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Lendas “ativam” a memória de idosos no bairro Poti Velho

Projeto é voltado para a saúde mental dos idosos e busca exercitar o cérebro, mantendo a memória dos idosos ativa

Lendas “ativam” a memória de idosos no bairro Poti Velho
Projeto com idosos | Divulgação
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O projeto Memória Ativa: Idoso Contador de Estória, Lenda e outros Causos, desenvolvido na Unidade Básica de Saúde Poty Velho, com o grupo de idosos local, é um verdadeiro sucesso. O projeto, coordenado pela enfermeira Nancy Loiola, trabalha a memória visual, olfativa, gustativa e de linguagem desde 2016. 

Este ano, eles estão abordando as lendas, que no final do ano serão transformadas em um livro. Esse trabalho é voltado para a saúde mental dos idosos, mantendo a memória ativa ao mesmo tempo em que resgata as lendas culturais. O resultado é muito positivo: evita a depressão, o isolamento social e como o trabalho é dentro da UBS, facilita a adesão aos tratamentos médicos.

Mostrando como atividades simples podem trazer grandes mudanças, o projeto ganhou, recentemente, o prêmio de melhor experiência do Estado do Piauí na 16ª Mostra Brasil Aqui tem SUS, que aconteceu no XXXV Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.

“Esse projeto, Memória Ativa, nasceu na UBS em 2016. Nós participamos do 8º Congresso Norte e Nordeste de Gerontologia e Geriatria. De lá viemos estimulados a cuidar da mente das pessoas. Cuidar do corpo já é bem projetado, tem academia em toda parte e todo mundo faz caminhada pelas avenidas. Todo mundo assimilou isso. Mas o que não conseguimos assimilar é que precisa malhar o cérebro também, com vários exercícios”, explica Nancy Loiola.

A ideia é manter os cérebros ativos. “Nós começamos a desenvolver a memória. A memória tátil, passando um algodão ou algo áspero para que possam definir qual o objeto. Memória olfativa, vendando os olhos e colando limão ou café. Memória visual, de linguagem, provérbios, palavras-cruzadas, música. São várias ferramentas”, acrescenta a enfermeira.

Novas alternativas contra o Alzheimer

Como forma de motivar os participantes, a enfermeira Nancy Loiola explica que existem formas de otimizar a memória. Pequenos ajustes no cotidiano fazem com que novas conexões cerebrais evitem problemas mentais, como a demência senil e o Alzheimer. Nancy explica que hábitos simples potencializam a memória.

“Trabalhamos com dicas para manter o cérebro saudável. Além de idosos, temos alguns jovens que se queixam de memória. Tem a caixinha da memória, por exemplo, que você guarda tudo importante. Eu, por exemplo, tenho a gaveta da memória, porque é muita coisa.

Enfermeira Nancy Loiola coordena o projeto com os idosos

Além disso, o exercício da linguagem, você diz para si mesmo que está colocando algo em cima da mesa, para lembrar que colocou. Os estudos mostram que se você falar, você memoriza mais fácil”, revela.

No caso do Alzheimer, é preciso sempre buscar novas atividades.

“Acabei de vir de um Congresso de envelhecimento humano. Lá ouvi uma palestra que fala sobre o Alzheimer. Para a prevenção, a palavra-cruzada não serve a partir do momento que você aprende. Você tem que buscar coisas novas, como fazer um novo caminho para ir até em casa, aprender um novo idioma. Se você domina o idioma, busque outro. É preciso buscar o novo, deixar o cérebro ativo. Evitar rotina nesse aspecto, para que o cérebro faça novas conexões, além de beber muita água”, pontua Nancy Loiola.

A enfermeira exemplifica atividades que podem ser realizadas pelos idosos em casa. “Assistir novelas, ler um livro e contar para outra pessoa também é muito bom. Faço isso com minha mãe. Minha mãe assiste ao jornal e me conta depois, pois não tenho tempo de ver. Então ganham nós duas: eu me informo e ela malha o cérebro.

Além disso, é importante que as pessoas saibam que são únicas e não devem se comparar com quem éramos no passado e com outras pessoas, pois cada história de vida é diferente”, recomenda. 

Lendas como suporte de resgate de memórias

As lendas de Teresina são um rico acervo de memórias. E o bairro Poti Velho é uma raiz das principais lendas da cidade. “O bairro Poti Velho é mais antigo que Teresina. Então, temos algumas lendas originárias daqui, como o Cabeça de Cuia e a Porca do Dente de Ouro. Essas são daqui, do bairro. Reunimos elas e perguntamos quem sabia as lendas. A surpresa foi saber que as histórias que elas sabiam era diferente das que estão nos livros. Algumas, inclusive, não entenderam porque o monumento no Encontro dos Rios está com um osso corredor, e não um peixe camurupim”, conta Nancy Loiola.

O resultado do projeto já rende bons frutos. “Nós gravamos o vídeo com elas contando a história, confeccionamos um folder, camisetas, e no dia 24 de março fomos ao Encontro dos Rios contar para os turistas. Conseguimos resgatar até a música do Cabeça de Cuia, forçando a cabeça deles. Alguns pesquisadores vieram para cá e estamos com a promessa de gravar o CD com a música e jogar na internet, para que não se perca. Além de um livro e um webdocumentário também”, completa a enfermeira. 

Idosos fazem novas amizades e redescobrem os próprios sentidos

Os idosos beneficiados diretamente pelo projeto da UBS do Poti Velho estão muito contentes com as atividades oferecidas. A exemplo de dona Maria de Jesus Carneiro de Sousa, de 66 anos. “Nós estávamos precisando muito trabalhar a mente. Antes não tinha projetos assim. Mas depois que chegou o projeto, muita coisa mudou. Tem que cuidar da cabeça, antes eu só cuidava do corpo. Eu gosto de todas as programações. Eu participo aqui e no Cras do Mafrense. Terça e quinta aqui no Poti Velho e quarta e sexta no Mafrense. Eu adoro fazer palavra-cruzada, além de fazer bordado de linha e fita. Ainda não sou artesã, mas estou fazendo”, conta.

Maria de Jesus Carneiro Sousa, 66 anos, diz que adora fazer palavra-cruzada e bordado, atividades que ativam a mente

As lendas ganham versões mais próximas das originais. “Eu acho que o projeto é necessário porque as pessoas precisam saber o que acontece e o que continua acontecendo. É preciso esclarecer a cabeça. Hoje em dia, a lenda do Cabeça de Cuia, por exemplo, é diferente. Não tinha essa história de Maria virgem. Era a história do rapaz que pescou curimatá e queria comer a cabeça, mas a mãe comeu e bateu nela. Ela rogou uma praga e ele virou o monstro. Deram uma floreada para melhorar a história”, explica Teresinha Brito, de 75 anos.

Teresinha Brito,75 anos, lembra a lenda do Cabeça de Cuia

Maria do Socorro da Silva Cavalcante, de 69 anos, disse que o projeto ajuda a vencer a timidez. “O projeto é muito importante, porque tem gente que usa a timidez para se isolar. Mas quando estamos todas reunidas, a gente conta histórias. Revivemos muita coisa. Fazemos amizades, socializamos. A história do Cabeça de Cuia mesmo, tem várias versões. Meu netinho de seis anos ficou confuso porque no livrinho dele tinha Crispim, mas o nome de verdade é outro, Manoel Ludovico. Sou professora aposentada e não sabia”, explica.

Do projeto saíram novas amizades e muitos amigos. “Eu cheguei no projeto a convite do pessoal daqui da UBS. Eu sou daqui do Poti Velho. Aqui eu fico feliz, confraternizo com as colegas, adoro elas. A gente conversa muito. Gosto de fazer tudo aqui, menos cantar e escrever. Mas tudo que eu consigo eu faço, e é bom para memória. Melhor que ficar sentada ou deitada”, finaliza Lídia Teresa de Jesus, de 85 anos. 

Lídia Teresa de Jesus, 85 anos, exalta os benefícios do projeto


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