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Alexandre Tolstenko desenvolve órgãos em 3D para salvar vidas

Ciência é capaz de gerar riquezas para salvar a economia brasileira

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Alexandre Tolstenko Nogueira (Crédito: Léo Villari)

Alexandre Tolstenko Nogueira, nascido no dia 25 de fevereiro de 1986 é teresinense, apesar do sobrenome difícil. Sem dúvidas, o rapaz é um orgulho para o Estado. Engenheiro de Computação pela Unicamp de Campinas, é especialista em Produção de Jogos (Senac SP), Datamining (Deeplearning.ai), mestre em Mineração de Dados (Ufpi) e doutorando em Inteligência Artificial (IPC Coimbra).

O currículo extenso do rapaz combina com a competência. Associando tecnologia, jogos eletrônicos e saúde, o rapaz desenvolveu órgãos em 3D para facilitar o trabalho de médicos piauienses. Um grande feito que hoje salva muitas vidas. Este projeto de Alexandre, aqui em Teresina, pode ser expandido para qualquer lugar do mundo.

A vontade de contribuir para a ciência de forma prática surgiu com uma experiência pessoal, que aguçou a criatividade fervente na cabeça de Alexandre. Com a ideia de que a ciência é a impulsionadora do mundo, o engenheiro de computação acredita que é preciso ter persistência para alcançar os próprios objetivos. Alexandre defende que Teresina possui bons talentos, mas é preciso incentivos práticos para a ciência no Estado.

Além disso, também defende que a ciência é capaz de gerar riquezas para salvar a economia brasileira. Em entrevista ao Jornal Meio Norte, Alexandre Tolstenko ensina a importância da ciência e tecnologia para o desenvolvimento da nação brasileira. É preciso atrair empreendimentos estrangeiros para o país.

Meio Norte - Qual sua formação?

Alexandre Tolstenko -  Ensino médio no Instituto Dom Barreto e curso de Engenharia da Computação na Unicamp de Campinas. Além disso, especialização em Produção de Jogos pelo Senac de São Paulo, em Datamining pela Deeplearning e mestrado em Mineração de Dados pela UFPI. Agora estou fazendo doutorado em Inteligência Artificial, em Coimbra, Portugal.

MN -Por que trabalhar com tecnologia?

AT - Fiquei atraído pela área quando tive uma doença grave durante a infância. A única coisa que me fazia ficar parado para uma boa recuperação eram jogos eletrônicos. Daí só aguçou minha curiosidade sobre a área, além de nutrir um espírito criativo e questionador em mim.

MN - Quando você decidiu trabalhar com órgãos em 3D?

AT - Um ex professor meu, agora médico e parceiro nesta empreitada, Aurus Dourado, um dia questionou sobre associar saúde com tecnologias de jogos, coisa que eu estava trabalhando na época. Aceitei o desafio e a ideia que surgiu foi criar algum protótipo que o auxiliasse em cirurgias. Este protótipo evoluiu e hoje é um serviço que outros médicos, clínicas e pacientes podem se beneficiar, inclusive, internacionalmente.

MN - Como essa tecnologia vem sendo implantado no Piauí?

AT - Atualmente temos parceiros como o Hospital São Marcos contando com apoio especial do Dr Edilson.

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Alexandre Tolstenko Nogueira (Crédito: Léo Villari)


MN - Como ampliar a oferta do serviço? Planos?

AT - Para que possamos crescer, precisamos de contatos com planos de saúde. Esta metodologia está sendo comprovada e validada ao ponto de ser capaz de diminuir riscos ao paciente, tempo de cirurgia e custos ao plano de saúde.

MN - Qual a importância do fomento à tecnologia para jovens cientistas?

AT - De maneira curta: é de suma importância para geração de riquezas que nosso povo foque em produção tecnológica, e o melhor meio para isto é incentivar jovens a serem mais estudiosos e empreendedores. Agora de maneira mais detalhada, imagino que fazer ciência de maneira privada como muitos hospitais e grandes empresas o fazem, conseguem entregar mais resultados práticos ou comerciais na área que atuo do que as apoiadas pelo governo.

MN - Como colocar isso em prática?

AT - A pergunta que o governo deve se fazer é como permitir que empresas de fora venham e criem tecnologia no ecossistema local. Outra pergunta que o governo deveria se fazer é como permitir que jovens como eu tenham oportunidades de crescimento na região e não se vejam obrigados a se mudar. Enquanto um pesquisador independente no Piauí, tive bastante apoio do IFPI, contudo tive problemas com alguns editais públicos extremamente burocráticos que emperravam por eu ser independente. Eu acredito que fomento público ou algum tipo de auxílio à pesquisa e tecnologia no Piauí precisa melhorar bastante. O trabalho que a Câmara Setorial do Piauí tem feito é bastante louvável. Mas comparando com o que vejo por outros lugares, ainda tem muito a melhorar, principalmente na maturidade e sentimento de urgência.

MN - Na sua opinião, disciplinas como robótica devem ser incluídas nos currículos regulares?

AT - Acho que o que se deveria ensinar é como resolver problemas de maneira lógica, racional e estruturada. De maneira específica não vejo robótica como uma bala de prata que vá resolver o problema que temos no sentido de incentivar alunos a quererem estudar tecnologia. Vejo com um meio. É um meio que pode ser bastante caro ao ponto de algumas escolas não poderem arcar. Mas temos a sorte de termos iniciativas open-hardware que entregam equipamentos para ensino de robótica a preço de custo. Além disso, também temos diversos materiais de ensino que usam tais ferramentas, contudo a maioria destes materiais não encontra-se traduzido ainda. Mas estar em outro idioma pode ser uma oportunidade a mais de aprendizado para quem não tiver medo. O desafio que vejo no ensino de robótica é como popularizar isto, o que implicará em permitir ou incentivar que mais professores se capacitem em tecnologias open-hardware.

MN - Como incentivar que os jovens se interessem pela pesquisa científica?

AT - Antes de tudo, deve-se ensinar como ser crítico e perguntar o porquê das das coisas serem como são. Se eu puder dar um pitaco, eu daria para se inserir filosofia na grade dos alunos, pois não existe nada melhor do que a filosofia para ensinar os alunos a buscarem a verdade. Tendo isto em mente, fica mais fácil que eles busquem resolver problemas que possuem, ou problemas dos outros. E ao resolver problemas, aprendem a estruturar seu método, e neste ponto aprendem na prática que a melhor forma é o método científico. Creio que o problema de desinteresse seja de base, logo, devemos corrigir na base. Ensinar lógica e filosofia desde cedo ajuda bastante nos resultados a longo prazo.

MN - A educação e o Brasil têm perdido investimentos com a lei do teto de gastos. Bolsas de pesquisa, por exemplo, deixaram de existir. Como nadar contra a corrente e colocar projetos para frente?

AT - Afirmar isto é uma afronta a nossas instituições como Câmara dos Deputados e Senado. Devemos crer em nossas instituições e cobrar de nossos políticos que não tomem decisões ruins. Agora explicando um pouco para quem não sabe, a lei de teto dos gastos não tem a ver com cortar gastos de ensino, mas sim evitar que o governo cresça ainda mais e desperdice recursos. O que o governo tem que fazer não é “remover recursos da educação” para sobrar mais para poder fazer populismo, demagogia ou permitir que se possa dar mais supersalários ou fechar contratos duvidosos, mas sim alocar corretamente os recursos existentes. Recursos existem, são fartos, apenas podem não estar sendo bem administrados. Eu falo por mim, eu deixei de esperar pelo governo incentivar e fui correr atrás. Eu teria ido muito mais rápido se tivesse apoio, mas mesmo sem apoio estamos crescendo, devagar, mas estamos. O que de fato se precisa é vontade de querer mudar, persistêcia e perseverança.

MN - Ciência é a maior impulsionadora da humanidade. Você concorda?

AT - Com toda a certeza! É por isto que até hoje nunca larguei de ser professor, sinto que tenho a obrigação moral de fazer as pessoas buscarem o melhor de sí.

MN - Qual seu conselho para quem quer ter a ciência como profissão?

AT - Recomendo que tenha um pensamento crítico, seja curioso, que analise calmamente tudo que acontece ao seu redor e que pergunte o porquê das coisas. Se você já tiver isto, você já tem um espírito de cientista! Basta continuar seguindo sua vida que naturalmente suas decisões te levarão a se tornar um cientista.

MN - O teresinense têm fama de estudioso, você acha que aqui tem bons talentos para a pesquisa?

AT - Temos bons talentos sim. O problema que devemos resolver é como segurar estas cabeças aí. O mais grave que vejo é fazer estas cabeças criarem tecnologias aplicadas e que de fato entreguem melhoria para a humanidade. Não é tocar pesquisa para bater métricas de produtividade acadêmica, mas fazer pesquisa próximo à indústria, e ao mercado. Fazer a pesquisa se transformar em uma patente, em um produto. Fazer pesquisa para de fato resolver problemas reais e que tenha aplicabilidade. Para tanto, temos algumas iniciativas como a Câmara Setorial de Tecnologia, alguns espaços de coworking que estão mudando como esta união de pesquisa e mercado é feita no Piauí.


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