Memória

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Morre Salvador Dalí, o polêmico pilar do surrealismo na pintura

O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica.

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Na manhã de 23 de janeiro de 1989, hoje decorridos 31 anos, morreu o grande pintor espanhol Salvador Dali. Ele foi um dos principais pilares do Surrealismo, um realismo minucioso, quase fotográfico, onde o épico, o místico e o erótico se confundiam. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Entre várias obras de grande sucesso e admiração, está a Gala olhando o Mar Mediterrâneo, A Face da Guerra, entre outros.

"Sou o surrealismo", dizia Salvador Dalí. Egocêntrico, excêntrico, rebelde e provocador, o artista foi um dos expoentes mundiais da arte contemporânea. Ele foi um artista que acima de qualquer coisa, tentou – e conseguiu com grande êxito – nunca passar despercebido. Dalí tinha 84 anos e já fazia parte da história universal quando faleceu no hospital de sua cidade natal, Figueres, na Espanha.

Uma das obras mais emblemáticas do artista catalão é A persistência da memória, pintada em 1931, quando Dalí tinha 27 anos. Popularmente conhecido como Os relógios moles, o quadro em que esses objetos parecem derreter-se foi cedido é do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

"Por que os relógios são moles?", perguntaram certa vez a Dalí, em referência à obra, considerada um ícone do surrealismo. "O importante não é que sejam duros ou moles, e sim que marquem a hora exata", respondeu.

Para a história, ficou a vida de um homem que alguns consideram um gênio, e outros, um artista extravagante. No entanto, seu legado e sua lembrança se mantêm graças a entidades como a Fundação Gala-Salvador Dalí e sua Casa-Museu, em Port Ligat, o Teatro-Museu de Figueres, onde está enterrado, e a Casa-Museu Castelo Gala-Dalí, em Púbol, onde o artista se recolheu depois da morte de sua musa e companheira, em 1982.

Muitos títulos presentes nas livrarias lembram o autor. Entre eles ¿Por qué se ataca a la Gioconda? (Por que ataca-se a Monalisa?), uma compilação de textos que Dalí escreveu entre 1927 e 1978 e que publicou na revista francesa Oui. A mesma editora, Siruela, pôs também no mercado outras duas outras obras em sua homenagem: El camino de Dalí (O caminho de Dalí), de Ignacio Gomez de Liaño, e El fenômeno del éxtasis (O fenômeno do êxtase), de Juan José Lahuerta.

Nascido em 11 de maio de 1904 em Figueres, Dalí nunca foi uma criança comum. "Quando tinha 6 anos, eu queria ser cozinheiro e aos 7 anos, Napoleão. Desde então, minha ambição foi aumentando sem parar", escreveu no prólogo de Vida secreta. A morte de um irmão que nunca conheceu e que tinha o seu nome fez com que os pais o educassem como um menino mimado, consentindo todos os seus caprichos e o superprotegendo.

Descobriu a pintura quase por casualidade, na casa de amigos da família. Sem técnica alguma, começou a pintar quadros com óleo e aquarela, surpreendendo os que viam seu trabalho.

Seu caráter rebelde fez com que fosse expulso de todos os centros de ensino nos quais se matriculou, entre eles a Academia Real de Belas Artes de São Fernando, em Madri. O ingresso na instituição havia sido uma condição imposta pelo pai para que Dalí pudesse ser pintor.

García Lorca e Buñuel

A estada na capital espanhola marcou sua vida. Foi onde experimentou o cubismo e o dadaísmo e conheceu o poeta Federico García Lorca e o diretor de cinema Luis Buñuel, dos quais se tornou amigo íntimo na residência de estudantes. Com Buñuel, realizou os filmes surrealistas Un chien andalou (Um cão andaluz) e L'Âge d'or (A idade de ouro).

Dalí não se dedicou somente à pintura. Sua obra abrange também o cinema, a escultura, o desenho e a escrita. Sua primeira exposição individual de pintura aconteceu em 1925, em Barcelona. Com ela, Dalí conseguiu chamar a atenção de dois grandes artistas, Pablo Picasso e Joan Miró. Um ano depois, encontrou Picasso em Paris. "A arte somos Picasso e eu", chegou a afirmar.

A imagem estrambótica de Dalí com bigode comprido e costeletas, vestido com casaco, meias e bombacha, é mundialmente conhecida. "Sabia vender melhor a si mesmo do que a sua obra. Foi um ícone da cultura de massa", segundo Javier Pérez Andújar, um de seus biógrafos. "Era um grande pintor, mas não um gênio" e acabou convertendo-se num "showman obcecado", opina o hispanista irlandês Ian Gibson.

Depois de sua passagem por Paris, onde se integrou no círculo surrealista e se casou com Gala, a musa e companheira com a qual esteve até a morte – apesar da infidelidade e das manias de ambos – Dalí foi aos Estados Unidos, forçado a deixar a França, em 1940, com o avanço das tropas alemãs. Regressou à Espanha oito anos depois.



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