Morre garota imprensada por carro alegórico após desfile na Sapucaí

Raquel Antunes Silva chegou a perder a perna direita durante cirurgia que durou 6 horas

Raquel Antunes da Silva | Divulgação
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Morreu nesta sexta-feira (22)  a criança de 11 anos que foi atropelada  pelo carro alegórico da escola de samba 'Em Cima da Hora'. na saída da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ela foi imprensada pelo veículo contra um poste na dispersão do desfile da escola. 

 Raquel Antunes da Silva estava internada em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar.   Durante a cirurgia, que durou cerca de 7 horas, ela sofreu uma parada cardíaca e traumatismo no tórax. A criança teve a perna direita amputada e corria risco de perder a outra. 

A delegada Maria Aparecida Salgado Mallet, titular da 6ª DP (Cidade Nova), determinou a apreensão do carro alegórico que imprensou a menina.

Raquel Antunes da Silva morreu após ser atropelada por carro alegórico no Rio de Janeiro

Segundo o Corpo de Bombeiros, nem o ‘Embarque no famoso 33’, nem os demais carros alegóricos da Série Ouro que desfilaram na primeira noite do carnaval, na Marquês de Sapucaí, foi vistoriado e recebeu autorização do órgão para entrar na Avenida. 

Por três vezes, houve uma tentativa de notificar a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj) para informar que nenhuma das escolas do antigo Grupo de Acesso pediram a vistoria para suas alegorias. Em razão disso, nenhum deles teria autorização para desfilar.

Calçado usado por Raquel Antunes da Silva  ficou no local do acidente Foto: Filipe Grinberg / Agência O Globo 

 

O carro alegórico que impressou Raquel já tinha apresentado problemas durante o desfile: houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante o desfile na Sapucaí durante metade da apresentação.

A criança ofreu luxação exposta no tornozelo esquerdo, fraturas expostas dos fêmures e fratura de rádio distal esquerda. 

Uma prima da criança, de 48 anos, disse à Folha nesta quinta (21) que a menina subiu no carro alegórico para tirar fotos. Sem perceber que a criança estava lá, deram partida no veículo, o que acabou causando o acidente.

A mãe da criança, a manicure Marcela Portelinha Antunes, chegou muito abalada ao hospital por volta das 16h30 de quinta e disse que não recebeu nenhuma ajuda da Liga que reúne as escolas. Ela afirmou que o caso não pode "ficar impune" e chegou a desmaiar enquanto conversava com os jornalistas.

Também na quinta, a madrinha Brenda Santos, 24, disse que a criança havia passado por uma cirurgia que durou por volta de nove horas.

O desfile das escolas chegou a ser interrompido para a realização de perícia no local do acidente, o que atrasou em cerca de uma hora a entrada no Sambódromo da Unidos da Ponte, a terceira a desfilar.

Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento. "A perícia foi realizada no local e imagens de câmeras de segurança foram coletadas e estão sendo analisadas para esclarecer o fato."

Também através de um comunicado, a Prefeitura do Rio de Janeiro lamentou o ocorrido e afirmou se solidarizar com a família. "A Secretaria Municipal de Ordem Pública vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre as causas e os responsáveis por esse acidente".

Em 2017, um acidente com um carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti deixou 20 pessoas feridas no Sambódromo, na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio.

Carro alegórico envolvido em acidente foi apreendido pela Polícia Civil Foto: Filipe Grinberg / Agência O Globo 

As vítimas foram prensadas pelo último carro alegórico da escola, que abriu os desfiles após subir para a primeira divisão do Carnaval carioca. O veículo avançou sem controle para a esquerda sobre a grade da arquibancada.

As ligas das escolas de samba do Rio Liga-RJ e Liesa afirmaram, em nota conjunta, que a criança "subiu no carro alegórico fora do sambódromo, na rua Frei Caneca, no Estácio, após deixar a área de dispersão".

"Ela foi socorrida e levada ao Hospital Sousa Aguiar, onde foi submetida a cirurgias. Equipes das Ligas e da Escola acompanham o caso na unidade hospitalar ao lado da família desde o primeiro instante e também colaboram com as autoridades. Nesse momento, é preciso esperar a apuração da perícia e autoridades para novos esclarecimentos", diz a nota. A entidade afirma também que se solidariza com a família.

Segundo o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), o desfile das escolas de samba desta quarta violou normas que haviam sido determinadas pela Justiça com antecedência.

Em março deste ano, o MP do Rio diz ter enviado aos organizadores do evento recomendações. "No documento há menção específica quanto à necessidade de provimento de segurança no momento da dispersão dos carros alegóricos", diz o órgão em nota.

"A violação às claras determinações feitas com antecedência ensejará as providências devidas em demanda própria a ser ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância e da Juventude da Capital."



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