UFPI: Laboratório pesquisará petróleo junto a Petrobras

O LAGO é resultado de uma parceria entre a UFPI e o Centro de Pesquisas da Petrobras e é considerado o primeiro desse tipo localizado no Nordeste

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) vai contar, a partir do próximo dia 14, com o Laboratório de Geoquímica Orgânica (LAGO). Em funcionamento, o LAGO deve realizar pesquisas voltadas à descoberta de novas fontes de óleo e gás.

O evento de inauguração será nesta quinta-feira, às 9 horas, no campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina. Representantes da Petrobras estarão presentes na inauguração.

A escolha do Piauí para instalação de um laboratório com a finalidade de realização de estudos em geoquímica orgânica se deu pela estrutura geológica do Estado, formada por terrenos sedimentares constituintes da Bacia Sedimentar do Meio Norte e, ainda, por conta dos recursos humanos existentes na UFPI. Com a instalação, esse será o primeiro laboratório de geoquímica orgânica da Região Nordeste.

Segundo o coordenador do LAGO, Prof. Dr. Sidney Gonçalves de Lima, o LAGO é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Piauí e o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES) da Petrobras. A Rede de Geoquímica da Petrobras reúne 27 centros de laboratórios voltados para a geoquímica da exploração do petróleo.

Os pesquisadores que atuam no projeto, entre eles os doutores Sidney Gonçalves de Lima, Antônia Maria das Graças Lopes Citó e José Arimatéia Dantas Lopes, reitor da UFPI e coordenador do projeto, destacam que a UFPI já firmou um contrato com a Petrobras no valor de R$ 3.195.090,00, referente à infraestrutura do laboratório. ?Firmaremos contratos trianuais a serem renovados para que possamos viabilizar as pesquisas no setor?, destaca o coordenador do LAGO.

Pesquisas serão feitas na bacia do Parnaíba

Pesquisadores do Mestrado de Química da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) realizaram pesquisas e descobertas na área de óleo e gás nas Bacias de Sergipe e Alagoas e Potiguar, no Rio Grande do Norte.

Essas pesquisas estratégicas para descoberta de poços de petróleo foram acompanhadas pela Petrobras. Agora, os pesquisadores piauienses irão voltar sua pesquisas em geoquímica orgânica para a Bacia do Rio Parnaíba para pesquisar a presença de reservas de petróleo e gás natural na região do Meio Norte, que abrange o Piauí e Maranhão.

Com mestrado em Química concluído na Universidade Federal do Piauí e com doutorado iniciado na Unicamp (Universidade de Campinas), Gustavo Rodrigues de Sousa Júnior, contribuiu com sua pesquisa para o melhor conhecimento das amostras de óleo que existem na Bacia Sergipe - Alagoas. Sua pesquisa deu pistas para a busca de novos locais na Bacia Sergipe - Alagoas com potenciais de produção de petróleo.

"Isso permite a descoberta de novas jazidas de petróleo. Quanto mais se conhece o material orgânico, mais se conhece a natureza das amostras de material orgânico, essas análises com todos os dados da Petrobras vão permitir a descoberta da novas jazidas.

Esses biodemarcadores são compostos de substâncias originárias de material orgânico de 100 milhões de anos", define Francisco de Assis Machado Reis, da Universidade Estadual de Campinas.

As pesquisas são feitas por estudantes na Iniciação Científica e no Mestrado da Química. Do Mestrado de Química saíram Gustavo Rodrigues de Sousa Júnior, que pesquisou a Bacia Sedimentar Sergipe - Alagoas, que produziu o primeiro estudo dos carotenoides aromáticos;

Maria Glória Rodrigues de Sousa, que fez pesquisas na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte; Antônio Francisco de Alves de Lima, que pesquisou a Bacia Sergipe - Alagoas; e Georgiana Feitosa da Cruz.

Essas pesquisas formam um mosaico de informações que apontam características próprias da existência de óleo nas Bacias Sergipe - Alagoas, Potiguar.

Essas informações permitem que a Petrobras tenha um mapa apontando a possibilidade de perfuração de poços de petróleo de Aracaju (SE) a Maceió (AL) e também onde a qualidade desse óleo não é boa. São informações estratégicas e sigilosas que a Petrobras luta para que não caia nas mãos de empresas concorrentes.

Fonte: Aline Damasceno e Efrém Ribeiro