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Passando fome, deportados dos EUA desembarcam em Minas Gerais

Mais de 100 passageiros desembarcaram no início da tarde desta segunda-feira

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"Erramos, mas não precisa tratar a gente deste jeito. Nunca mais volto pra lá", disse o taxista Moacir Miguel, um dos mais de cem brasileiros deportados dos Estados Unidos que chegaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana, nesta segunda-feira (2).

De acordo com a assessoria do terminal, o desembarque aconteceu por volta das 13h30. Este é o sexto voo fretado pelo governo norte-americano com brasileiros deportados dos Estados Unidos a chegar em Confins desde o ano passado.

Moacir viajou com a mulher e o filho em busca de uma vida mulher. Os três ficaram presos por 12 dias e voltaram apenas com a roupa do corpo.

Um outro passageiro que desembarcou nesta segunda-feira, mas não quis se identificar, disse que muitos brasileiros passaram fome nos Estados Unidos.

"Tem muitos brasileiros sofrendo lá, passando fome, humilhação. Toda hora um desmaia no chão lá com fome. A comida lá é um burrito. A comida do brasileiro lá é isso daqui, ó (mostrando o burrito que conseguiu trazer). É de manhã e na hora do almoço. E, à tarde, é um lanche", contou ele.

A Polícia Federal afirmou que a estimativa é que cerca de 120 deportados estavam no avião. Muitos têm os celulares apreendidos quando são detidos pela imigração americana e, por isso, não conseguem avisar os parentes da chegada.

Um lanche chegou a ser feito no saguão do desembarque para receber os brasileiros, muitos deles famintos.

O último voo pousou no aeroporto no dia 19 de fevereiro.

Avião com deportados chega ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte 

Brasil não aceitava voos fretados com deportados desde 2006

A decisão de não aceitar mais o fretamento de aviões veio em 2006 quando, depois de uma CPI que investigou as deportações de brasileiros, o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, incluindo aqueles acusados de imigração ilegal.

Um diplomata ouvido pela Reuters explica que a decisão de não aceitar mais as deportações em massa veio da necessidade de analisar caso a caso e dar aos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, mesmo ilegalmente, a possibilidade de reverter a decisão de deportação - o que muitas vezes acontece quando o cidadão tem filhos norte-americanos, uma estrutura familiar montada e às vezes até negócios.

O governo do presidente Jair Bolsonaro tem facilitado a deportação de cidadãos que vivem irregularmente nos EUA. A medida facilita a deportação, em concordância com pedidos do governo Trump. Como mostrou a Reuters em agosto, o governo emitiu um parecer autorizando a volta de brasileiros no país apenas com um atestado de nacionalidade.

Isso porque a lei brasileira proíbe a emissão de passaportes à revelia do cidadão, o que impedia o governo norte-americano de embarcar os deportados sem que eles se dispusessem a pedir um passaporte. No governo Temer, sob pressão dos EUA, foi feito um acordo para que os consulados emitissem o certificado em alguns casos, mas algumas empresas aéreas se recusavam a aceitar o documento até o parecer do governo brasileiro.

Os voos fretados, no entanto, eliminam também esse problema. Não há necessidade de documento para desembarque no Brasil.

O número de imigrantes brasileiros presos nos Estados Unidos tentando cruzar a fronteira pelo México aumentou mais de 10 vezes no último ano fiscal norte-americano (outubro de 2018 a setembro de 2019), chegando a 17.900, contra 1.500 no ano fiscal anterior. Em 2019, cerca de 850 mil pessoas de diversas nacionalidades foram presas tentando cruzar a fronteira dos EUA.

Lanche foi preparado para receber brasileiros deportados em Confins 


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