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Obras de Tarsila levam recorde de público ao Masp, mais de 402 mil

Público supera recorde anterior, com exposição de Monet em 1997

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Em três meses, do início de abril até o último domingo (28), a exposição Tarsila Popular, com 92 obras da pintora modernista brasileira teve público de 402,8 mil visitantes. O número é recorde para o Museu de Arte de São Paulo (Masp), localizado na Avenida Paulista, região central da capital. Antes, a mostra com maior número de visitantes na instituição havia sido a do pintor impressionista francês Claude Mone,t realizada entre maio e agosto de 1997, que atraiu 401,2 mil espectadores.

Metade do público aproveitou as terças-feiras, quando a entrada no museu é gratuita. No dia 16 deste mês, com as férias escolares, o Masp chegou a receber 8,4 mil pessoas. Longas filas se formaram em todo o vão-livre, antes mesmo de o museu abrir as portas. No dia 23, o número de visitantes foi ainda maior – 8,8 mil.

Novos olhares

A exposição de Tarsila faz parte de uma série de mostras ao longo deste ano com o tema Histórias das mulheres, histórias feministas. O eixo também está pautando os cursos, palestras e oficinas oferecidos no decorrer do ano.

Para Fernando Oliva, um dos curadores da exposição, o recorde de visitação mostra que há interesse em olhar o trabalho de artistas consagrados sob novos pontos de vista. “O interesse em abordagens novas e inéditas, caso desta mostra, que trouxe para o centro do debate não só o popular, mas as questões sociais, raciais e de classe na obra de Tarsila, aspectos que costumam ser negligenciados”, enfatizou o curador.

Trajetória

A exposição reuniu trabalhos desde o início da carreira da pintora, na década de 1920, até obras da segunda metade do século 20. Marco do conceito antropofágico do modernismo brasileiro, o quadro Abaporu também faz parte da mostra. O nome indígena da pintura, finalizada em 1928, significa “homem que come carne humana”. A obra inspirou o Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, que trouxe a proposta de absorver a cultura europeia a partir de um ponto de vista nacional, transformando-a em uma estética tipicamente brasileira.

Tarsila estudou técnicas acadêmicas tradicionais na Europa. Ao voltar ao Brasil, em 1922, aderiu às ideias vanguardistas que, como ela, chegavam ao país. Nesse momento, conheceu fundadores do modernismo brasileiro, além de Oswald, com quem se casaria em 1926, e se aproximou do escritor Mário de Andrade, da pintora Anita Malfatti e do poeta e pintor Menotti del Picchia. Eles formaram o chamado Grupo dos Cinco, que tomou a frente da defesa das ideias vanguardistas no Brasil.

A partir do conceito de antropofagia, Tarsila produziu obras como Urutu (1928) e Antropofagia (1929). Ambas, com temas fortemente ligados a uma ideia de brasilidade e sob influência estética das vanguardas europeias, podem ser vistas na mostra.

Na década de 1930, a artista começou uma produção com temas mais sociais, com obras como Segunda Classe, que mostra uma família descalça em uma estação de trem, e Operários, em que uma multidão de rostos se amontoa ao lado de chaminés de fábrica. Essas pinturas se relacionam com o momento da vida da artista, com a falência da família com a crise de 1929, seguida por uma viagem à União Soviética. (Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil)



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