Transexuais encaram preconceito em concurso para ser miss no Rio

Izabely Luca, Fantiny Almeida e Bianca Soares concorrem no Miss T Brasil 2012

Dispostas a mostrar suas formas femininas e a encarar o preconceito, 23 candidatas disputam nesta terça-feira (30) o Miss T Brasil 2012, concurso no Rio de Janeiro que vai eleger a mais bela transexual do país. Além da faixa e da coroa, elas querem ser reconhecidas como mulheres e sonham em se tornar a nova Lea T, a filha transex do ex-jogador Toninho Cerezo e estrela da grife francesa Givenchy. A vencedora garante uma vaga no Miss International Queen, na Tailândia, país referência em cirurgias de mudança de sexo.


Transexuais encaram o preconceito e o biquíni em concurso de miss

Assim como no concurso tradicional de miss, as participantes ficaram cinco dias confinadas em um hotel, no Centro do Rio, onde receberam aulas de passarela, dicas de maquiagem, e assistiram a palestras sobre Direitos Humanos e diversidade sexual. Além de caprichar no carão e no famoso tchauzinho de miss, elas serão avaliadas pelo desempenho nos desfiles de traje de gala e banho.

Para a presidente da Associação dos Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro, Bárbara Aires, o concurso vai atrair visibilidade para a categoria.

?É fato que os travestis e transexuais chamam atenção, despertam curiosidade, e temos que trazer isso em prol da cidadania. Geralmente, associam os travestis ao trabalho de prostituição nas ruas e com roupas vulgares. Queremos justamente mostrar que as travestis e transexuais devem ser reconhecidas por seus nomes socais e por suas profissões, e que diminuindo o preconceito elas têm mais chances de ingressar nos cursos superiores e no mercado de trabalho?, enfatizou Bárbara.

Silicone e missólogo

Como em qualquer concurso de beleza, a vaidade tem o preço alto. No concurso entre travestis e transexuais, somam-se os custos com apliques de cabelo, hormônios, silicone, plásticas e outros tratamentos estéticos. A representante do Acre, Bianca Soares, gastou R$ 25 mil apenas para ganhar contornos volumosos no bumbum.

?Com 12 anos comecei a tomar hormônios e aos 16 anos já tinha implantado prótese de silicone nos seios. Minha mãe é pastora e psicóloga e me dá total apoio. Sempre me senti menina, inclusive já dei entrada na mudança de nome?, conta Bianca, que há seis anos participou de filmes eróticos com o ator Alexandre Frota. ?Não quero mais fazer esse tipo de filme. Há alguns anos, faço aulas de canto e interpretação de texto?, disse a moça, que também participou da série Mandrake, exibida na HBO.

"No meu corpo tem um carro importado e desses de luxo. Já gastei muito dinheiro. Faço de tudo para ficar com o corpo cada vez mais feminino", diz Izabely Luca, 25 anos, candidata de MG.

Izabely Luca, 25 anos, candidata de Minas Gerais, contabiliza oito plásticas em seu corpo, como próteses de silicone e rinoplastia ? cirurgia plástica para afinar o nariz.

?No meu corpo tem um carro importado e desses de luxo. Já gastei muito dinheiro mesmo, faço de tudo para ficar com o corpo cada vez mais feminino. Meu sonho é diminuir o tamanho dos meus pés, só não fiz isso ainda, porque não tem jeito mesmo, não tem cirurgião que consiga esse milagre?, ri Izabely.

Nem sempre os investimentos são apenas na parte estética. Fantiny Almeida, de 24 anos, contratou um missólogo, especialista em preparar miss, para orientá-la desde a escolha da roupa até o discurso social digno de miss.

?Estou muito focada em vencer esse concurso. Assisto a vídeos no YouTube com discursos de miss, faço aulas de passarela, tudo para me sair bem. Nesse concurso não estou vendo muita rivalidade. Infelizmente, em 2007, roubaram um vestido de gala da minha mala e não pude participar de um concurso?, desabafa Fantiny.

Campanhas contra homofobia


Transexuais encaram o preconceito e o biquíni em concurso de miss

O Miss T Brasil 2012 começa às 20h, no Teatro João Caetano, no Centro do Rio. O evento será apresentado por Marjorie Marchi e pela ex-BBB Ariadna. A vencedora será obrigada a participar de campanhas de combate à homofobia e de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis.

?O concurso será uma celebração da identidade das travestis e transexuais. É preciso mostrar às massas que estamos aqui para sermos advogadas, professoras, enfim, o que quisermos ser. É preciso respeitar as identidades e os gêneros. É preciso retirar os travestis das ruas e mostrar que eles podem desfilar na passarela, ou num palco, num teatro, onde já se apresentaram grandes artistas?, finaliza Majorie Marchi, que também atua como coordenadora do Centro de Referência LGBT do governo do estado do Rio de Janeiro.

Fonte: G1