Trânsito piora no centro de Teresina e reorganização é necessária; veja

Os problemas são evidentes: falta espaço para o tráfego de veículos, bem como estacionamentos na via e um trânsito seguro para pedestres.

Aumenta o número de veículos e as vias permanecem do mesmo jeito. O centro de Teresina, que concentra grande parte do comércio, além de outros serviços e das sedes dos órgãos públicos da capital, já está pequeno para a grande quantidade de veículos que trafegam pela região. Os problemas são evidentes: falta espaço para o tráfego de veículos, bem como estacionamentos na via e um trânsito seguro para pedestres.



Tais problemas são vivenciados diariamente por profissionais que trabalham no local e clientes que ainda têm o centro como melhor opção de compras. Para a professora Catarina de Almeida, o tempo que se perde tentando atravessar as vias é um grande problema.

?É um estresse porque o trânsito é terrível. O pedestre para atravessar a rua precisa atravessar correndo, mesmo na faixa. Se houvesse uma reorganização no trânsito, seria melhor pra gente?, conta.

Em ruas em que o trânsito se torna mais caótico, como a Álvaro Mendes, Coelho Rodrigues, David Caldas e 24 de Janeiro, o problema se torna ainda maior devido à falta de espaços para estacionamento. Em alguns lugares estacionar já é proibido, assim como as paradas para embarque e desembarque, mas em outras vias placas de sinalização acabam sendo desrespeitadas. Isso é bastante comum em toda a região e em todos os horários.

A falta de espaço acaba se tornando uma dificuldade de acesso para os usuários do centro. Para Hosana da Silva, que vai constantemente ao local, o trânsito na região precisa de uma solução urgente. ?A gente tem medo porque ninguém respeita. A gente tem mais medo dos motoqueiros do que dos carros. É um desrespeito e não temos uma segurança?, diz.

Estacionamentos lucram com demanda de carros

Com a escassez de espaços públicos para estacionar veículos, um serviço que tem aumentado substancialmente é o estacionamento privado. Em vários pontos da região é possível encontrar espaços para estacionar o carro, muitos deles sem grandes estrtuturas como área coberta e banheiro para clientes.

E os preços também estão cada vez mais elevados. Em um estacionamento na Rua Coelho Rodrigues, diariamente são cerca de 150 veículos que ficam guardados no local. A hora custa R$ 5, um dos mais caros da região. O lucro do proprietário chega a ser superior a R$15 mil no final do mês.

A alternativa tem se tornado uma necessidade para quem vai ao centro constantemente, como é o caso do comerciante José Paulino Sousa. Mensalmente, ele gasta cerca de R$ 70 com estacionamento, valor que quase duplicou dentro de cinco anos, tempo em que utiliza o serviço.

?É complicado vir para o centro de carro. Como trabalho no centro e a minha esposa fica em casa, já combinei com ela de vir me deixar e me pegar todos os dias. Saio de casa 7 horas e até chegar no meu trabalho é uma confusão?, explica o comerciante.

Centro será reorganizado para priorizar pedestres

A necessidade de dar mais fluidez ao trânsito e consequentemente gerar mais segurança aos pedestres foi o motivo pelo qual está sendo desenvolvido um projeto de reorganização do trânsito na região do centro.

De acordo com a superintendente de Transporte e Trânsito de Teresina (STRANS), Alzenir Porto, o projeto inclui a retirada de estacionamentos em áreas que tiram a visão, como cruzamentos em área de grande travessia, e priorização da segurança de pedestres. As vias que devem ser alteradas ainda não foram definidas, mas a previsão é que as mudanças sejam postas em prática dentro de 30 a 40 dias.

?Hoje nossa grande preocupação é o pedestre, pois ele é muito mais frágil. Aumenta o número de carros e os pedestres ficam muito mais vulneráveis. Estamos estudando quais vias devem ter pista livre. Pelo menos quatro corredores para dar maior fluidez ao trânsito?, informa.

No ano passado, a Rua Simplício Mendes chegou a ser fechada para dar mais tranquilidade aos pedestres durante o período do Natal, data de maior fluxo do comércio, e até hoje nunca foi reaberta. De acordo com Alzenir Porto, a manutenção da via fechada para o tráfego de veículos tem o objetivo de dar mais segurança aos pedestres.

?O centro tem que ser uma área agradável. Nessa via, as pessoas sentam nos bancos, descansam e retomam as atividades. O trânsito no centro de Teresina deve seguir como outros grandes centros. Ou é feito em áreas privadas ou no entorno do centro. Na área central não tem possibilidade de trânsito fácil. Se a gente deixa estacionamento e passagem, causa transtorno?, explica.

Pedestres são segunda maior vítima no trânsito

Um levantamento realizado trimestralmente em Teresina desde outubro de 2010 tem mostrado que o pedestre acaba sendo a segunda maior vítima de acidente de trânsito na capital.

O levantamento minuncioso aponta vários itens, desde horário dos acidentes a principais fatores de risco, como velocidade, álcool ou conduta inapropriada.

Conforme o levantamento do Projeto Vida no Trânsito, que é feito com base em dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Companhia Independente de Policiamento de Trânsito (CIPTRAN), Departamento da Polícia Rodoviária Federal (DPRF) e Delegacia de Acidentes, o pedestre tem sido apresentado como um grupo preocupante, sobretudo na faixa etária acima dos 60 anos.

De janeiro a março de 2011, 33% dos acidentes por conta da velocidade tiveram como vítima pedestres. Nesse período, o conflito entre carros e pedestres foi responsável pelo maior número de acidentes, mais de 80%. No último levantamento concluído que consta de abril a junho do ano passado os índices se repetem, sendo a velocidade o maior motivo dos acidentes e apenas uma parcela, menos de 4%, por culpa do pedestre.

Embora as região do centro sejam onde aconteça a menor quantidade de acidentes causando vítimas (graves ou fatais), o local não deixa de ser uma preocupação, uma vez que é uma região onde se concentra grande quantidade de pessoas. Embora a baixa velocidade na qual os veículos trafegam devido aos congestionamentos constantes, a região também acumula seus riscos devido, entre tantos fatores, à difícil visibilidade, em especial em cruzamentos por conta da grande quantidade de carros estacionados, bem como o acúmulo de pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos dividindo a mesma pista.

Fonte: Francisco Lima e Virgínia Santos