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Museu da Natureza reconhece mateiros da Serra da Capivara

Niéde Guidon entregou diplomas para antigos guias

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André Pessoa

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Durante a inauguração do surpreendente Museu da Natureza, no último dia 18 de dezembro, os pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) fizeram uma importante homenagem aos antigos guias da arqueóloga Niéde Guidon, mateiros que desbravaram o sertão onde hoje está um patrimônio cultural da humanidade.

Responsáveis pelas pesquisas na chamada “Área Arqueológica de São Raimundo Nonato” - que vai da Serra das Confusões até a Serra da Capivara e zonas de entorno, incluindo o corredor ecológico federal entre os dois parques nacionais - os cientistas da instituição sempre se valeram dos serviços dos mateiros locais em seus trabalhos de campo, desde as primeiras missões, em 1973.

 (Crédito: André Pessoa)
(Crédito: André Pessoa)


Nomes de figuras emblemáticas, decisivas nas expedições do passado, como o do ex-caçador Nilson Alves Parente, do criador Justino Pereira de Aquino (Seu Justino), do festeiro João Batista Dias (Joãozinho da Borda), do artesão Nivaldo Coelho ou do “filósofo” da Caatinga, Francisco Reinaldo (Chico do Zuzinha), receberam títulos de “Mateiro Honorário” emoldurados com uma forte salva de palmas pela contribuição à pesquisa científica e à conservação da região do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Também foram homenageados, In Memoriam, o empreendedor Durval Paes Dias, que além das aptidões características de um mateiro, na verdade, o primeiro dos guias de Niéde, foi proprietário de um pequeno hotel no antigo povoado de Vargem Grande, primeiro “pouso” da arqueóloga ao “desembarcar” em terras piauienses.

 (Crédito: André Pessoa)
(Crédito: André Pessoa)


Na mesa principal, Guidon se deixou fotografar, como raras vezes, com olhos vermelhos, cheios de lágrimas, talvez num misto de lembranças e emoções. A solenidade ainda reconheceu o trabalho do guarda-parque Edilson Aparecido da Costa Silva, o Nego, assassinado em 2017, aos 49 anos, por caçadores durante uma fiscalização na reserva ambiental. Sua esposa e filhos receberam o diploma.

Segundo o jornalista Sérgio Adeodato, em artigo publicado na Revista Página 22, da Fundação Getúlio Vargas, valorizar os mateiros é reconhecer o papel de quem conhece atalhos e segredos da mata como ninguém. “Sim, os mateiros são figuras cada vez mais indispensáveis às expedições científicas, levantamentos para criação de parques nacionais, ecoturismo, produção de documentários, uso de produtos da biodiversidade por indústrias e obras de infraestrutura que chegam a grotões desconhecidos”, explica o repórter especializado em sustentabilidade.

 (Crédito: André Pessoa)
(Crédito: André Pessoa)


Caatinga sob pressão da exploração

Entre as décadas de 1960 e 1970, em grande parte da região onde hoje se encontra o Parque Nacional da Serra da Capivara, na zona rural dos municípios de São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, João Costa e Brejo do Piauí, fauna e flora sofriam seu mais intenso ataque, na iminência, inclusive, de entrar em colapso.

A pressão humana nos seus frágeis ecossistemas estava no auge, e homens lutavam pela sobrevivência subjugando os animais em busca de proteínas, renda ou pelo simples prazer da caça, quase um vício, muitas vezes alimentado pelas elites da zona urbana e das capitais. Naquela época, não raro, caminhões com centenas de tatus vivos deixavam a feira de São Raimundo Nonato para Salvador, Petrolina, Brasília e outras cidades.

Cânions, desfiladeiros, boqueirões, vales, sumidouros, chapadas, pingas e planícies começavam a ser desvendados, o gado se espalhava mais e mais Caatinga adentro. Nos paredões rochosos, as pinturas rupestres perdidas ao longo do tempo chamaram a atenção dos caçadores, criadores e coletores de maniçoba. Niéde chegava na região e os mateiros foram seus principais guias, criando, em alguns casos, uma forte parceria de amizade e profissionalismo.

No meio da Caatinga selvagem, seca, sem água, a união se mostra decisiva para sobrevivência. E foi com essa cumplicidade que a relação superou décadas. Agora, passados anos do último encontro na mata branca, eles se reencontraram durante a inauguração do Museu da Natureza, um momento mágico para guardar na memória. (A.P).

Associação dos mateiros: um passo para o reconhecimento

Pensando na perpetuação e difusão do conhecimento oral e prático passado de geração em geração, além de viabilizar fontes de renda alternativas e controle do patrimônio natural e cultural, guardas-parque da Serra da Capivara e mateiros da região se uniram para a criação de uma associação específica sobre a profissão que ainda não é regulamentada, mas já está sendo discutida através de uma proposta de Projeto de Lei na Câmara dos Deputados.

Pensando nas peculiaridades da Serra da Capivara, a ideia é sugerir ao ICMBio que os pesquisadores que realizam estudos no interior da unidade de conservação sejam, sempre que possível, acompanhados por um mateiro ou condutor de visitantes em suas incursões ao interior da reserva. Com isso, além de gerar renda e viabilizar a sobrevivência desses profissionais, o Parque Nacional ofereça maior segurança e acesso ao conhecimento para os cientistas. (A.P).

 (Crédito: André Pessoa)
(Crédito: André Pessoa)


Guardas-parque são formados para garantir preservação

Como nas reservas ambientais africanas que protegem rinocerontes, hipopótamos, leões, elefantes e girafas, aqui no Brasil, o Parque Nacional da Serra da Capivara, gerido por cogestão através da Fundação Museu do Homem Americano, formou, durante 20 anos, dezenas de guardas-parque, a maioria deles mateiros e ex-caçadores, que mudaram de lado para garantir a vida de tatus, tamanduás, veados, caititus e cutias, através dos seus conhecimentos específicos.

Com a omissão das autoridades federais, o trabalho de rondas de repressão à caça na Caatinga, através de vigilantes terceirizados, teve alto índice de produtividade, ajudando no restabelecimento das populações dos mamíferos, inclusive dos grandes felinos, e foi bem desenvolvido ao longo dos anos, até a inesperada morte de um dos guardas-parque num embate com caçadores.

Desde então, o projeto foi paralisado pelo ICMBio e o número de operações caiu exponencialmente. Entre 2017 e 2018, nenhum flagrante foi feito dentro do Parque Nacional no Piauí, mesmo com as evidências de caçadores por todos os lados. Na África, a coisa é diferente. Basta ligar a televisão em qualquer um dos grandes canais de entretenimento sobre a vida selvagem, como Animal Planet, Discovery Channel ou National Geographic, para conhecer o trabalho dos park rangers, protetores dos parques reconhecidos pelo governo. (A.P).


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