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Estuprador fez vítimas na família, igreja e em escola de futebol

José Antônio Silva foi incluído no Cadastro Nacional de Foragidos

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Acusado de abusar sexualmente de crianças no Guará, José Antônio Silva, 47 anos, foi incluído no Cadastro Nacional de Foragidos. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) acatou a medida a pedido da 4ª Delegacia de Polícia (Guará). Agora, ele pode ser preso em todo o território nacional por qualquer integrante das forças policiais do país.


Além de contar com a ajuda de colegas de outras unidades federativas na busca pelo suspeito, que teve a prisão preventiva – sem limite de tempo para o acusado ficar detido — decretada há mais de uma semana, os investigadores brasilienses ampliaram o leque de alvos dele. José Antônio, que era acusado de violentar parentes e alunos, agora também é apontando como autor de crimes sexuais contra seus alunos de catequese e vizinhos que não frequentavam a igreja nem as quadras de futebol públicas onde ele trabalhava voluntariamente.

A série de abusos cometidas por José Antônio teve início no núcleo familiar. “Neste primeiro núcleo está a maior parte das vítimas identificadas até o momento. São pessoas que foram abusadas por mais tempo, pois tinham mais contato com o abusador. Ele se aproveitava de todo modo, inclusive, nas reuniões familiares de domingo”, explica o delegado Douglas Fernandes, à frente do caso.
 

Até esta quarta-feira (10/7), a 4ªDP registrou 17 vítimas. Os investigadores aguardam outras para depor, pois essas vítimas e testemunhas apontaram mais crianças como alvos de José Antônio. Os depoimentos indicam que o suposto pedófilo atua há 25 anos. Os meninos tinham entre 4 e 12 anos na época dos crimes. A única garota abusada por ele era da família. Ela contou ter sido violentada dos 5 aos 7 anos.

Em casa e no carro

A jovem, agora com 18 anos, disse ter sido silenciada pelo seu algoz. “Ele aproveitava todos os momentos em que estávamos sozinhos na minha casa, na residência da minha vó e no carro dele”, contou. “Quando ele decidiu parar, teve uma conversa comigo, deixando bem claro que não era para eu comentar nada do que havia acontecido. Depois, nunca mais me tocou”, completou a vítima.

Como muitas vítimas de violência sexual, a jovem teve medo de não acreditarem nela. “Ele se passava por uma pessoa boa e ninguém desconfiava de nada. Por mais de 10 anos, tive de conviver com ele e lidar com tudo sozinha. É muito difícil e doloroso. A pior parte era ter de olhar para ele e lembrar de tudo o que aconteceu”, desabafou.

A jovem se sentiu confiante para narrar os abusos para a mãe em maio último. Ambas moravam na QE 40 do Guará. Desde o depoimento da jovem à polícia, as duas não tiveram mais contato com o acusado. “Tirei forças para encarar tudo de novo ao ir à delegacia. Ali, descobri que ele tinha feito a mesma coisa com os meus primos. Fiquei mais traumatizada e assustada. Eu não tinha ideia de que ele havia cometido tantos abusos”, observou a garota.

Vítima confusa

O delegado Douglas Fernandes conta que os abusos sexuais em crianças fora do núcleo familiar duraram menos tempo. “Conseguimos diferenciar que tínhamos dois tipos de vítimas. As crianças dos núcleos de vizinhança, assim como da igreja e escolinha. Todas sofreram de um a dois abusos, no máximo. Quando o menino se tornava alvo, ele mesmo se afastava e, infelizmente, deixava tudo para trás. O acusado continuava a tratar a criança do mesmo jeito e isso deixava a vítima confusa. Com isso, identificamos que essas pessoas não tinham ódio dele”, explicou.

A última suposta vítima a procurar a delegacia, na terça-feira, foi um rapaz de 24 anos, vizinho de José Antônio na infância. Ele contou que, aos 8 anos, foi abordado pelo acusado na rua. José perguntou se podia tocar nos órgãos genitais dele.  Segundoo delegado, o garoto negou, porém, o homem segurou o pênis do menino, em uma calçada do Guará. “Geralmente, o suspeito não usava força para se relacionar com os garotos. Ele costumava ganhar a confiança das crianças e tratava os abusos como se fosse uma brincadeira. Mas essa denúncia coincide com o padrão de abordagem dele”, observou o investigador.

Busca fora do DF BUSCA FORA DO PF

Os agentes da 4ªDP trabalham com a possibilidade de José Antônio ter deixado o Distrito Federal. Segundo o delegado, familiares estariam escondendo o suspeito e o teriam ajudado na fuga. Os policiais receberam informações de que o catequista estava na casa de uma irmã, no Riacho Fundo 2, mas, quando chegaram ao endereço, ele já havia fugido.

Douglas Fernandes lembra que o foragido não tem renda fixa. “Durante a apuração, identificamos que o acusado não tem amigos adultos. Ele ficava cercado apenas de crianças e não tinha salário. Não descartamos a possibilidade de que familiares o estejam auxiliando”, afirma. “Sabemos que ele tem parentes no Maranhão e no interior do Rio Grande do Norte. Esses são possíveis lugares para onde ele poderia ter ido”, completa o delegado.

José Antônio cresceu na QE 17 do Guará, onde é conhecido como Toín. Vizinhos o descrevem como uma pessoa tranquila e amorosa com os pais, que estão abalados com as denúncias. “A mãe dele é cardiopata e o pai está muito velhinho. Visitei os dois esta quarta-feira (10/7) e ela chorou o tempo todo, dizendo que o filho estava desaparecido. Todos estamos tristes”, lamentou uma vizinha. A reportagem foi à casa de José Antônio, porém, não havia ninguém na residência.

Entenda o caso

Um parente de José Antônio Silva, 47 anos, procurou a 4ª Delegacia de Polícia (Guará), em maio, para denunciá-lo por abuso sexual. O homem de 30 anos contou ter sido vítima aos 5. Disse ter decidido registar ocorrência por ter um filho da mesma idade e temer que ele também fosse vítima de José Antônio.

O homem encorajou outros parentes a registrar denúncia. Eles relataram a mesma história: José Antônio os violentou no quarto dos pais dele, no Guará; à época, as vítimas tinham entre 4 e 10 anos.

Nascido no Maranhão, José Antônio cresceu no Guará, onde morou até os 40 anos na casa dos pais, na QE 17. Quando se casou, passou a morar com a esposa, na região administrativa, mas na QE 40.

Conhecido por quase todos na quadra como Toín, ele tinha grande confiança da comunidade, principalmente dos pais de crianças, por dar aulas de futebol de graça, e, principalmente, ser um catequista. As supostas vítimas mais recentes de Toín, segundo a polícia, foram alunos da escolinha de futebol.


José Antônio dava aulas na Paróquia Divino Espírito Santo, na QE 34, e organizava jogos de futebol em quadras esportivas das QEs 38 e 40. Diariamente, ele passava na casa dos meninos e os buscava para levá-los aos jogos, em seu carro. Depois do treino, dava doces, salgados e refrigerantes a eles.

O homem morava a menos de 200 passos de uma das quadras de esportes e sempre levava os alunos ao apartamento, para beber água ou comer um lanche. Professora, a mulher dele costuma passar o dia no trabalho. José Antônio obrigava os meninos a fazerem sexo entre si, principalmente oral. Ele forçava uma espécie de orgia entre as vítimas e participava também, de acordo com a investigação.

 A pedido da Polícia Civil, a Justiça decretou a prisão preventiva do acusado em 2 junho. No entanto, ele fugiu. Por isso, a 4ªDP tornou a investigação pública, segunda-feira, divulgando a foto de José Antônio. 



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