Leila Gomes de Barros Rêgo fez a alegria de muitos brasileiros nos Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Grand Prix, Sul-Americano e agora é uma das senadoras mais atuantes do Brasil e sua presença é marcante em todas as sessões da CPI da Pandemia.

Eleita senadora em 2018, Leila Barros diz em entrevista ao Meio Norte que decidiu seguir carreira política a partir do momento em que percebeu que poderia contribuir de forma mais decisiva para implementar as pautas que acredita, como a valorização do esporte, a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a igualdade de gênero.

Na entrevista, ela destaca a união da bancada feminina, dos projetos de lei que apresentou e foram aprovados, da importância da CPI da Pandemia para o País. "Foi somente após a instalação dos nossos trabalhos e a divulgação das primeiras descobertas – como a de que o governo federal ignorou por meses as ofertas da Pfizer – que o país intensificou a compra de vacinas e acelerou a imunização da população", diz.

Senadora Leila diz que Brasil precisa de paz, união e diálogo (Foto Roque de Sá/Agência Senado)Senadora Leila diz que Brasil precisa de paz, união e diálogo (Foto Roque de Sá/Agência Senado)

Meio Norte- Atleta, medalhista olímpica, comandou projeto esportivo em Brasília, quando decidiu se candidatar a um cargo eletivo na política?

Senadora Leila Barros– Foi a partir do momento em que cheguei à conclusão de que eu poderia contribuir de forma mais decisiva para a implementação das pautas nas quais acredito, como a valorização do esporte, melhoria da qualidade de vida das pessoas e a igualdade de gênero. Quando atuei no terceiro setor, por maior que fosse a dedicação e o esforço, só conseguia beneficiar a um público específico. Ao exercer a função de secretária de Esporte, o horizonte foi ampliado, mas eu continuava limitada às atribuições da Pasta e às diretrizes do Governo ao qual representava no cargo. Como senadora, posso influir de forma positiva na vida de milhões de brasileiros: quer seja propondo leis, interferindo no debate parlamentar, cobrando e fiscalizando o Executivo, além de tentar servir como exemplo para que outras mulheres ingressem na vida pública.

MN- Como uma senadora atuante, presente na CPI da Pandemia, como é estar como agente ativo desse cenário político?

LB – Lamentavelmente, o Brasil ainda está muito atrasado com relação à igualdade entre homens e mulheres. Basta lembrar que foi somente em 1932 que conquistamos o direito ao voto. E depois de percorrer um caminho árduo! O Senado Federal, como Casa representativa da população, não é diferente do restante do país nessa visão patriarcal. Mas, independentemente dos olhares atravessados ou das tentativas de diminuir a nossa voz, estamos lá firmes e fortes fazendo valer as nossas prerrogativas e direitos. Tenho a impressão de que com o decorrer das reuniões, os próprios membros da CPI compreenderam a qualidade e a importância do trabalho que a bancada feminina tem apresentado na comissão e está havendo uma fluidez melhor. O importante é que, homens e mulheres, têm uma missão muito importante: mostrar à população brasileira por que no nosso país morreram tantas pessoas. Estamos descobrindo que a resposta passa pela morosidade na compra de vacinas, pela crença na imunidade de rebanho, no incentivo ao uso de medicamentos que a ciência comprovou ineficazes e até nos esquemas de fraudes em torno do Ministério da Saúde.

MN- Quais foram as grandes surpresas da política? E as decepções?

LB – Uma das surpresas foi, sem dúvida, a união da bancada feminina. No Congresso Nacional, as mulheres ocupam 15% do total de vagas, embora, sejamos 52% do eleitorado brasileiro. Temos excelentes parlamentares em atuação nas duas Casas e juntas temos criado legislações para ampliar a proteção das mulheres. A Lei do Stalking é um bom caso. Ela atualizou o Código Penal brasileiro para tipificar como crime a prática de perseguição reiterada, seja por meio físico ou on-line.

MN- Como senadora, a senhora tem acompanhado o voleibol brasileiro, os esportes em geral no Brasil? O que falta para os atletas no Brasil conseguirem resultados melhores em competições internacionais?

LB – Não tenho conseguido acompanhar como gostaria, mas sei que mesmo enfrentando todas as dificuldades, nossos atletas representaram com dignidade e talento o nosso país em Tóquio. É bom lembrar que os problemas já costumeiros se agravaram com a pandemia. O principal entrave que nos impede de sermos uma potência esportiva é a falta de apoio. Público e privado. Tenho trabalhado incansavelmente para que o governo cumpra o que determina a Lei Pelé e encaminhe para o Congresso Nacional o Plano Nacional de Desporto. Recentemente, inclusive, enviei ofício ao Ministério da Cidadania, cobrando informações sobre o injustificado atraso. Este Plano não tratará apenas do alto rendimento, mas também deverá, por exemplo, garantir o acesso à educação física nas escolas e incentivar a melhoria da qualidade de vida de jovens, adultos e idosos.

MN- A senhora faz parte do grupo de senadores da CPI da Pandemia, que começou investigando a demora do Governo em adquirir vacinas, hoje está investigando indícios de corrupção, contratos em que houve pedido de propina? Qual a sua análise da atuação da comissão?

LB – A CPI já cumpriu um papel fundamental para o país. Foi somente após a instalação dos nossos trabalhos e a divulgação das primeiras descobertas – como a de que o governo federal ignorou por meses as ofertas da Pfizer – que o país intensificou a compra de vacinas e acelerou a imunização da população. Também como consequência da nossa atuação, contratos superfaturados que estavam perto de serem firmados terminaram sendo cancelados. Somente estas duas iniciativas salvaram milhares de vidas e evitaram milhões em prejuízo aos cofres públicos.

Senadora Leila reconhece que CPI já cumpriu papel fundamental para o País (Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado)Senadora Leila reconhece que CPI já cumpriu papel fundamental para o País (Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado)

MN- Qual a sua expectativa, que resultados espera do relatório da CPI?

LB - Estamos finalizando a investigação e vamos agora, no relatório final da CPI, apontar responsabilidades e apresentar propostas para evitar que situação semelhante se repita no futuro. Espero que o Ministério Público, a Polícia Federal e os demais órgãos de controle do país prossigam o trabalho que iniciamos, para que os responsáveis por eventuais crimes sejam punidos. Isso é o mínimo que podemos fazer para que as pessoas que perderam familiares e amigos possam ter uma resposta. Sabemos que isso não acabará com a dor de uma perda, mas servirá como um recado no sentido de que as perdas que poderiam ser evitadas não ficarão impunes. E que o país não aceitará passar novamente por situação semelhante.

MN- O seu mandato vai até 2026, mas em 2022, pretende disputar o Governo do DF? 

LB- Tenho focado minhas energias e o meu tempo em exercer com dignidade e eficiência o mandato conferido pela população do Distrito Federal. O resultado é que o Congresso já aprovou e o presidente da República sancionou duas leis de minha autoria. Já estão em vigor a Lei 14.132, a Lei do Stalking (que tipifica como crime a prática da perseguição on-line ou física) e a lei 14.066, que reforça a segurança das barragens, aumentando as exigências para as mineradoras. Também fui relatora de cinco projetos transformados em lei, além de ter apresentado quase 90 proposições legislativas. Se o meu partido, o Cidadania, indicar meu nome para concorrer ao governo do DF, será consequência da minha atuação no Senado. Obviamente, para mim, que sou filha do Distrito Federal, seria uma honra assumir essa responsabilidade. Mas, na vida pública, ninguém é candidato de si mesmo. Vamos aguardar os próximos meses.

MN- Com atos do dia 7 e também do dia 12, qual a sua análise das manifestações?

LB – Na democracia, é sagrado o direito à livre manifestação. Porém, de forma ordeira e pacífica, respeitando o patrimônio público e privado. É importante que o brasileiro manifeste sua opinião e nós, agentes públicos, devemos estar focados no Brasil real. O país tem diversas crises sociais para serem solucionadas. Além da pandemia, que já deixou mais de 580 mil mortos, temos 14 milhões de desempregados, a economia estagnada, o aumento da inflação, da gasolina, do gás, dos alimentos. Temos também a crise hídrica que irá impactar na geração e no preço da energia. Enfim, o Brasil não pode continuar refém dessa situação absurda, insensata e surreal do nós contra eles. Precisamos de paz, diálogo e união para superarmos este momento tenso que vivemos.