Diante da suspeita no estado vizinho Ceará, o Piauí está em alerta com a emancipação do novo coronavírus, que já matou 170 pessoas na China e infectou mais de 8 mil pessoas em todo o mundo. O Ceará é o primeiro estado do Nordeste a levantar um caso suspeito, até agora a informação não foi confirmada. 

Joselma Oliveira Rodrigues, diretora de Unidade de Descentralização e Organização Hospitalar da Secretaria de Saúde do Estado (SESAPI), relata que os hospitais já começaram a se preparar para atender possíveis pacientes com suspeita.

"O estado tem intensificado as ações de prevenção e precaução frente ao que está acontecendo. Nos reunimos recententemente e estamos em contato com todos os diretores clínicos  das nossas unidades hospitalares, tanto os hospitais de pequeno porte quanto os hospitais regionais e estaduais e também com profissionais da atenção primária à saúde”, relata.

O foco inicial é direcionado principalmente às medidas de proteção, tendo em vista que ainda não existe um protocolo estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Ministério da Saúde. Diante disso, a Secretaria de Saúde tem seguido o mesmo protocolo estabelecido frente as outras epidemias já enfrentadas.

Crédito: José Alves FilhoCrédito: José Alves Filho

“Estamos intensificando principalmente o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI), como álcool, máscaras protetoras, luvas, aventais, e tudo isso tem sido buscado para adquirir em medida emergencial e uma quantidade maior para abastecer as unidades hospitalares do Piauí”, declara.

Na quarta-feira (29), foi realizado um levantamento para adquirir mais de 30 mil  máscaras N95, aventais e caixas de luva. “O Hospital Getúlio Vargas (HGV) tem passado por algumas dificuldades, mas na medida do possível vem sanando. A gente tem trabalhado com a Fundação Hospitalar, que tem gerenciado no momento as dificuldades e faltas de alguns equipamentos”, ressalta.

De acordo com Joselma Oliveira, ainda esta semana haverá uma compra emergencial para abastecer os hospitais do estado. “Estamos prevendo macacões descartáveis de manga longa com proteção até o pescoço e abaixo do joelho e botas que os profissionais do SAMU já utilizam”, fala. 

A referência regional para diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas é o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela (IDTNP), que conta com atendimento de terapia intensiva com sete leitos de UTI. Joselma informa a situação dos leitos dos demais hospitais do Piauí. 

Crédito: José Alves FilhoCrédito: José Alves Filho

“Todos os hospitais de gestão estadual possuem leitos de isolamento caso seja necessário isolar as possíveis suspeitas, assim como equipes de plantão. A transferência só deve ocorrer em medidas graves”, informou.

Até agora, a orientação é que os pacientes sejam examinados e estudados com base no histórico de viagens e contatos.

Higienização das mãos previne contágio

Na manhã da quinta-feira (30), na Sala de Telemedicina, o Hospital Getúlio Vargas (HGV) realizou uma teleconferência sobre Síndromes Respiratórias Associadas ao Coronavírus. O palestrante convidado foi Unaí Tupinambás, infectologista e professor associado do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Minas Gerais (UFMG).

A ação, que ocorre nos maiores hospitais públicos, teve o objetivo de sensibilizar profissionais da saúde e formar agentes multiplicadores para enfrentamento do novo vírus.  “Por ser um vírus novo, a própria OMS ainda está estudando. Até agora, o que temos de dispositivos internos são: um movimento da Organização que disponibiliza em tempo real tudo que está acontecendo e pesquisas  para entender a forma de transmissão”, declara Rosângela Rodrigues, infectologista do HGV.

Atualmente, o Hospital vive um momento de deficiência de insumos e de acordo com Rosângela é necessário uma compra emergencial de itens e equipamentos

“Para a população em geral, a gente precisa deixar bem claro a importância da prática cotidiana de higienizar as mãos, pois assim vamos prevenir muita coisa. Podemos ter o contato com pacientes que tenham a doença e levar a mão à boca, nariz ou olhos. Higienizando, é possível quebrar a cadeia de contágio”,  destaca.

O HGV  trabalha com a definição da OMS, em que um caso é considerado suspeito se a pessoa esteve em uma região de risco da China. No entanto, com ampla migração de pessoas, que não tiveram um controle restrito na fase inicial de contaminação do vírus, e o fato de manifestação de sintomas 14 dias depois do contágio, o alerta é emergencial.

Casos no Brasil.

O Brasil já tem nove casos suspeitos de coronavírus em seis estados, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, em Brasília. Os dados são referentes ao período de 18 a 29 de janeiro. Ao todo, foram 33 notificações, quatro descartados e 20 foram excluídos por não apresentar requisitos enquadrados nas suspeitas. 

Os casos suspeitos foram registrados em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Paraná e no Ceará. Todos os pacientes estão passando por testes genômicos para uma possível confirmação do vírus 2019-nCoV. Por enquanto, os exames serão centralizados na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.