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Extrema direita marca novas ações nos EUA para a posse de Biden

Autoridade do FBI informa que, após conseguirem invadir o Capitólio sem grande resistência policial, os grupos extremistas planejam mais ações para os próximos dez dias. “Nós voltaremos dia 20 [dia da posse de Biden] e nada vai nos parar", afirma um dos radicais.

A polícia americana continua a identificar e prender manifestantes trumpistas que invadiram o Capitólio na quarta-feira (6), inclusive o homem vestido com pele de urso e chifres que se tornou símbolo da insurreição, conhecido como Jake Angeli. Mais de 100 pessoas já foram detidas. Enquanto isso, nas redes de extrema direita do país, os militantes organizam novos protestos e prometem que, no dia da posse de Joe Biden, 20 de janeiro, “nada” vai pará-los.

O presidente Donald Trump disse que não vai à posse do democrata. Os únicos três presidentes que faltaram à posse dos seus sucessores foram John Adams (em 1801), John Quincy Adams (em 1829) e Andrew Johnson (em 1869).

Os últimos 10 dias de mandato de Trump se anunciam tensos nos Estados Unidos. Longe de se intimidar pela violência e as cinco mortes ocorridas na ocupação do Capitólio, condenada pela ampla maioria dos americanos e políticos de diferentes correntes, os trumpistas comemoram a invasão pela internet.

Jon Schaffer entre os apoiadores de Donald Trump durante invasão ao Capitólio. — Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP Jon Schaffer entre os apoiadores de Donald Trump durante invasão ao Capitólio. — Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP 

“Nós voltaremos dia 20 e nada vai nos parar: nem a polícia, nem o Exército”, afirma um extremista. “Nós liberaremos Washington e liberaremos o nosso país, sem piedade”, diz outro. “Não deixaremos os comunistas vencerem”, acrescenta mais um.

Negar a vitória de Biden até o fim

O ex-diretor-adjunto do FBI Frank Figliuzzi aponta que os grupos de extrema direita parecem se sentir “invencíveis” depois de terem conseguido penetrar, sem maiores resistências das forças de ordem, em um dos lugares mais protegidos do país. Para eles, o ataque representa uma demonstração de força, além de uma forma de atrair novos seguidores, observa a correspondente da RFI em Nova York, Loubna Anaki.

Apesar dos acontecimentos dos últimos dias, essa militância se recusa a admitir a vitória do candidato democrata nas eleições de novembro. Muitos ainda creem que Trump pode começar um segundo mandato em 20 de janeiro.

Prisão de ícones da invasão

Neste sábado (9), as autoridades americanas anunciaram a prisão de três dos manifestantes pró-Trump cujas imagens rodaram o mundo durante a violenta invasão do Capitólio. Jacob Anthony Chansley, o homem com chapéu com chifres de bisão, sem camisa e rosto pintado nas cores da bandeira americana, está entre eles. Ele é conhecido como Jake Angeli nas redes trumpistas e carregava uma lança com a bandeira americana durante a ocupação.

Chansley foi acusado de "entrar ou permanecer intencionalmente em um prédio ou terreno restrito sem autoridade legal e por entrada violenta e conduta desordenada nas instalações do Capitólio”. Ele se descreve como um "soldado digital" da teoria da conspiração de extrema direita QAnon, que afirma que Trump está travando uma guerra secreta contra um culto liberal global de pedófilos adoradores de Satanás.

Invasor carrega púlpito da presidente da Câmara dos EUA durante ato no Capitólio. O homem foi preso, informou a imprensa americana neste sábado (9) — Foto: Win McNamee / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Invasor carrega púlpito da presidente da Câmara dos EUA durante ato no Capitólio. O homem foi preso, informou a imprensa americana neste sábado (9) — Foto: Win McNamee / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 

Os outros dois homens presos são Derrick Evans, 35, recém-eleito para a Câmara dos Delegados da Virgínia Ocidental, e Adam Johnson, 36, da Flórida. Johnson foi identificado pelas fotos em que é visto sorrindo e acenando para a câmera enquanto caminha pela Rotunda do local, com o púlpito da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, como troféu.

Os três foram indiciados no tribunal federal por atos em conexão com a violência, de acordo com o gabinete do procurador do Distrito de Columbia.


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