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Sentineleses: os segredos da tribo mais isolada do mundo

Algumas tribos vivem na selva densa da Nova Guiné, no sudeste da Ásia, e no arquipélago das Ilhas Andaman, entre a Índia e a Península Malaia.

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De acordo com dados do grupo de defesa Survival International, estima-se que existem cerca de 100 tribos vivendo de forma totalmente isolada, algumas que nunca tiveram contato com o mundo exterior simplesmente por evitarem ou rejeitarem, até de maneira violenta, qualquer tipo aproximação.

Pesquisas apontam que existem aproximadamente 40 assentamentos de povos vivendo longe do mundo na região da Papua Ocidental, na Indonésia. Acredita-se que esse número possa ser bem mais alto, uma vez que o governo indonésio proibiu que organizações de direitos humanos e jornalistas se aproximem do local. Algumas tribos vivem na selva densa da Nova Guiné, no sudeste da Ásia, e no arquipélago das Ilhas Andaman, entre a Índia e a Península Malaia.

Entretanto, é no Brasil onde está instalado a maior parte desses povos isolados, com cerca de 77 tribos, segundo um levantamento da Funai, muito embora outros órgãos acreditem que haja pelo menos mais 14 tribos espalhadas pelos estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre, mergulhados nas profundezas da Amazônia.

O “declarador da fé”

Fonte: Survivor International/Reprodução

Desde muito antes de Raphael Lemkin cunhar a palavra “genocídio” para se referir ao assassinato de judeus durante a Alemanha nazista de Hitler, os povos indígenas e grupos étnicos já vinham enfrentando todos os tipos de genocídios: o cultural (também conhecido como etnocídio), o de identidade e o religioso.

A partir do momento que o europeu chegou nas costas da América, ele travou mais de 1,5 mil guerras para colonizar, dominar, modificar e catequizar os povos indígenas, que totalizavam cerca de 15 milhões vivendo só na América do Norte quando Cristóvão Colombo chegou em 1492. Esse número caiu para menos de 238 mil indígenas no final das Guerra Indígenas no século XIX.

Fonte: Atlas Obscura/ Reprodução

As tribos escravizadas e estupradas que sobreviveram à varíola, sarampo, gripe, difteria, tifo, peste bubônica, cólera e escarlatina (doenças importadas da Europa) sofreram um massacrante processo de catequização cristã. Como prova desse insistente pensamento de querer “trazer para a sociedade” e doutrinar pela fé esses povos, em novembro de 2018, o norte-americano missionário John Allen Chau, de 26 anos, foi levado por pescadores até a Ilha Sentinela do Norte, na Baía de Bengala, na Índia, para uma visita ilegal.

Ele esperava “declarar Jesus” para a tribo indígena sentinelesa que habita a região e é a mais isolada do mundo, além de ser considerada muito violenta pelas autoridades locais.

Mais tarde, pescadores reportaram ao governo indiano que viram homens carregando o cadáver de Chau e o enterrando-o na areia da praia.

Séculos de isolamento

Fonte: Times of India/Reprodução

No diário recuperado do jovem Chau, entre declarações falando “Deus eu não quero morrer”, ele escreveu para que não tentassem reaver o seu corpo. A polícia tentou fazer isso, porém um grupo de sentinelas fizeram fila ao longo da praia apontando seus arcos em direção das embarcações.

Foi o caso de Chau que popularizou a existência dos povos sentineleses e despertou mais curiosidade a respeito de sua história. Até então, só os funcionários do governo de Andaman e Nicobar sabiam da tribo, e estudiosos de Antropologia. Além disso, existem leis que proíbem visitantes na região, não só pelo risco de vida como também para proteger o modo de vida dos sentinelas e evitar expô-los a doenças simples que podem ser fatais.

No final do século XX, o governo indiano tentou fazer contato com a tribo, mas foi recebido por uma saraivada de flechas de todas as direções. Em 1970, o diretor de um documentário do National Geographic sobre os povos de Andaman foi ferido na perna por uma lança atirada durante as filmagens.

Em janeiro de 1991, a antropóloga indiana Madhumala Chattopadhyay foi a primeira pessoa do mundo exterior que conseguiu estabelecer um contato civilizado e prolongado com membros da tribo sentinelesa. Ela e a equipe da expedição colocaram cocos sobre a água quando se aproximaram da ilha, como indicativo de que estavam ali em paz. Durante 3 horas, vários homens da tribo foram até a praia para pegar os cocos.

Madhumala havia aprendido algumas palavras do dialeto local, o que ajudou a preservar o contato pacífico com os sentineleses. Eles tocaram o barco da expedição, como sinal de amizade, o que permitiu à equipe descer na areia da praia. No entanto, a tribo não permitiu que ninguém avançasse até o misterioso assentamento de terra em meio à mata.

Qualquer viagem até o arquipélago foi proibido pelo governo indiano depois que, 1 mês após o primeiro contato, um membro da equipe de Madhumala tentou pegar um enfeite de folhas usado por um sentinelese, que ficou bravo, sacou uma faca e ordenou que os pesquisadores fossem embora.

Atrás de respostas

Isolados no oceano Índico, a mais de mil quilômetros de qualquer civilização moderna da Índia continental, muito pouco se sabe sobre a história dos sentineleses (o que explica o fascínio), tanto que o governo da Índia só deu atenção a eles diretamente em 2004, quando precisavam saber se tinham sobrevivido ao tsunami e sismo que matou 227 mil pessoas.

Os sentinelas ou sentineleses são um dos povos mais primitivos e ameaçados da Terra, com sua origem marcada pela migração da África há 60 mil anos e pelo seu estilo de vida de caçadores-coletores, uma das poucas tribos assim no mundo. Fora isso, apenas eles mesmos têm dados sobre hábitos, cultura material, idioma e população.

Em 2016, uma pesquisa feita pelo Anthropological Survey of India apontou que se estima existir de 50 a 150 pessoas vivendo na ilha, totalmente vulneráveis a qualquer tipo de vírus que poderia dizimá-los em questão de dias. O comportamento visto como hostil na verdade vem da simples busca pela autonomia e recusa por introdução de culturas externas, pois os antropólogos dizem que eles tem a plena consciência de que isso pode dilui-los e acabar os matando.

Por isso existem leis que proíbem expressamente qualquer tipo de visitante à ilha para promover o “turismo tribal”, não só pelo risco de vida oferecido como também para proteger o modo de vida dos sentinelas e evitar os expôr a doenças simples que podem ser fatais.

Além de não possuir uma rota direta para a ilha Sentinela do Norte, os mais de 500 mil turistas que visitam o arquipélago de Andaman e Nicobar anualmente para conhecer as tribos vizinhas são escoltados pela Guarda Costeira e o Departamento Florestal da Índia para inibir qualquer tipo de tentativa.

Para o antropólogo TN Pandit, o primeiro a conseguir se aproximar dos sentineleses em uma expedição em 1967, a reputação de agressivos e temíveis não é justa. “Essa é a maneira incorreta de ver as coisas. Nós somos os agressores aqui”, disse ele ao Indian Express. “Somos nós que tentamos entrar em seu território”, afirmou o especialista.

Pandit ainda reforçou que os sentineleses são um povo amante da paz e que não procuram atacar as pessoas. As tribos próximas, como os Jarawas, confirmam isso. Ele ainda declarou que o caso de Chau foi um incidente raro e que o jovem tomou uma decisão errada e infeliz.

O antropólogo deixa claro que o problema está em nós, que insistimos tanto em querer trazê-los para o “nosso mundo”, quando deveríamos deixá-los em paz.


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