamos nos empenhando em aperfeiçoar o nosso trabalho”, relata.

Luís Felipe, que preside a Associação Teresinense dos Profissionais em Olaria, conta ainda que, com o auxílio das três máquinas, é possível produzir cerca de 2.500 tijolos diariamente. “Antes, sem essas máquinas, para a gente produzir mil tijolos era a maior dificuldade, eram muitos dias para conseguir. Agora se tornou mais fácil”, conta ele, acrescentando que a atividade de olaria faz parte da cultura do Bairro Poti Velho.

Mulheres protagonizam trabalho de produção

A fabricação de tijolos ecológicos também está sendo executada com o importante auxílio da mão de obra feminina. A oleira Dora Maria da Conceição é uma das mulheres que participam do projeto Olaria Ecológica Comunitária de Teresina. O ofício, no qual se dedica há quase 4 décadas, é uma das principais fontes de renda familiar. “Da minha casa, não só eu tiro uma parte do meu sustento daqui. Minha filha também trabalha. Logo mais quero trazer minha outra filha para trabalhar aqui também. Estamos empolgados”, conta.

Maria, que faz parte do projeto desde a implantação, diz que auxilia os mais novos no processo de fabricação, já que tem mais conhecimento. “Passamos o dia todo aqui. Levamos o trabalho a sério. Além de tudo, vejo que isso aqui é uma forma de ajudar jovens que moram na região. Eu, como já sei bem como fazer o tijolo, passo um pouco mais de conhecimento para as pessoas mais novas”, explica.

Máquina reduz desgaste físico de oleiros

O processo de produção de tijolos ecológicos dispensa queima de madeiras ou carvão mineral, já que não há necessidade de levá-lo ao forno, o que acaba por anular a emissão de gases poluentes na atmosfera, diferentemente do que ocorre no processo de fabricação do tijolo tradicional, no qual a queima é imprescindível. Além disso, com o uso das prensas, o desgaste físico dos trabalhadores é reduzido significativamente. O resultado são produtos com acabamento de qualidade.

“Antigamente, sem o uso das máquinas, a gente fazia muito mais esforço, tinha que ficar no sol, fazer a caieira para queimar o tijolo. Hoje, não precisa mais disso. O tijolo já sai no ponto para o processo de cura, que dura cerca de sete dias”, detalha o oleiro Luís Felipe. Esse é um processo envolve três aspectos de sustentabilidade: sustentabilidade ecológica, pois abrange a proteção do ecossistema e dos recursos naturais; sustentabilidade econômica, posto que tem baixo custo de produção e fácil acessibilidade dos materiais utilizados; sustentabilidade social, gerando mais qualidade de vida e de saúde para os oleiros.

Fonte: Jornal Meio Norte