Relator do Orçamento de 2023, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) disse que a "PEC da Transição" não será apresentada como queriam parlamentares do PT, por falta de "consenso". A proposta de Emenda à Constituição abre espaço no Orçamento de 2023 para promessas de campanha de Lula. Segundo ele, falta um entendimento sobre o tamanho da PEC e a sua duração.

No formato de hoje, o texto tira o Bolsa Família do teto de gastos (a norma que trava as despesas federais), a um custo de R$ 175 bilhões. Castro será o autor formal da PEC.

"Hoje (quarta-feira) não será apresentado", disse. "Não foi formado consenso. Eu tenho defendido desde o início que nós gastemos nossas energia para o consenso", afirmou o senador.

'PEC da Transição' é adiada por falta de consenso, diz relator do Orçamento - Imagem 1

Para o parlamentar, está faltando diálogo sobre o assunto. "No Congresso, tem hora que parece que tudo está fácil e outra hora tudo está difícil. Hoje estamos no meio termo. A dificuldade é que está faltando mais diálogo. Tem gente que fala que só aceita o Bolsa Família, outros aceitam mais. Eu tenho uma postura conservadora. Vamos excepcionalizar o Bolsa Família do teto e precisamos de um mínimo para recompor o Orçamento", afirmou.

O PT quer que o Bolsa Família fique quatro anos fora do teto de gastos, enquanto muitos deputados e senadores, incluindo bolsonaristas, querem dar esta permissão apenas em 2023. Um corrente de senadores do centro defende uma solução intermediária, com a PEC valendo por dois anos. Castro ainda lembrou que há outras PECs em andamento, como dos senadores Tasso Jereissati (PSD-CE) e Alessandro Vieira (PSDB-SE), que preveem custos menores, de respectivamente R$ 80 bilhões e R$ 70 bilhões. Além disso, há uma proposta do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa de uma despesa extra de R$ 136 bilhões (para o economista, isso não representaria uma expansão fiscal).