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Pais vivem dilema da volta às aulas

Depois de tantos meses de escolas fechadas, por causa da pandemia da Covid-19, a preocupação de muitos pais é quanto ao retorno seguro à sala de aula

Júlio César, de apenas 6 anos, acordou bem mais cedo do que o normal na última quarta-feira, dia 27 de janeiro. O motivo era especial. Dez meses longe do colégio, o pequeno Julinho não via a hora de rever os amiguinhos de turma, os professores e ter de volta o convívio escolar. Um convívio modificado, é verdade. De forma híbrida e cheio de regras sanitárias, porém, bem mais participativo do que passou em 2020. Ainda no ensino Infantil, o garoto teve que se adaptar ao ensino remoto e não foi nada fácil para ele, tampouco para os pais, que tiveram que se dividir entre trabalho e atividades escolares.

“Diferente dos irmãos, que já sabem mexer bem em computadores, Julinho teve um pouco de dificuldade com as aulas online, ano passado. Ele sentiu muito a falta e o contato com os coleguinhas e os professores mas, na medida do possível, tirou de letra”, afirmou o odontólogo Júlio César Vasconcelos, pai do menino, e de outros dois adolescentes, que também voltaram às aulas no sistema híbrido. “Está sendo um verdadeiro malabarismo escolar lá em casa. Um dia levo Julinho à escola, e os irmãos ficam em casa assistindo aula de forma remota. No dia seguinte é o contrário”, pontua.

Julinho com o pai, Júlio César Vasconcelos e o irmão, MiguelJulinho com o pai, Júlio César Vasconcelos e o irmão, Miguel

Mas, o retorno de Julinho e seus irmãos, João Leonardo, 14 anos, e Miguel, 12 anos, à rotina escolar, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, só está sendo possível porque Júlio César Vasconcelos sentiu confiança nas adaptações sanitárias feitas pelo colégio. “Apesar do medo, optamos por mandar os filhos para a escola porque já nos sentimos preparados para enfrentar esse medo, temos esperança que tudo isso acabe logo e confiamos bem na escola, que atendeu todos os cuidados de prevenção a doença”, destacou.

João Leonardo, Irmão mais velho de Julinho, retornou às aulas no sistema híbridoJoão Leonardo, Irmão mais velho de Julinho, retornou às aulas no sistema híbrido

E esse tem sido o verdadeiro dilema do retorno às aulas presenciais: Depois de tantos meses de escolas fechadas, por causa da pandemia do novo coronavírus, já é mesmo possível levar as crianças de forma segura às escolas, protegendo alunos, professores e funcionários dos riscos de transmissão da Covid-19? No Piauí, após a liberação por parte do Governo do Estado das aulas presenciais, mesmo que no formato híbrido, somente as escolas particulares aderiram. A rede pública de ensino optou em manter o formato remoto e com início previsto ainda para esta semana. Com isso, o abismo na educação brasileira continua. 


Porém, é preciso garantir a manutenção do vínculo entre os estudantes e a escola durante a pandemia. Daí a disponibilização de atividades não presenciais, mediadas ou não por tecnologias digitais da informação e comunicação (plataformas online, vídeoaulas, redes sociais, blogs, televisão, rádio, material impresso com orientação pedagógica aos alunos e seus pais ou responsáveis). Tudo isso busca evitar retrocessos de aprendizagem e evasão escolar. 

Assim, a volta às aulas é algo necessário e essencial para toda a comunidade escolar, principalmente para a saúde mental de crianças e adolescentes. E isso é consenso para pais, estudantes, professores e especialistas no assunto. “Como a escola é um lugar de encontro, é fundamental criar um espaço de diálogo transparente com as famílias e a comunidade, discutir, ponderar, acalmar as angústias, alinhar expectativas e planejar soluções possíveis”, afirmou a psicopedagoga Patrícia Sampaio, acrescentando que é necessário ouvir e acolher a criança e o adolescente neste momento. 

Professores buscam alternativas para garantir educação

O retorno às aulas presenciais, mesmo que de forma híbrida, ou seja, dia sim e dia não, demandará, principalmente do professor, novas estratégias para a reinvenção tanto das relações efetivas quanto ao trabalho pedagógico em si. 

“É preciso repensar os projetos, de acordo com a avaliação diagnosticada junto aos alunos que estão retornando, contemplando, assim, novos encaminhamentos”, pontuou a psicopedagoga Patrícia Sampaio, destacando, também, que nesse momento, gestores e coordenadores precisam estar abertos para ouvir esses profissionais nas suas demandas e trabalhar em parceria. “A preocupação talvez não seja tanto em relação à execução dos protocolos de segurança, mas com relação à garantia de que eles funcionarão adequadamente, porque a escola não é apenas a sala de aula, não é uma relação um para um, inúmeras intercorrências podem ocorrer quando há pessoas envolvidas e a situação em que vivemos atualmente ainda é frágil”, disse.

Psicopedagoga Patrícia SampaioPsicopedagoga Patrícia Sampaio


Pensar em um cenário de aprendizagem onde parte da turma esteja em sala de aula e a outra online é pensar em uma exceção, onde haverá perdas de diferentes formas para todos. Sendo assim, o mais interessante e produtivo seria investir em soluções que possam atender ao coletivo e a um retorno à escola a seu tempo, de forma saudável, segura e cheia de afeto. “Medos, dúvidas e incertezas certamente ainda invadem o coração dos alunos e dos pais, mas uma coisa é certa: por debaixo das máscaras, muitos sorrisos trarão de volta a alegria desse lugar de encontro”, concluiu a especialista.

Retorno seguro

Mas, será que depois de tantos meses de escolas fechadas, por causa da pandemia do novo coronavírus, já é mesmo possível levar as crianças de forma segura de volta às salas de aula? Essa dúvida ainda preocupa toda a comunidade escolar. 

A experiência de outros países e estudos recentes mostram o que é preciso para fazer a reabertura de forma mais segura. Os pontos principais são higiene, distanciamento físico e rápida reação para conter o avanço de eventuais infecções. Na maioria dos casos, as crianças têm sintomas bem mais leves de Covid-19 do que os adultos. 

“A princípio, a comunidade científica pensava que a criança poderia ser um vetor importante da doença, no sentido de aumentar a infecção, principalmente para os grupos de risco, como os idosos, no caso os vovôs e vovós. Mas, hoje, praticamente depois de um ano de pandemia, já tem estudos que mostram que a infecção da criança é muito baixa comparada aos adultos”, destacou a pediatra Anenísia Coelho, presidente da Sociedade Piauiense de Pediatria, ressaltando, que a carga viral deles é tão baixa que ainda não tem estudos quanto a aplicação das vacinas em crianças e adolescentes. 

Afastamento da escola pode afetar crianças

Psicopedagoga Marina Bueno AiresPsicopedagoga Marina Bueno Aires

Ainda não se sabe exatamente por que as crianças têm quadros menos graves. Pesquisadores suspeitam que elas tenham uma resposta imunológica diferenciada. Diante desse quadro, as crianças que estão fora das escolas perdem oportunidades de socialização com colegas e professores, e experiências educacionais presenciais que são importantes para o seu desenvolvimento. A também psicopedagoga Marina Bueno Aires é testemunha ocular desse quadro pintado por diversos especialistas quanto ao aumento de distúrbios psicológicos nas crianças e adolescentes. 


Segundo ela, somente agora no mês de dezembro de 2020, muitos consultórios e entidades que atendem a psicologia receberam uma verdadeira avalanche de casos de síndrome do pânico, de pessoas ansiosas, angustiadas e com pensamentos suicidas. “Todos estão no limite, ainda mais crianças e adolescentes que necessitam do convívio social. Por isso, acredito que já passou da hora, de fato, do retorno às aulas presenciais, sempre com segurança, claro, mas não retrocedendo, porque a vacina contra a Covid-19 já está no mercado, mas para transtorno mental, não tem vacina”, lembrou. 


Marina ressalta, ainda, que outra grande preocupação para o retorno das aulas está na rotina de manter a higiene pessoal diariamente entre as crianças e adolescentes. Porém, para contornar essa situação, as escolas e as famílias estão conversando, orientando e conscientizando a todos. “Como tudo na vida que é novo a gente tem que se adaptar, mas temos percebido a consciência da rotina dessas crianças e hoje não conheço nenhum espaço, pelo menos em Teresina, que se tenha mais protocolos de segurança que os ambientes escolares”, afirmou. 

Escolas públicas buscam alternativas para reduzir limitações

Ainda sobre o retorno, se na rede privada de ensino o maior medo dos pais está mesmo concentrado na segurança sanitária oferecida pelas escolas, na rede pública de ensino o problema é outro e bem maior: Como assistir, de fato, às aulas. Não porque elas não vão acontecer, mas pelo simples motivo de menos da metade dos quase 800 mil alunos matriculados na rede pública de ensino possuem internet de qualidade em casa ou em seus aparelhos de celular. Diferente da rede particular, onde 90% dos mais de 211 mil matriculados possuem internet e aparelhos para assistir aulas remotas no Piauí. 

Todos esses dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, durante todo o ano passado, fez levantamentos mensais por meio da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) Covid-19, para identificar os impactos da projeção da doença em diversas esferas da sociedade. Para ter uma noção, somente 0,9% dos estudantes piauienses, em todos os níveis escolares, tiveram aulas presenciais diariamente, e todos eram da rede privada. 

Para tentar amenizar esse problema da falta de internet, o Governo do Estado entregou, semana passada, mais de 180 mil chips aos estudantes da rede pública estadual. A iniciativa, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), tenta garantir que os estudantes matriculados na rede estadual de ensino tenham acesso liberado à internet por seis meses e possam assistir às aulas remotamente. Lembrando que a rede pública optou pelo ensino remoto com início dia 1º de fevereiro. 

“A Secretaria da Educação, durante toda a pandemia, manteve as aulas ativas em diversas plataformas e na entrega de material físico. No entanto, o grande desafio é o acesso do estudante, por isso a distribuição dos chips. Assim, o estudante terá confortavelmente quantidade de banda larga para ele ter acesso às aulas”, afirmou Ellen Gera, secretário da Seduc. 

Jullyane Freitas, estudante do 3º ano do Ensino Médio no Liceu Piauiense, sonha em cursar Biologia e recebeu um dos chips oferecidos pelo Governo. Ela conta que durante a pandemia teve dificuldades no acesso à internet para manter os estudos, mas que agora poderá continuar a se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A escola vem disponibilizando o material do Enem para que a gente possa continuar estudando, porém acredito que com esse chip vai facilitar mais ainda nosso aprendizado”, apontou.


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