Por Rany Veloso

Apesar do Congresso estar prestes a concretizar a assinatura de um cheque gordo para Bolsonaro gastar R$ 41,2 bilhões com criação e aumento de auxílios à população, o deputado federal Flávio Nogueira (PT-PI) afirma que nem assim Bolsonaro leva a melhor nas urnas.

"Porque o povo entende, por mais faminto que ele esteja, possa estar passando as maiores necessidades, mas ele entende que isso foi feito somente no ano eleitoral e que se ele [Bolsonaro] perder, e vai , ele acaba isso após as eleições", dispara o deputado.

Flávio Nogueira disse ao blog que vai votar a favor da PEC, mesmo sendo ano eleitoral. Isso porque é proibido de acordo com a legislação eleitoral criar benefícios, mas ele lembra que atualmente no Brasil são 33 milhões passando fome e ainda há "muitos invisíveis", que não foram identificados pelo governo nesta situação.

"Eu voto a favor, embora ache que é no período eleitoral, eu acho que o Supremo não vai deixar passar. Por mim pode passar. Eu quero é que o povo mesmo diminua a fome. Embora isso não vá fazer efeito nenhum, eleitoralmente falando", repete.   

Já o deputado Átila Lira (PP-PI) desafia a Justiça a derrubar o benefício aos caminhoneiros.

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SOBRE A PEC KAMIKAZE OU PEC DAS BONDADES

Foi aprovada nesta quinta-feira (30) em dois turnos no Senado, quase por unanimidade se não fosse por José Serra, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) das Bondades. Além de aumentar o Auxílio Brasil para R$ 600 e o vale-gás para R$ 120, a PEC cria mais benefícios de R$ 1 mil a caminhoneiros e de R$ 200 a taxistas.

Para furar o teto de gastos, o relator da matéria, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), decretou estado de emergência no Brasil por causa do aumento do preço do petróleo em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia. 

O problema é que a aprovação da medida causou insegurança no mercado financeiro, os acionistas tiraram dólar do Brasil, a moeda norte-americana aumentou e ficou em R$ 5,33. O que contamina a inflação e aumenta o preço dos combustíveis. Essa consequência pode dissolver o valor dos auxílios.

A proposta deve ser votada na Câmara na semana que vem.