TJ-RJ afasta advogados de Bruno por causa de prazos

Um dos advogados dos réus retirou os autos de cartório no dia 20 de outubro e os devolveu no dia 19 de

Goleiro Bruno | Divulgação
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O Tribunal de Justiça (TJ) do Rio afastou do processo de lesão corporal e sequestro da estudante Eliza Samudio os advogados do ex-goleiro do Flamengo Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, na terça-feira. O motivo, segundo o TJ, foi a falta de respeito ao prazo de cinco dias para a apresentação da apelação final dos defensores. A decisão vale para os advogados Ércio Quaresma, Claudinéia Carla Calabund, Márcio Carvalho de Sá e Antônio José da Silva Malhano, condenados ainda a pagar multa de 10 salários mínimo cada um.

Um dos advogados dos réus retirou os autos de cartório no dia 20 de outubro e os devolveu no dia 19 de novembro, sem explicações para a demora, o que representa, de acordo com o TJ, abandono de causa. Os acusados serão intimados a apresentar nova defesa em cinco dias.

Eliza teria sido espancada e levada do Rio de Janeiro para um sítio de Bruno em Minas Gerais, onde teria sido morta em junho. O processo de lesão corporal e sequestro de Eliza corre no Rio, enquanto o de sua suposta morte é julgado em Minas.

Bruno trocou de advogado na tarde de segunda-feira. Cláudio Dalledone Jr. é o novo defensor do atleta, substituto de Quaresma, que responde a um procedimento disciplinar depois de ser flagrado em um vídeo onde fumava crack. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas divulgou o julgamento do ex-advogado de Bruno para o dia 30 de novembro. O advogado é acusado por familiares do atleta a ameaçá-lo para que não trocasse de defensor.

Para o novo advogado do goleiro, a decisão do TJ "não interfere em nada" no processo. Dalledone disse que vai apresentar a defesa dentro de cinco dias.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.



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