O Alzheimer é um tipo de demência cada vez mais comum. Ao todo, são mais de 2 milhões de casos por ano da doença no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No entanto, um estudo americano mostra que pessoas que tiveram Covid-19 estão mais propensas ao problema.

A Covid-19 provocou mais de 600 milhões de infecções pelo mundo, e é de interesse científico entender as repercussões disso.

Estudos

Então, o estudo da Universidade Case Western Reserve avalia a incidência do Alzheimer em um grupo de idosos que foi contaminado pelo vírus respiratório Os resultados, publicados na revista científica Journal of Alzheimer's Disease, mostram que a Covid-19 aumentou em 69% o risco de desenvolver o problema cognitivo.

Sob este contexto, é necessário redobrar a atenção com relação às doenças. Evitar a infecção por Covid-19 em idosos é o principal. Mas em casos daqueles que já se infectaram com a doença, a atenção deve ser redobrada para o chamado diagnóstico precoce, que permite terapias mais efetivas para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Doença é a demência mais frequente nas pessoas acima de 65 anos - reproduçãoDoença é a demência mais frequente nas pessoas acima de 65 anos - reprodução

Primeiros sinais

A doença de Alzheimer é a demência mais frequente nas pessoas acima de 65 anos. De acordo com Kelson James, médico neurologista, os primeiros sinais são aparentes. 

"Se manifesta por queixas de memória e se divide em fases. Mesmo na fase inicial o paciente pode se perder na rua e esquecer de pagar suas contas, por exemplo", conta.

A investigação nos menores sinais é o principal. "Quando aparecem algum dos sintomas existem exames que podem sugerir o diagnóstico. O mais cedo possível levar o paciente a um neurologista clínico melhor", acrescenta o médico.

Estratégias evitam evolução da doença

Não existe um tratamento específico para o Alzheimer.  "Ainda não temos uma droga modificadora de doença, ou seja, que iria retardar a doença. Examinando o paciente precocemente podemos excluir outras demências que são tratáveis. E no caso da doença de Alzheimer, tomar algumas estratégias para diminuir a progressão", revela Kelson James.

Segundo médico é possível evitar evolução do problema - Lucrécio ArraisSegundo médico é possível evitar evolução do problema - Lucrécio Arrais

Demência

No entanto, o neurologista afirma que é possível evitar a evolução do quadro. 

"Quando diagnosticamos a doença antes de se tornar uma demência, ou seja, na fase de comprometimento cognitivo sem demência, podemos definir estratégias para evitar evolução", aponta.

Um fator importante da doença de Alzheimer é o emocional da família. É preciso que a atenção não seja apenas ao paciente, mas também aos cuidadores. "Como médico, existem remédios para diminuir a agitação dos pacientes e ajustar o sono deles. Para a família sempre sugerimos uma divisão de tarefas, com períodos de descanso para um dos cuidadores", considera.

A saúde mental é um fator importante para os cuidadores de alguém com Alzheimer.

"Sempre sugerimos tratamento das condições psiquiátricas como depressão e ansiedade que aparecem nos cuidadores. Orientamos um ambiente de mais paz no leito familiar, com esperança em um futuro de conforto e qualidade de vida para o paciente, mesmo frente às adversidades", analisa.

A Covid-19 afeta em mais de 60% o problema do Alzheimer - reproduçãoA Covid-19 afeta em mais de 60% o problema do Alzheimer - reprodução

Fatores de risco e prevenção

Aspectos genéticos podem influenciar no quadro, mas os maus hábitos são os principais fatores para a doença de Alzheimer.

 "Existem causas genéticas no DNA, principalmente nos casos familiares. Porém, na maioria dos casos, a doença é esporádica, ou seja, não está no DNA. Cada pessoa tem um risco específico. Ou seja, quem estuda menos têm menor reserva cognitiva, quem não coloca muito a cabeça para funcionar tem mais risco. Principalmente se sofre de pressão alta, diabetes, colesterol, fuma e tudo isso está descontrolado", explica Kelson James.

A alimentação é a principal maneira de evitar este tipo de demência. "Uma dieta baseada em óleos, peixes, a chamada dieta do Mediterrâneo. Além disso, atividade física, atividades cognitivas como aprender a tocar um instrumento, novas línguas, usar programas novos de computador. São estratégias para retardar a evolução da doença", recomenda o neurologista.

Com exceção de casos genéticos, é possível "fugir" deste tipo de demência.

 "Na maior parte dos casos é possível prevenir com atuação nos fatores modificáveis. Fugir do sedentarismo, bom controle do diabetes, colesterol, não fumar. Tentar controlar rápido os sintomas de depressão se surgirem, uma dieta saudável, sono regular. Ou seja, uma vida produtiva e equilibrada. Na dúvida procure um neurologista clínico, que é o médico habilitado para esse diagnóstico", finaliza.