Assassinato de Camilla Abreu se enquadra como crime de feminicídio

Jovem foi morta com tiro no rosto pelo próprio namorado.

O assassinato da estudante de direito Camilla Abreu, morta a tiros pelo próprio namorado, o capitão da Polícia Militar Allisson Watson, se enquadra como crime de feminicídio, segundo informou a delegada do Núcleo de Feminicídio do Piauí, Ana Melka Cadena. Em entrevista para a Rede Meio Norte, a delegada explicou que crimes dessa natureza acontecem pelo simples fato das vítimas serem mulheres.

"Nas verdade,  a gente começa a vislumbrar agora e essa violência. Depois que passou a ser nominado esse problema, o feminicídio a partir do rigor da lei, a gente passou a observar toda a dinâmica dessas razões de gênero na prática desses atos. Já ocorriam fatos dessa natureza, contudo, essas questões que levam a prática desse ato, a objetivação, a posse, a dificuldade de emancipação,  esses relacionamentos controladores que muitas vezes são confundidos com cuidado e que é excessivo,  quando na verdade a gente vai estar observando relacionamento doentio", afirmou. 

Estudante de direito Camilla Abreu, morta pelo namorado (Crédito: Reprodução)
Estudante de direito Camilla Abreu, morta pelo namorado (Crédito: Reprodução)

A delegada explica  que o " feminicídio se dá por essas razões de gênero: o poder masculino sob o corpo e desejo das mulheres, a questão da posse,  da violência sexual. "

O Instituto Médico Legal (IML) comprovou que Camilla Abreu foi morta com um tiro na cabeça. Para a delegada, isso caracteriza o feminicidio. "Então na hora da prática do ato, da execução, a gente observa muito de forma recorrente, atingir essa parte que lembra a feminilidade, a cabeça, o rosto, o cabelo", comentou. 

Delegada Ana Melka Cadena fala sobre assassinato de Camila Abreu (Crédito: Rede Meio Norte)
Delegada Ana Melka Cadena fala sobre assassinato de Camilla Abreu (Crédito: Rede Meio Norte)

"A gente já teve casos de feminicídio tentado em que o autor chegou a arrancar o cabelo com um facão, a genitália. Então todos esses elementos  que lembram a feminilidade, eles são alvo da prática de agressão desses autores", emendou. 

Segundo a delegada, crimes contra mulheres foram, por durante muito tempo, 'naturalizados', em casos em que as próprias vítimas eram tidas como culpadas. 

"Então tudo isso era naturalizado, não era observado na fase pré-processual ou até mesmo no próprio processo como fator motivador da pratica do ato. Agora, além de ser muito bem observado, ele [feminicídio] ganha essa conotação de visibilidade porque o problema foi nominado. Hoje nos temos o feminicídio, então a aparência que dá é de que a gente agora enxerga ele",  declarou. 

O crime contra Camilla Abreu

Camilla foi morta com um tiro no rosto dentro do carro na madrugada da última quinta-feira (26), após ter passado a noite em um quiosque na zona Leste de Teresina junto com o namorado e uma amiga. Seu corpo foi encontrado na terça-feira (31), na região do Povoado Mucuim, após o posto da Polícia Rodoviária Federal, na BR-343, na zona rural de Teresina, já em estado de decomposição.

A jovem estava desaparecida desde quarta-feira (25). Os familiares de Camilla Abreu passaram por momentos difíceis devido a ausência de informações.

Acusado diz que tiro foi acidental

Segundo o delegado titular da Delegacia de Homicídios de Teresina, Francisco Costa, o Bareta, Allisson Watson  afirmou em depoimento que o crime foi acidental. “Ele alega que teve uma discussão com ela ela muito violenta e que a arma dele estava próximo, ela teria dito que 'não tinha medo dele', e teria ficado com a arma dizendo que 'não tinha medo' daquilo também. Ele disse que na hora em que foi tentar tomar a arma, ela puxou e aí a arma disparou acidentalmente”,  afirmou o delegado. 


Fonte: Portal Meio Norte
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