Teresina, capital do Piauí, é uma cidade repleta de especificidades. Considerada a mesopotâmia do Nordeste, a capital é a única da região que não é banhada pelo Oceano Atlântico, embora seja ladeada pelos Rios Parnaíba e Poti. Além disso, ao contrário do que muitos pensam, foi a primeira capital planejada do Brasil, mais de 100 anos antes de Brasília. 

A transferência efetiva da capital da Província do Piauí de Oeiras para Teresina foi efetivada em 16 de agosto de 1852. Na época, todas as autoridades foram comunicadas do fato. A ideia era que Teresina integrasse o estado por meio do Rio Parnaíba com a navegabilidade, facilitando o comércio de produtos pelo porto de Parnaíba, no litoral, além do restante do estado.

FOTO: Arquivo PúblicoFOTO: Arquivo Público

O historiador Shi Takeshita explica o processo de formação da cidade. "O surgimento de Teresina como capital tem a ver com três questões que os presidentes de província do Piauí tinham que resolver: transferir a capital para uma localidade mais comunicável com o resto da província, mudar a localização da Vila do Poty que sofria todos os anos com enchentes e implementar a navegação do Rio Parnaíba", explica.

A escolha da Chapada do Corisco, ponto central do trecho mais navegável do rio, como local da Nova Vila do Poty, retirando-a do encontro do Poti com o Parnaíba,  foi uma escolha do presidente Saraiva. "Ele buscava resolver essas três questões numa só jogada. Escolhido o local em 1850, ele prometeu aos potienses fazer a mudança da capital de Oeiras para a nova vila e a concretizou em 21 de julho de 1852", acrescenta o historiador.

Vista aérea de Teresina | FOTO: Arquivo PúblicoVista aérea de Teresina | FOTO: Arquivo Público

Uma cidade menina

Teresina é uma cidade jovem, mas que já nasceu previamente pensada do ponto de vista urbano e funcional. Isto é, nasceu planejada em um retângulo e nasceu para desempenhar a função de capital da província. "Ou seja, ela conheceu seu nascimento, algo incomum para as cidades coloniais que nasciam de forma espontânea. Infelizmente, Teresina conheceu todas as dificuldades de uma capital de uma província pobre como o Piauí: obras atrasaram, ruas demoraram para serem abertas e construídas, além dos problemas sanitários nas primeiras décadas", revela Takeshita.

Entretanto, nada disso fez a população, formada pela elite e a massa, perder as esperanças no futuro da cidade. "Tanto que uma década depois, Teresina já contava com 11.000 habitantes, em um local que era habitado por 49 pessoas. A cidade ainda tem dívidas com as camadas mais humildes e acredito que a utilização das infraestruturas urbanas pelas pessoas mais pobres seria o começo para resolver essas dívidas. Habitação, transportes, lazer, educação de qualidade, por exemplo. A prefeitura e vereadores têm que atentar para isto. Só assim, teremos teresinenses amando Teresina, se importando com o futuro da cidade e acreditando nas gerações que venham a surgir na nossa terra", considera o historiador.

FOTO: Gabriel PaulinoFOTO: Gabriel Paulino

Uma identidade para Teresina

Teresina é uma cidade que precisa amadurecer do ponto de vista histórico e cultural para se enxergar como ponto de encontro dos diversos cantos do Piauí. 

"A cidade nasceu para ser capital, mas ela não precisa se contentar apenas com isso. Quantas famílias das antigas vilas e cidades do estado e de estados vizinhos vieram para cá tentar melhorar de vida e contribuir para o crescimento da cidade? É preciso conhecer nossa história, nossa geografia, nossa literatura, nossos folclores, nossa arte e nossa arquitetura para nos identificar com a cidade. Não se ama o que não se conhece e não valorizamos o que não temos identificação", acrescenta o historiador Shi Takeshita.

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