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Projeto insere pessoas com deficiência no mercado de trabalho

O projeto Trabalho Acessível tem como objetivo identificar pessoas com deficiência e facilitar o acesso delas ao emprego formal

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o número de empresas que procuram Pessoas Com Deficiência (PCDs) para ingressarem em seus quadros cresceu desde 2018 no Piauí. 

E, para continuar incentivando as PCDs, a Ação Social Arquidiocesana (ASA), por meio do serviço Levanta-te, vem para o meio, está desenvolvendo um projeto que visa transformar a realidade dessas pessoas.

O projeto Trabalho Acessível, desenvolvido com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), tem como objetivo identificar pessoas com deficiência, no município de Teresina, que tenham potencialidades para o mercado de trabalho. A ideia é facilitar o acesso delas ao emprego formal.

Marcos Júnior é coordenador do  Levanta-te, vem para o meio (Foto: Raissa Morais)Marcos Júnior é coordenador do  Levanta-te, vem para o meio (Foto: Raissa Morais)

A qualificação profissional, inclusão em postos de trabalho e auxílio aos surdos estão no leque de serviços que os beneficiados têm acesso.  O serviço Levanta-te, vem para o meio foi implantado em 2010 e, desde então, é uma ação grandiosa: possui 3.380 pessoas com deficiências cadastradas e aptas para o mercado de trabalho, além 4.066 surdos atendidos através Serviço de Auxílio ao Surdo (SAS), e 86 empresas parceiras.

Segundo o coordenador do serviço, Marcos Junior, o Levanta-te, vem para o meio tem como público principal as pessoas com deficiência atendendo na perspectiva da inclusão social e no mercado de trabalho. 

"Com o projeto, fazemos um recrutamento, seleção, depois uma avaliação médica para saber se aquela deficiência está de acordo para aquele tipo de trabalho. Após quatro meses, fazemos o acompanhamento do contratado para saber se aquela pessoa está se adaptando na empresa", argumenta. No processo da entrevista, para os surdos, um interprete de libras dá todo suporte para os assistidos do projeto.

Inserção justa no mercado de trabalho

A contratação de pessoas com deficiência está prevista em Lei Federal, que obriga as empresas a reservarem partes de suas vagas para pessoas com deficiência, garante também que elas sejam beneficiárias do Programa de Reabilitação Profissional pelo Instituto Nacional de Seguro Social (Inss), que tenham trabalho igual ao dos outros e recebam remuneração justa por isso. A Lei de Cotas prevê que empresas que têm mais de 100 empregados devem reservar vagas para pessoas com deficiência.

"Oferecemos uma assessoria qualificada para as empresas que precisam cumprir a lei de cotas na inclusão das pessoas com deficiência. A partir do momento em que a empresa firma uma parceria com o projeto e ela disponibiliza as vagas, fazemos o recrutamento para inserir a PCD nos quadros da empresa", observa Marcos Junior.

Projeto atende pessoas com deficiência (Foto: Raissa Morais)Projeto atende pessoas com deficiência (Foto: Raissa Morais)

A ASA é especializada no atendimento a crianças, jovens e adultos. Além do caráter educativo, a ONG realiza oficinas profissionalizantes que propõem a capacitação e a inclusão no trabalho formal.  Diante disso, o mercado de trabalho é um importante passo no processo de reabilitação da pessoa com deficiência, é o que afirma a assistente social da ASA, Thais Cronemberg.  "Mesmo na pandemia, o trabalho não foi prejudicado. Só este ano já inserimos 77 pessoas no mercado de trabalho", celebra Thais.

Para Marcos Júnior, inserir as pessoas com deficiência no mercado de trabalho requer não só a capacitação e orientação sobre o universo do trabalho, direitos e cidadania, mas também a sensibilização das empresas. 

"Não estamos preocupados apenas em encaminhar as pessoas para as os postos de trabalho, temos o processo de sensibilização na empresa para que haja a flexibilização das vagas, para que não sejam apenas funções ou cargos de baixa escolaridade, como na maioria das vezes as empresas querem disponibilizar apenas serviços gerais e dentro do nosso banco de dados temos pessoas com qualificação melhor que podem ocupar outros cargos e funções na empresa", justifica o coordenador.

Qualificação gera empregabilidade às PCDs

Milly Prima buscou apoio na ONG para conseguir uma oportunidade. Através de uma busca ativa da ASA, ela fez um cadastro, passou por um acompanhamento com assistente social e foi selecionada para vaga de auxiliar administrativa em uma escola privada.

Milly chegou ao mercado de trabalho com a ajuda do projeto (Foto: Raissa Morais)Milly chegou ao mercado de trabalho com a ajuda do projeto (Foto: Raissa Morais)

"Pela deficiência visual que tenho, chamada de monocular (enxergar apenas de um olho), estava com muita dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Fui em busca da ASA e eles me indicaram, me acompanharam e me deram todo suporte", relata.

Ela avalia que estar no mercado de trabalho é muito mais do que uma questão de dinheiro. É uma realização pessoal. "Você ser aceita no mercado com aquilo que já carrego de nascença, ser aceita na escola, é uma felicidade muito grande", agradeceu. Hoje, já são nove meses na função. "Em breve vou iniciar um curso superior em pedagogia", projeta Milly.

Rogério conta que o projeto o ajudou a conseguir um emprego (Foto: Raissa Morais)Rogério conta que o projeto o ajudou a conseguir um emprego (Foto: Raissa Morais)

O projeto é a prova de que a inclusão transforma vidas, e uma delas foi a de Rogério Mendes. Ele é uma das pessoas com deficiência auditiva que encontrou oportunidade de se inserir no mercado com o projeto da ASA. "A dificuldade começa na entrega de currículos, mas quando conheci a ASA e soube das vagas de trabalho foi mais fácil o processo e hoje estou empregado, agora busco uma colocação para minha esposa que também é surda", argumenta.

Mas não é somente a pessoa com deficiência que ganha, esclarece a assistente social. Ao criar esse vínculo com os colegas do trabalho, a PCD passa a desmistificar a ideia de que ele é limitado, o que contribui para a diminuição da discriminação.  "Mostramos que eles são capazes e também para a própria empresa, quando ela consegue visualizar a pessoa com deficiência como um cidadão comum, ela consegue ver neles muito potencial", encerra Thais Cronemberg.



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