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Cadeia de Altos tem surto de doença rara e uma morte confirmada

Cadeia de Altos tem surto de doença rara e uma morte confirmada
Cadeia não pode receber detentos até a adoção de medidas impostas pelo MP | arquivo pessoal
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    O superintendente de Atenção Primaria à Saúde e Municípios da Secretaria Estadual de Saúde, Herlon Guimarães confirmou a incidência de pelo menos quatro casos de Leptospirose na Cadeia Pública de Altos. ”As características apontadas no quadro clínico dos pacientes indicam leptospirose, salientando que alguns detentos já apresentaram sintomas neurológicos, o que caracteriza a fase mais grave da doença”, declarou o superintendente, ao promotor de Justiça, Paulo Rubens Rebouças, durante reunião na 2ª Promotoria de Justiça de Altos/PI. Dos 53 detentos da Instituição, 48 foram submetidos a exames por apresentarem sintomas de insuficiência renal. Trinta de dois foram internados no Hospital Municipal de Altos e os demais, no HUT.  Um deles, Francisco Wellington Santos, morreu na última sexta-feira,15, no Hospital de Urgência de Teresina .

Inaugurada no dia 23 de setembro de 2019, a Cadeia Pública de Altos é considerada pela Secretaria de Justiça do Piauí como “ a maior e mais moderna do estado”, com possibilidade de receber “603 presos provisórios”. A Casa de Detenção demorou três anos para ficar pronta “além de desafogar o sistema penitenciário, o principal objetivo desta cadeia é a ressocialização por meio da educação e profissionalização”.

 Mas os pavilhões modernos parecem não ter resistido a uma dificuldade recorrente em presídios brasileiros: as condições sanitárias. O blog teve acesso a informações sobre a causa da morte com um dos familiares que prefere não de identificar “insuficiência renal aguda, insuficiência respiratória aguda com anemia , pressão arterial baixa ,septicemia,pneumonia”. Por orientação do departamento jurídico, o HUT não divulga informações dos detentos. encaminhados pelo Sistema Prisional.

Outros cinco presos permanecem internados no HUT. Até a data da Audiência na Promotoria de Justiça e mesmo com a indicação de possível surto, 41 detentos permaneciam na Cadeia.

 “A principal suspeita é que os presos tenham sofrido uma intoxicação alimentar ou por água. Havia detentos apresentando sintomas semelhantes, quais sejam, paralisia de membros inferiores, edema, alteração da pressão e vômitos. Segundo Guimarães, o laudo preliminar acerca do sistema hídrico da Cadeia “apresentou uma contaminação em nível de água, com a presença de coliformes fecais”. A recomendação é”uma desinfecção total do local onde é armazenada a água, sendo que a orientação é o não consumo até a ocorrência desse trabalho, devendo se proceder o fornecimento de água por outro meio alternativo, durante esse período”

O  secretário Justiça, Carlos Edilson Rodrigues, que também participou da audiência promovida pelo MP, garante que serão adotadas medidas, “ limpeza na encanação e caixa d´água e a sanitização do ambiente, a fim de combater os roedores, principal transmissor das doenças apontadas”. Ele acrescenta que a Cada de Detenção passou por “ sanitização no ambiente na porém voltada ao combate ao Novo Coronavírus.   As ações recomendadas  para a Cadeia incluem, ainda, “controle de roedores, limpeza na unidade prisional e suspensão do consumo de água”

Familiares dos detentos que permanecem na Instituição denunciam que a situação permanece a mesma. Na semana passada, um grupo de esposas tentou fazer um protesto pacífico em frente à Cadeia mas foram dispersadas pela segurança.  A falta de informações sobre o estado de saúde dos quatro detentos que permanecem internados é outros motivo de apreensão. Por orientação do departamento jurídico, o Hospital não fornece informações sobre o estado de saúde dos detentos internados no HUT.

A leptospirose é considerada uma doença rara no Brasil, com menos de 15 mil casos ao ano. Trata-se de uma “ infecção humana resultante da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados, por meio do contato com água, solo ou alimentos contaminados”. Os principais sintomas são “ febre alta, dor de cabeça, sangramento, dor muscular, calafrios, olhos vermelhos e vômitos são alguns sintomas. Sem tratamento, a leptospirose pode causar danos renais e hepáticos e até mesmo a morte

O Ministério da Saúde tem orientações que devem ser seguira pelos gestores estaduais e municipais em casos de suspeita de Leptospirose. É obrigatória a notificação de  todo caso suspeito da doença, para o desencadeamento de ações de prevenção e controle.


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