Vinil resiste ao tempo em Teresina

No centro da cidade ainda é possível encontrar poucos lugares que vendem discos de Vinil

Quem não se lembra dos discos de vinil também chamados de Long Play (abreviatura LP ou elepê), ou coloquialmente de bolachão. O vinil surgiu no início da década de 50 do século XX e foi a principal mídia reprodutora de áudio das décadas de 50 a 80. Com o surgimento do CD na década de 90 ele entra em defasagem, mas não sai de cena.

No centro de Teresina ainda é possível encontrar poucos lugares que vendem discos de Vinil. ?Compramos discos para revender quando eles aparecem. De vez em quando vem alguém aqui para nos oferecer?, conta Raimundo Nonato que trabalha numa loja de Cds no centro. O número de discos antigos não passa de quarenta unidades e abrange vários gêneros musicais ? desde trilha sonora de novelas, programas infantis como a trilha sonora do Jaspion, Xuxa, Fofão e até bandas internacionais como AHA.

Apesar de vender discos a loja não oferece garantia de qualidade do som. ?Não temos o aparelho para tocar e saber se o LP ainda tem bom som. A qualidade do disco é vista pela aparência e estado de conservação?, diz. O público é variado, conta o vendedor - ?é abrangente, porque esse tipo de produto atrai quem gosta e não necessariamente um público velho. Um dia desses um jovem veio aqui e comprou um disco de LP?, comenta Raimundo Nonato.

O disco de vinil é feito de plástico, normalmente o PVC (policloreto de vinila). No vinil a gravação do áudio é analógica e mecânica. O disco possui micro-sulcos ou ranhuras em forma espiralada que conduzem a agulha do toca-discos da borda externa até o centro no sentido horário. Os sulcos são microscópicos e fazem a agulha vibrar. A vibração é transformada em sinal elétrico que em seguida é amplificado e transformado em som audível (música).

Para ouvir a música de um disco de vinil é preciso ter um aparelho especial, o toca-discos. Para quem não dispõe de aparelho e quer muito ouvir aquela música no vinil pode recorrer a uma loja especializada que passa as músicas do vinil para o CD no centro da cidade. ?Muitas pessoas vêm aqui para passar as músicas do vinil para o CD porque não tem mais como ouvi-las por falta de aparelho ou porque não encontram as músicas para vender hoje no formato de CD?, explica Edvaldo Soares Santana, proprietário da loja. No Brasil, a indústria de eletroeletrônicos não produz mais toca-discos e agulhas. Por causa da defasagem tecnológica encontrar peças e quem conserte a radiola é difícil na cidade.

Na loja de Edvaldo Santana é possível conferir uma centena de vinil das décadas de 60,70 e 80. Sucessos nacionais, como Roberto Carlos, Gonzagão e internacionais, trilhas sonoras de novelas da época, dances, pops e músicas clássicas.

Todos os discos da loja são usados e chegam pelas mãos de pessoas que querem passar as músicas para o CD. ?A maioria das pessoas não se interessam em levar os discos e deixam aqui depois de passar as músicas para o CD. Outros fazem trocas e até mesmo compram, mas os colecionadores são poucos?, comenta Edvaldo Santana que começou o negócio desde que surgiram os primeiros Cds na década de 90 do século passado.

Discos precisam de cuidados especiais

O vinil é muito delicado e qualquer arranhão pode tornar-se uma falha e comprometer a qualidade sonora. Os discos precisam constantemente ser limpos e estar sempre livres de poeira, ser guardados sempre na posição vertical e dentro de sua capa e envelope de proteção. ?O vinil dura décadas, mas se bem conservado enquanto o CD mesmo você tendo cuidado não dura muito tempo?, diz Santana.

O estado de conservação do vinil influi ainda no processo de transferência das músicas para o CD. ?Se o vinil estiver estragado não tem como passar. Agora se o som estiver com ruídos existe um programa de computador que reduz e até elimina os ruídos da gravação?, afirma.O processo de transferência é simples. Coloca-se o vinil para tocar numa radiola ligada a computador com programa especial que captura o som e em seguida grava no CD. O preço cobrado por Santana para esse tipo de serviço depende do trabalho a ser feito. ?A gente negocia com o cliente. Mesmo porque quando as pessoas vêm aqui não trazem só um disco para passar?, fala.

O público da loja é formado também por curiosos. ?Crianças, principalmente, que já nasceram no tempo do CD e não conhecem o vinil. Quando entram na loja se admiram com o tamanho dos discos?, diz Santana.

Outros serviços

Fora o serviço de transferência das músicas de vinil para o CD, Edvaldo Santana também restaura gravações de fitas de vídeo VHS e passa para DVDs. ?O trabalho com o VHS é um pouco mais complicado por causa do estado de conservação. Muitas pessoas não guardam bem a fita em casa e ela pega mofo ou sofre com a umidade o que acaba estragando a fita e impedindo o trabalho de restauração?, explica. O valor do serviço é R$15,00.

Fonte: Rodolfo Ribeiro