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Beneficiamento de mariscos melhora vida de mulheres

A interação das marisqueiras com o Coletivo Mulheres em Pauta de Parnaíba as tornou empoderadas economicamente e tem melhorado a qualidade de vida dessas mulheres.

Beneficiamento de mariscos melhora vida de mulheres
Marisqueira | Efrem Ribeiro
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Quarenta e cinco mulheres de Ilha Grande, município do litoral piauiense, a 348 km de Teresina, conquistaram mais do que instrumentos para analisar suas vidas, seu trabalho, relação com companheiros e filhos a partir da ajuda do Coletivo Mulheres em Pauta de Parnaíba, com quem têm reuniões para tratar de empoderamento feminino, autonomia e liberdade em conversas com historiadora, fisioterapeutas e psicólogas da entidade. 

Elas, que integram a Associação das Marisqueiras do município, conquistaram mecanismos e conhecimento para tornar sua atividade mais lucrativa.

Por décadas, as marisqueiras saíam de suas casas para a cata dos mariscos no rio Parnaíba, os colocavam para cozinhar em latas sobre brasas, separavam as conchas dos moluscos e vendiam os mariscos, descartando as cascas.


Com assessoria de cientistas e do Coletivo de Mulheres, as marisqueiras continuam vendendo o quilo do marisco a R$ 7,00, mas agora trituram as conchas e vendem o pó a R$ 12,00 o quilo, porque é um ótimo adubo natural para dar mais vigor às plantas dos jardins, das árvores e fruteiras.

Não é preciso ir longe para ver a eficiência do pó das conchas de mariscos como insumo agrícola. Basta caminhar nos quintais das famílias das marisqueiras para ver que os mamões são imensos, os cachos de bananas são maiores e têm mais frutas; as pimentas saem em centenas.

Essa interação das marisqueiras com as profissionais da Academia as tornou também empoderadas economicamente. As mulheres do Coletivo em Pauta se reúnem com as marisqueiras em rodas de conversas.

“O que a gente faz é um compartilhamento de saberes entre mulheres. A gente pega a formação específica de mulheres de Parnaíba, que querem contribuir com outras mulheres”, afirma a coordenadora do Coletivo, a historiadora Naira Castelo Branco.

Historiadora Naira Castelo Branco coordena o Coletivo | Efrém Ribeiro

Como historiadora, Naira Castelo Branco discute com as marisqueiras sobre a representatividade feminina, sobre a necessidade delas buscarem apoio das instituições para a associação da categoria. As profissionais da saúde tiram dúvidas sobre saúde da mulher; sobre os cuidados com a pele, e oferecem atividades para tentar fomentar a autonomia das catadoras de mariscos.

“É um trabalho de politizar a própria Associação das Marisqueiras no sentido de autorrepresentarem, evitarem a terceirização, serem realmente independentes”, explica Naira Castelo Branco.

Fortalecidas como mulheres, as marisqueiras têm maior poder para negociar por melhores preços os mariscos que catam e beneficiam.

Compartilhando conhecimentos

Luciana Ferreira, formanda de Fisioterapia e membro do Coletivo, diz que o grupo é voltado para a mulher e busca que todas as participantes, cada uma em sua área específica, ajudar as outras mulheres com sua formação.

“Eu sou formanda em Fisioterapia e para as marisqueiras promovemos reuniões tratando da higiene íntima, da sexualidade, do cuidado com a saúde da mulher em gestante, com a qualidade de vida e do cuidado com a pele”, falou Luciana Ferreira.

Luciana Ferreira ensina técnicas para melhorar postura

Ela dá orientação para as marisqueiras sobre postura durante o trabalho da cata, da limpeza e da separação dos moluscos das conchas em telas de arame, porque elas passam muito tempo agachadas.

Integrantes do coletivo, as formandas em Psicologia, Acaahi Costa e Thalia Penha, trabalham com a saúde psicológica das marisqueiras, as auxiliam em relação à maturidade.

“Cada uma de nós trabalhamos em nosso contexto, contribuindo com que aprendemos. Há uma troca de informações. Elas nos ensinam e a gente ensina elas. A gente aprende muito”, declarou Acaahi Costa. 

Renda extra a partir do pó das conchas

As conchas eram descartadas no meio ambiente, mas as marisqueiras ganharam uma forrageira da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Na máquina, elas trituram o material, que se transforma em pó. Cerca de 95% desse produto é composto de carbonato de cálcio, substância essencial na correção de solos com acidez. Estudos já foram iniciados para comprovar a utilidade deste pó para a agricultura.

“O pó é usado basicamente para fazer a correção do solo, que seria o processo da calagem, que é quando o PH do solo está ácido, nós tentamos elevá-lo, colocando o pó. Estamos iniciando este experimento dentro de duas comunidades que a gente trabalha e produz, que é coentro e couve”, afirmou Rafson Varela, chefe do escritório de Parnaíba da Codevasf.

Rafson Varela falou que tem relatos de que o pó do marisco é utilizado na produção de massa de porcelanato, na indústria é usado para tintas, tijolos e cerâmicas. Segundo ele, é uma imensidão de ações que podem ser feitas a partir do marisco.

As conchas de mariscos são formadas basicamente por carbonato de cálcio (CaCO3), que é empregado como matéria-prima para diversos produtos utilizados, desde materiais de construção à produção de alimentos; tratamento de água; indústria farmacêutica; agricultura.

“Isso faz melhorar a renda das comunidades de marisqueiras, além de contribuir de forma sustentável,    reduzindo o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado”, falou Raimundo Lopes.

“Nós não tínhamos noção de o quanto esta casca pode ser aproveitada. Nós doávamos para fazer artesanato para pessoas que trabalhavam na praia e o restante jogávamos fora. As pessoas já estavam reclamando, mas agora nós temos uma noção do que podemos fazer”, falou.

Rosiane de Sousa, de 29 anos, trabalha desde os sete anos como marisqueira, tarefa que aprendeu com os pais. “Cato mariscos com os pés e com as mãos”, diz Rosiane de Sousa, orgulhosa de sua habilidade.

Rosiane de Sousa, de 29 anos, trabalha desde os sete anos como marisqueira| Crédito: Efrém Ribeiro

Ela fala que tritura as conchas em uma forrageira, e além de servir como adubo, o pó também é usado para a preparação de cal branco, comumente utilizado na pintura das casas.

“Ser marisqueira é uma atividade da qual realmente me orgulho”, falou Rosiane de Sousa.

Kátia Cilene, de sete anos, ajuda sua mãe, Maria do Socorro, de 42 anos, na limpeza dos mariscos. Maria do Socorro lembra que é marisqueira desde que se “entende por gente”.

“Aprendi com minha mãe, como minha filha está fazendo agora”, diz Maria do Socorro.

Emily Cristina, de 14 anos, e estudante do 8º ano do Ensino Médio, não pretende ser marisqueira e vai continuar estudando para ser uma profissional com curso superior. 

Coleta dos mariscos é feita no rio Parnaíba

O casal Maria Luiza de Sousa Santos, de 49 anos, e Raimundo José dos Santos, de 61 anos, sai pela manhã para a coleta dos mariscos no rio Parnaíba, que fica perto da residência do casal, no Porto dos Tatus, no município de Ilha Grande.

Eles contam que coletam, por dia, cerca de 100 quilos de mariscos, equivalentes a dez quilos. O resto do dia é dedicado a cozinhar os mariscos em latas colocadas sobre brasas. Quando estão cozidos, os mariscos abrem suas cascas, e Maria Luiza e Raimundo José os colocam em uma tela de arame, uma imensa peneira, e começam a espalhá-los para que as lesmas caiam embaixo, onde fica um recipiente para recebê-los.

O trabalho é feito debaixo de um galpão anexo à residência de Maria Luiza e Raimundo José. Na peneira, ficam as cascas, que ficam amontoadas no quintal, formando um pequeno morro. No sol, as cascas secam e depois são trituradas e transformadas em adubo, e os moluscos são colocados em sacos, com um quilo cada, e conservados em freezeres.

Maria Luiza e Raimundo José coletam, por dia, 100 quilos de mariscos

Antes de serem colocados em sacos para a comercialização, os mariscos são lavados em bacias, até que sejam retiradas todas as impurezas, a areia e os fragmentos das cascas.

“Os mariscos são usados nas tortas, nos vatapás, nos caldos, no leite do coco, com óleo, com arroz nos risotos”, ensina Maria Luiza, que foi premiada em um festival gastronômico com prato chamado baião de quatro, que mistura os mariscos, o arroz, o feijão e peixe salgado.

“O nosso trabalho depende das marés. A gente espera o mar baixar para catar os mariscos. Estamos no rio, que tem influência do mar”, afirma Maria Luiza.

Ela informa que os mariscos são coletados nos bancos de areia, que os moradores chamam de coroa.

Maria Luiza afirma que sua família é formada por cinco pessoas, dois homens e três mulheres, todos marisqueiros, que herdaram a profissão dos pais. 

Cata de mariscos marca gerações

A marisqueira Luzânia de Sousa Santos tem orgulho de seu trabalho e a cata dos mariscos deixou uma marca na pele de sua filha Luzyellen de Sousa Melo, hoje com 11 anos.

Luzânia Santos recorda que foi catar mariscos, quando estava grávida, e no sétimo mês de gravidez estava usando uma landuá para fazer a coleta e uma folha da planta jiquiri ficou colada em sua barriga, o que percebeu quando foi banhar.

No banho, Luzânia Santos retirou a folha de sua barriga, mas, dois meses depois, quando Luzyellen de Sousa Melo nasceu, a marca da folha estava nas costas do bebê.

Luzânia de Sousa Santos mostra o pó das conchas/

A marca ainda está até hoje na pele da filha. “Eu ia catar mariscos com o barrigão. Coletava os mariscos com uma landuá. A folha ficou em minha barriga e sua marca está até hoje em sua pele. O meu trabalho de marisqueira ficou marcado na pele de minha filha, que não quer ser marisqueira, mas estudar e exercer outra profissão”, conta Luzânia Santos, chorando ao recordar a história de mãe, filha e os mariscos.


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