Faxina nos Bairros recolhe 4,7 toneladas de lixo durante todo o ano

O programa percorreu bairros de todas as zonas de Teresina

A Prefeitura de Teresina mobilizou durante todo o ano diversos setores da sociedade para aliarem-se no combate ao transmissor da dengue, zika e chikungunya. A Operação Faxina nos Bairros completou um ano este mês e ao longo das 44 edições chegou a recolher 4.728 toneladas de lixo da cidade. “A Faxina é um trabalho que alia limpeza e educação, pois enquanto o lixo é recolhido, os agentes de endemias orientam a população sobre os cuidados a serem tomados contra o Aedes”, conta Oriana Bezerra, gerente de Zoonoses da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

As atividades de limpeza e educação em saúde foram realizadas em parceria com as Superintendências de Desenvolvimento Urbano (SDUs) e percorreu bairros em todas as zonas da cidade, recolhendo aquele lixo das residências que não eram recolhidos na limpeza de rotina, como móveis, eletrodomésticos de grande porte e entulhos em geral que pudessem se tornar foco para proliferação do Aedes aegypti e do Aedes albopictus. 

A diretora de Vigilância em Saúde da FMS chama atenção para o fato de que a dengue, zika e a chikungunya são doenças infecciosas, de origem viral, transmitidas através da picada de mosquitos contaminados de duas espécies: Aedes aegypti e Aedes albopictus. “Enquanto o Aedes dá preferência ao sangue humano para se alimentar, o albopictus se alimenta de qualquer tipo de sangue. Se existe mais alimento disponível eles vão se reproduzir mais também”, lembra Amariles.

Estes dois mosquitos podem receber a alcunha de “mosquito da dengue”, apesar do Aedes aegypti ser a espécie mais famosa. Os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus são muito parecidos. A diferença está no tórax. O Aedes aegypti apresenta quatro linhas, duas delas retas no centro e duas curvas na periferia. Já o Aedes albopictus apresenta apenas uma única linha reta no centro do tórax. De resto, são semelhantes.

Faxina nos Bairros
Faxina nos Bairros

Trabalho educativo

As ações foram reforçadas em 2016 pelas equipes que compõem o Núcleo de Educação em Saúde (NESC) da FMS. Escolas, empresas e entidades foram visitadas e tiveram disponíveis palestras e demonstrações sobre as formas de prevenir a dengue, zika e chikungunya. Durante todo o ano, o NESC visitou mais de 8 mil locais e atendeu quase 35 mil pessoas, seja por meio da exposição do ciclo biológico do mosquito, de formas de reciclar material com potencial de virar criadouro do mosquito, da distribuição de cartazes, folders e CDs educativos, ou por meio da orientação.

Foi formado ainda o Comitê de Mobilização Comunitária contra dengue, zika e chikungunya, com o intuito de sensibilizar a população para o risco destas doenças em Teresina, por meio da adoção de programas educativos e mobilização da sociedade civil, além da eliminação de potenciais criadouros do mosquito Aedes Aegypti. O grupo é composto por membros de diversas entidades públicas e privadas das esferas municipal e estadual.

Ainda por meio do comitê, já foram realizadas diversas ações educativas e de limpeza em escolas, igrejas, empresas e outras entidades. A maior delas foi o curso para formar multiplicadores de informações sobre o cuidado às doenças, que já capacitou 1.179 pessoas. Com carga horária de oito horas divididas em momento teórico e prático, o curso dá orientações básicas sobre o mosquito Aedes aegypti, locais onde eles gostam de se reproduzir e também sobre semelhanças e diferenças entre as doenças que o mosquito transmite. 

“O objetivo é capacitar os interessados para atuar em sua comunidade ou local de trabalho disseminando conhecimentos sobre dengue, zika e chikungunya”, informa Júlia Santos, chefe do Núcleo de Educação em Saúde e Comunicação (NESC) FMS. “Ele é gratuito e aberto à comunidade em geral”, completa.

  0% de infestação predial

Os resultados do trabalho intenso de combate aos mosquitos puderam ser vistos nos dados do último Levantamento Rápido do Índice de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado no segundo semestre de 2016. Segundo ele, o Índice de Infestação Predial (IIP) – a relação entre o número de imóveis positivos para o mosquito pelo total pesquisado – da nossa cidade está em 0,0%. Embora seja uma época marcada por baixos números devido à falta de chuvas, foi registrada uma queda em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o índice estava em 0,1%.

  “Este ano Teresina se uniu para combater o mosquito, mas este é um trabalho contínuo que terá seguimento em 2017”, diz a diretora de Vigilância em Saúde da FMS Amariles Borba. Para o futuro, o objetivo é reforçar o trabalho educativo para incentivar a higiene dentro de casa. “Queremos orientar quando ao descarte do lixo correto, que não deve ser feito em vias públicas, e também conscientizar sobre questões como reciclagem”, diz ela.

  Um vírus chamado Mayaro pode estar se espalhando pelo continente Americano. Ele está se adaptando, antes era transmitido apenas por vetores silvestres e agora pode ser transmitido por vetores urbanos como o Aedes aegypti. "Daí a necessidade de continuarmos vigilantes e permanecermos  desenvolvendo ações contínuas em casa e em toda a cidade contra o mosquito Aedes aegypti", destaca Amariles Borba.

Quando alguém se encontrar com febre inespecífica e cansaço, sem outros sinais aparentes, se surgirem manchas vermelhas pelo corpo, dor de cabeça e nas articulações, apresentar intolerância à luz (fotofobia), essa pessoa pode estar com algumas dessas viroses transmitidas pelos mosquitos. "O que ela precisa fazer de imediato é manter o corpo hidratado. Urinar da cor da água que bebe e depois procurar um serviço de saúde”, orienta Amariles Borba.

Fonte: Portal MN
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