Transporte coletivo e infraestrutura são precários em bairro da Zona Sul

Transporte coletivo e infraestrutura são precários em bairro da Zona Sul

Praças sofrem com lixo e vandalismo no Bela Vista.

Um bairro tradicionalmente habitacional, que sofre alguns transtornos no tocante à qualidade de vida de sua população, já que problemas como criminalidade, infraestrutura deficiente e transporte urbano precário são constantes na vida daquelas pessoas.

Entre seus moradores, o transporte público é unanimidade: os cidadãos sofrem em paradas de ônibus mal-estruturadas e são obrigados a passar um longo tempo esperando o transporte coletivo.

Construído em 1976, o bairro possui apenas duas linhas de ônibus que fazem trajeto para o centro comercial, seja Barão de Gurguéia ou Miguel Rosa; e shopping.

O bairro também conta com a linha ?Rodoviária Circular?, mas o transporte só passa a cada duas horas e é interrompido às oito horas da noite. Os estudantes universitários do bairro se prejudicam e são obrigados a pegar dois ônibus na hora de voltar para casa.

?É horrível pegar ônibus aqui no bairro, a gente perde muito tempo esperando na parada de ônibus. Isso quando tem parada e não somos obrigados a ficar no sol quente enquanto o coletivo não vem. É humilhante?, fala a esteticista Cristina Lima. Ela não é a única.

Todas as pessoas ouvidas pela reportagem do jornal Meio Norte reclamaram sobre a ineficiência do transporte coletivo.

Alguns moradores relatam passar até uma hora na parada aguardando o ônibus. Segundo eles, a situação é mais fácil para quem mora no Conjunto Bela Vista I, pois podem se deslocar até a BR-343 - que faz a divisão com o Pairro Parque Piauí - para pegar ônibus vindos de outros bairros. Entretanto, quem mora nas regiões mais afastadas do bairro sofre com horários indigestos e pouca frota do transporte.

A segurança dos pontos de ônibus é outro item preocupante. Os moradores relatam que tentativas de assaltos são corriqueiras nas regiões mais afastadas do conjunto.

Os meliantes preferem os horários com pouca gente na rua, entre as 10 horas da manhã e quatro horas da tarde. Celulares, relógios e bolsas são os objetos mais furtados.

A dona de casa Maria de Fátima mora no Planalto Bela Vista - o residencial mais afastado do conjunto - e afirma ter medo de pegar ônibus. ?Tenho medo de pegar ônibus, pois já fui assaltada duas vezes e sempre levaram meu celular. Eles chegam armados e fazem terror psicológico.

Pior que não dá para correr para lugar nenhum, pois todas as casas ficam fechadas. Os governantes podiam fazer algo a respeito. Pagamos caro pela passagem, somos obrigados a passar uma vida na parada esperando pelo ônibus e de quebra ainda corremos risco de vida?, reclama.


Transporte coletivo e infraestrutura são precários em bairro da Zona Sul

Atendimento no posto é ruim e população reclama

O posto de saúde do Bela Vista necessita de atenção especial. Apesar de funcionar regularmente, a unidade de saúde do bairro falha em fornecer atendimentos básicos para a comunidade, como a colocação de curativos. O atendimento é centrado no Programa de Saúde da Família, onde médicos habilitados visitam as residências do conjunto e analisam as necessidades dos residentes.

?Mas quando precisamos de um atendimento rápido, eles não podem dar. Sofri um acidente de moto há cinco meses e sempre que preciso fazer um curativo, tenho que me deslocar para o hospital do Parque Piauí ou do Promorar?, conta o idoso Antônio Raimundo de Morais. Ele relata que no posto de saúde de lá não tem dentista ou pediatra.

Segundo Antônio, os médicos do Programa Saúde da Família não fazem visitas regulares às casas da comunidade.

?Para ser sincero, eles nunca foram à minha casa. Nenhuma vez. Mas não é de se estranhar. Em um lugar onde não se faz nem curativo, era de se esperar que não tivesse médico?, esbraveja o senhor.

Praças sofrem com lixo e vandalismo

Símbolo de tranquilidade e boa vizinhança, as praças do bairro passam por maus bocados. Embora sejam um ambiente seguro para a diversão de crianças e socialização dos vizinhos no período do dia, elas estão pouco a pouco sendo abandonadas pela população em detrimento do lixo depositado pelos vizinhos, vandalismo dos marginais e falta de manutenção do poder público.

Ao caminhar pelo bairro, é comum encontrar áreas de lazer tomadas pela vegetação, que aparentemente não está sendo contida. Algumas lâmpadas estão quebradas, o que facilita a ação dos vândalos em depredar o patrimônio público e praticar pequenos furtos. Segundo relatos dos populares, alguns vizinhos jogam lixo na praça quando perdem a coleta.

?Me desculpe a palavra, mas isso é uma esculhambação. Não podemos usar a praça no horário da noite porque as lâmpadas estão quebradas e ela fica cheia de marginais. Me diga se temos condições de sair de casa para sermos assaltado. É um absurdo. Dia desses quebraram a academia popular e os idosos ficaram impossibilitados de praticar atividade física. Por sorte vieram consertar, mas só depois de reclamarmos bastante?, revela a esteticista Roseli Barbosa.

Galeria a céu aberto coloca saúde da população em risco

Uma galeria a céu aberto localizada no Planalto Bela Vista ameaça a saúde de quem vive lá perto. Resultado da confluência entre uma vala e o sistema de esgoto das ruas ao redor, a situação é deplorável. A fedentina toma conta do lugar e os moradores não aguentam mais. Além disso, o terreno está se desmoronando aos poucos e a população que lá habita corre risco de vida.

É o caso da dona de casa Maria de Sousa, que mora próximo da galeria desde 1994. Segundo ela, o bueiro gigante existe desde que ela se mudou para o local, mas até agora nunca fizeram nada. A situação se complica porque pessoas do bairro tem o hábito de jogar lixo no local, piorando as condições sanitárias do ambiente.

?Aqui jogam bicho morto, resto de comida, lixo de construção e tudo mais o que você imaginar. Tem dia que o fedor está insuportável, não dá para aguentar. O que me revolta são os vizinhos jogando lixo por aqui. Até carroceiro vem jogar lixo aqui embaixo. Se nem a gente joga, por que os outros vêm jogar??, questiona Maria. De acordo com ela, ela tem medo de reclamar sobre o mau hábito dos outros moradores, pois já recebeu ameaças.

Segundo Maria, outros vizinhos que viviam nas beiradas da galeria foram realocados, mas ela continua lá. ?O terreno está se abrindo e as casas correm risco de desmoronamento. A prefeitura mudou algumas pessoas de lugar, e não me tiraram porque falaram que minha casa não corre risco. Eles me prometeram material de construção para reforçar a casa, mas até hoje nunca deram nada?, desabafa.

Fonte: Olegário Borges