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Reportagem do UOL destaca blindagem do Piauí ao Covid-19

Barreiras, testes e busca ativa: como o Piauí se blindou da covid-19 no Nordeste

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Diante da grave crise de saúde pública instaurada com a chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil, o Governo do Piauí e a Prefeitura de Teresina vem adotando medidas excepcionais para salvaguardar a saúde, segurança e bem-estar da população do estado. Desde a assinatura dos decretos de emergência, em 15 de março, o governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho, balizados por critérios técnicos e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), optaram por adotar uma série de medidas que auxiliam na contenção do aumento exponencial no número de casos da doença em território piauiense. 

Isolamento social, barreia sanitária, testes em massa, busca ativa, suspensão do período letivo da rede pública de ensino, paralisação das atividades comerciais não essenciais e fiscalização de fronteiras são algumas das ações iniciais para barrar a progressão da pandemia. Todas essas medidas garantiram que o Piauí tivesse o menor índice de casos do Nordeste.

O site nacional UOL publicou uma reportagem especial neste sábado (06/06), destacando o exemplo e as práticas de boa gestão do Piauí no combate ao novo coronavírus. "As ações de combate ao coronavírus no Piauí são destaque nacional. Agradeço a todos por abraçarem a nossa luta contra este inimigo invisível e perigoso. Seguiremos juntos, trabalhando pela prevenção e o tratamento daqueles que necessitarem", publicou o governador Wellington Dias em sua rede social. 

No trabalho de contenção da Covid-19, a Prefeitura de Teresina tem tido um papel preponderante já que é a cidade que recebe o maior número dos pacientes, por isso o prefeito Firmino Filho, tem sido extremamente rígido e estratégico nas medidas adotadas. Segundo o gestor municipal, ainda não é o momento do retorno das atividades, mas quando a estrutura de saúde estiver 100% adaptada a esse atendimento a população e a curva de contágio se tornar descendente, a cidade estará pronta para voltar sem muitos impactos de perdas de vidas.

Leia a reportagem completa:

Imprensada entre dois dos estados líderes em casos e mortes de covid-19 no Nordeste (Maranhão e Ceará), o Piauí chama a atenção por ter conseguido, até o momento, conter o avanço do novo coronavírus e manter uma das mais baixas taxas de ocupação de leitos do país para pacientes com a doença. O governo implantou barreiras sanitárias nas divisas do estado. Já o controle dos casos locais ocorreu por meio de uma busca ativa de suspeitos nas cidades, o que permitiu a realização de testes rápidos para o diagnóstico de covid-19.

No boletim de 1º de junho, o comitê científico do Consórcio Nordeste afirmou que o Piauí "continua sendo o Estado que apresenta os melhores indicadores da pandemia na Região Nordeste até este momento". Entretanto, o órgão alerta que há uma tendência de crescimento em quatro cidades: Teresina, Picos, Parnaíba e Campo Maior. 

Mesmo assim, a situação do estado é confortável em comparação aos estados vizinhos, que já tiveram de enfrentar falta de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) em algum momento da pandemia. Com o controle da doença, 140 leitos (43% do total) de UTI e 665 (65% do total) de enfermaria estavam vagos, na última sexta-feira.

"Como o Estado já implementou o seu Programa de Brigadas Emergenciais de Saúde (o Busca Ativa), acoplado aos dados fornecidos pelo aplicativo 'Monitora Covid-19', o Comitê recomenda que esta ação seja ampliada ao máximo por todo o Estado do Piauí para ajudar na reversão da tendência de crescimento notada nas últimas duas semanas", afirma o boletim do comitê. 

Ações para controle 

O painel covid-19 do estado apontava, na sexta-feira, que 59 municípios piauienses (26% do total) sequer registram casos. Ao todo, 165 municípios registraram 6.717 casos, com 217 óbitos. Para o secretário de Saúde do Piauí, Florentino Neto, a fiscalização sanitária nas entradas do estado foi crucial para controlar o ritmo do avanço do novo coronavírus.

"O isolamento social foi conjugado com uma grande preocupação de controlar todas as entradas no estado. Os limites com os demais estados foram controlados por meio de barreiras sanitárias com a articulação das equipes de saúde do governo, dos municípios e a das polícias rodoviárias Estadual e Federal", explica. 

De acordo com Neto, pessoas com sintomas que chegam ao estado são isoladas. "Os municípios destinaram áreas de isolamento, permitindo assim o acompanhamento dessas pessoas, respeitando todos os direitos civis, liberdades individuais e todas as condições sanitárias", afirma. 

Para os moradores que já estavam nas cidades, os municípios montaram um programa de busca ativa, por meio de redes de atenção básica. Também houve o acompanhamento de pacientes e o envio dos sintomáticos que necessitam da rede hospitalar para alguma unidade de saúde. 

"Outra vertente que destaco foi a qualificação do pessoal. Nós não temos equipes de especialistas para todos esses leitos que nós conseguimos ampliar. Tivemos que fazer um trabalho de cooperação entre a equipe de capacitação permanente, com o apoio estamos tendo das universidades", relata o secretário estadual de Saúde. 

Inquérito mapeou vírus em Teresina 

A prefeitura de Teresina desenvolveu um inquérito sorológico permanente que conseguiu dar a dimensão de onde estavam os focos da doença. Já foram feitas pesquisas em sete finais de semana, quando são testadas 900 pessoas. Segundo a última estimativa, 8,3% da população teresinense já foi infectada.

"A ideia fundamental desse estudo é entender o padrão de disseminação do vírus na cidade e fazer uma avaliação da questão da subnotificação. Além disso, a pesquisa serve para saber se essa velocidade está aumentando ou está diminuindo. Mais recentemente, por exemplo, ela diminuiu", pontua Washington Bonfim, membro do comitê gestor de medidas para enfrentamento da pandemia da prefeitura de Teresina.

A estimativa feita com base no inquérito aponta para a subnotificação na capital: são 41 infectados para cada caso oficial confirmado. Com esses resultados, diz Bonfim, Teresina conseguiu ter uma noção do padrão de disseminação do coronavírus, além de buscar maneiras de minimizar a subnotificação.

Ele ainda destaca o trabalho de comunicação do poder público com a população, para alertar sobre a necessidade de isolamento social. Duas campanhas ficaram famosas nacionalmente por conta da força da mensagem: uma sobre quem você escolheria para ser salvo em uma UTI e outra em que um caixão divide espaço com um sofá. 

"A prefeitura teve de se comunicar de maneira muito clara com a sociedade sobre os riscos e o impacto da doença em relação à nossa cidade. Acho que isso contribuiu para uma adesão bastante forte nos primeiros momentos, em relação aos índices de isolamento social", opinou Bonfim.


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