Transtornada do Funk: Transexual do interior do Rio torna-se cantora e namora ex-jogador

Transtornada do Funk: Transexual do interior do Rio torna-se cantora e namora ex-jogador

A loira é de Volta Redonda, município do sul fluminense. Ela se tornou a primeira cantora transexual do ritmo carioca

O nome dela é Gilson Salume Moura, mas desde a adolescência, é chamada de Paloma. Depois de assumir o corpo de mulher e nova identidade, ter sido modelo e finalista de concurso para dançarina do grupo Gaiola das Popozudas, a transexual agora é Paloma Transtornada do Funk. Nascida em Volta Redonda, município do interior do Rio, a loira alta de formatos turbinados fala sobre sua infância e vida amorosa: ela se tornou a primeira cantora transexual do ritmo carioca e conquistou o coração do ex-jogador de futebol Carlos Henrique Kaiser.

O namoro e a carreira são novos, mas Paloma já foi modelo, atriz e dançarina. A primeira música gravada como funkeira foi Joga Bumbum. A segunda tem um nome inusitado ? Vem me aquendar ? que, como ela explica, ?significa vem me pegar?. O próximo passo será gravar com MC Marcinho.

? O MC Marcinho me convidou para uma parceria. A música ainda não está pronta, mas posso adiantar que será algo no estilo dos sucessos dele, no ritmo do funk melody.

Infância no interior do Rio


Transtornada do Funk: Transexual do interior do Rio torna-se cantora e namora ex-jogador

Paloma conta que nasceu mulher em corpo de homem. Quando pequena, gostava de brincar de boneca e de se vestir com roupas de menina. Fez tudo o que uma garota tem direito: passou batom da mãe, calçou sapatos altos e desfilou na frente do espelho. Aos 13 anos, a transexual começou a tomar hormônios femininos e decidiu que, um dia, faria uma cirurgia para mudar de sexo. Mas, segundo ela, a ideia não passava de uma pressão social.

? Eu cheguei a marcar a cirurgia, mas desisti porque tenho uma cabeça boa em relação à mudança de sexo. Sou autêntica, não preciso me "mutilar" para provar quem eu sou. Eu nunca serei mulher. Eu gosto de "estar" mulher e isso é o que importa para mim. Não vou operar para satisfazer as pessoas.

A ousadia em realizar o seu sonho foi maior do que o preconceito que teve que enfrentar na rua. Em casa, Paloma conta que nunca foi reprimida pelos pais. Ainda novinha, deixou os cabelos crescerem, ficou loira, depilou os pelos do corpo e passou a usar maquiagem. Para ficar ainda mais feminina, com o tempo, foi aprimorando a aparência. Hoje ela tem silicone nos seios e nos quadris, aplique nos cabelos, malha todos os dias e toma suplementos alimentares para definir as curvas do corpo.

? Eu sempre fui confundida com mulher. Eu ganhava boneca e objetos de menina de presente. Eu acho que eu nasci no corpo errado mesmo.

Namorado ?171? do futebol


Transtornada do Funk: Transexual do interior do Rio torna-se cantora e namora ex-jogador

O encontro com Kaiser aconteceu em uma competição de mulheres wellness (que malham para ficar com o corpo perfeito sem tomar anabolizantes) no Rio. Ele não tem vergonha de apresentar a namorada na academia que trabalha no centro da capital e se orgulha em dizer que vai investir nela para ser a primeira transexual wellness do Brasil.

Ao contrário da maioria dos garotos, Kaiser nunca sonhou em ser jogador, mas a mãe dele o obrigou a treinar desde pequeno. Ele conta que, quando tinha 13 anos, a mãe vendeu seu passe para um empresário francês e ele foi obrigado a assinar com clubes grandes, como Vasco, Botafogo, Fluminense e Palmeiras, pois não tinha dinheiro para pagar a rescisão dos contratos.

? Eu não queria jogar futebol, mas a minha mãe me obrigava. Eu queria estudar, me formar, fazer intercâmbio, menos jogar futebol.

Kaiser lutava contra o dom de ser jogador. Ele sabia jogar, mas evitava mostrar para os treinadores sua qualidade nos gramados. Para não entrar em campo, o ex-jogador inventava uma história e era dispensado dos jogos. Ele chegou a ser chamado de panelinha e chinelinho e até ser agredido por torcedores.

? Os torcedores me odeiam, mas sou considerado ídolo entre os jogadores. Como naquela época não tinha ressonância magnética, eu inventava uma dor muscular, uma contusão e os médicos me liberavam.

Aos 40 anos, Kaiser cansou de ser o ?171? do futebol, largou as chuteiras e se tornou personal trainer. Atualmente é treinador de wellness e promove campeonatos beneficentes.

Fonte: r7