Traficante Nem diz na Justiça que era só "supervisor de entregas"

Outro réu no mesmo processo, ex-líder comunitário William de Oliveira afirma que vídeo foi armadilha de traficante.

Apontado pela polícia como o homem que comandava o tráfico de drogas na Favela da Rocinha, entre outros diversos crimes, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, participou ontem da continuação da audiência de instrução e julgamento do processo em que ele e os ex-líderes comunitários William de Oliveira e de Alexandre Leopoldino Pereira da Silva são acusados de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e associação para a produção e tráfico. Ao ser perguntado sobre a profissão que exercia, disse apenas que ?era supervisor de entregas?.


Traficante Nem diz na Justiça que era só

Ao depor, William contou que o vídeo em que os três aparecem supostamente negociando um fuzil, gravado em outubro de 2010, foi editado, já que tem apenas 19 minutos e ele ficou cerca de uma hora e meia conversando com Nem naquele dia.

Ainda segundo William, em novembro de 2011, Nem mostrou o vídeo para ele e frisou que, ?caso fosse preso ou morto, a vida do líder comunitário estaria acabada?. Na filmagem, Leopoldini aparece manuseando um fuzil e William recebendo dinheiro de Nem.

Entretanto, William não conseguiu explicar quem colocou a arma sobre a mesa e se o dinheiro recebido foi pago antes ou depois de o fuzil aparecer. Alexandre depôs em seguida e confirmou as informações de William.

De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Nem dormiria em Bangu I e volta hoje para o presídio de segurança máxima em Campo Grande (MS). A escolta dele foi feita por agentes penitenciários até a Zona Oeste.

William de Oliveira, ex-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, está preso por associação para o tráfico de drogas e tráfico de armas. Em sua defesa, William acusa concorrentes que estão à frente da associação desde que perdeu a eleição em 2008.

Ainda segundo William, no dia da filmagem, Nem insistiu para que ele pegasse os R$ 10 mil. Após os interrogatórios, a juíza encerrou a audiência. Agora, os advogados terão prazo para requerer mais informações se acharem necessário. Caso contrário, serão apresentadas as alegações finais pelos advogados de defesa e pelo Ministério Público e, em seguida, a juíza dará a sentença.

Fonte: O Dia Online